Corajosa, sim. Porque é de coragem que se trata num tempo em que muitos começam a tornar-se reféns psicológicos dos terroristas. Gostaria, por exemplo, de ver o António – outrora celebrado por uma caricatura com um preservativo enfiado no nariz do Papa – ousar esta semana fazer um “boneco” com o profeta Maomé.
Dizia Bulwer- Lytton que a caneta é mais poderosa do que a espada. Hoje confirmou-se que de facto aparos, lápis, aguarelas, pincéis, marcadores, tudo o que sirva para marcar um ponto, logo muitos pontos mostram um risco e muitos riscos juntos criam uma ideia de unidade, de liberdade que o medo não cortou. E a linha tornou-se curva, fechada e fez um mundo de solidariedade.
É verdade, Dulce. E tem sido comovente a reacção espontânea das pessoas. Mas não nos iludemos: não bastam lápis e canetas para combater quem nos odeia ao ponto de querer suprimir todas as parcelas de liberdade de que é feito este continente onde temos o privilégio de viver.
Como declaração de interesses digo que tenho o bicho da escrita publicada alojado nas meninges, – umas vezes mais adormecido do que outras, – e devo muito à imprensa escrita que nunca pagarei enquanto andar a (per)correr este mundo.
O “lápis azul” existe em todas as obras publicadas, assumida e não assumidamente, a coberto das “linhas editoriais”.
No caso do “hebdo” os terroristas já fizeram 17 vítimas mortais em França acobardados numa pseudo religião que nada tem a ver o islamismo, ou outra qualquer religião.
Esta é a verdadeira questão, deve a liberdade de expressão ceder à barbárie dos ataques terroristas?
De forma nenhuma, em tempo e lugar nenhuns.
Todavia, a liberdade de expressão deve ser exercida em condições que não ponha em risco a vida de tantos inocentes. Nem todos somos jornalistas ou comentadores, e a prosa, ou o verso, ou a imagem, ou o boneco, ou a mensagem não deve servir de pretexto para matar o destinatário.
Acima de tudo preservar a vida deve ser objectivo de todos os povos, ocidentais e não ocidentais.
Um terrorista morre compensado com 71 virgens celestiais. Um cidadão inocente morto selvaticamente é uma perda insubstituível e não voltará a desfrutar da liberdade de expressão.
Enquanto não estiverem criadas as condições de segurança para que a liberdade de expressão esta deve ser observada calculando todos os riscos, e sem heróis, mortos ou vivos.
Mau mé… faz Jesuis Charlie.
De Mao a Piao, como se dizia noutros tempos em que alguns neoliberais de agora eram maoístas.
Acho a primeira especialmente boa – corajosa e dando uso à arma que os extremistas nunca entenderão: o humor.
Corajosa, sim. Porque é de coragem que se trata num tempo em que muitos começam a tornar-se reféns psicológicos dos terroristas.
Gostaria, por exemplo, de ver o António – outrora celebrado por uma caricatura com um preservativo enfiado no nariz do Papa – ousar esta semana fazer um “boneco” com o profeta Maomé.
Dizia Bulwer- Lytton que a caneta é mais poderosa do que a espada. Hoje confirmou-se que de facto aparos, lápis, aguarelas, pincéis, marcadores, tudo o que sirva para marcar um ponto, logo muitos pontos mostram um risco e muitos riscos juntos criam uma ideia de unidade, de liberdade que o medo não cortou. E a linha tornou-se curva, fechada e fez um mundo de solidariedade.
É verdade, Dulce. E tem sido comovente a reacção espontânea das pessoas. Mas não nos iludemos: não bastam lápis e canetas para combater quem nos odeia ao ponto de querer suprimir todas as parcelas de liberdade de que é feito este continente onde temos o privilégio de viver.
Gosto, particularmente do I.
Também eu, embora o desenho do Carrilho na capa do ‘DN’ seja de excepcional qualidade.
A capa do i está genial… http://dcabanas.blogspot.pt/2015/01/char lie-olha-por-ti.html
E corajosa, sem dúvida.
O lápis azul.
Como declaração de interesses digo que tenho o bicho da escrita publicada alojado nas meninges, – umas vezes mais adormecido do que outras, – e devo muito à imprensa escrita que nunca pagarei enquanto andar a (per)correr este mundo.
O “lápis azul” existe em todas as obras publicadas, assumida e não assumidamente, a coberto das “linhas editoriais”.
No caso do “hebdo” os terroristas já fizeram 17 vítimas mortais em França acobardados numa pseudo religião que nada tem a ver o islamismo, ou outra qualquer religião.
Esta é a verdadeira questão, deve a liberdade de expressão ceder à barbárie dos ataques terroristas?
De forma nenhuma, em tempo e lugar nenhuns.
Todavia, a liberdade de expressão deve ser exercida em condições que não ponha em risco a vida de tantos inocentes. Nem todos somos jornalistas ou comentadores, e a prosa, ou o verso, ou a imagem, ou o boneco, ou a mensagem não deve servir de pretexto para matar o destinatário.
Acima de tudo preservar a vida deve ser objectivo de todos os povos, ocidentais e não ocidentais.
Um terrorista morre compensado com 71 virgens celestiais. Um cidadão inocente morto selvaticamente é uma perda insubstituível e não voltará a desfrutar da liberdade de expressão.
Enquanto não estiverem criadas as condições de segurança para que a liberdade de expressão esta deve ser observada calculando todos os riscos, e sem heróis, mortos ou vivos.
O terrorismo não tem religião.
Gil Texeira