“Acontece com os intelectuais o mesmo que acontece com a política: o descrédito (e estou a falar da Europa) em que caíram os políticos europeus e portugueses, e não só, é imenso. As percentagens de abstenção nos actos eleitorais são enormes. Porquê? Porque ultrapassámos aquilo que era normalmente admitido, uma certa taxa de mentira, que é própria do discurso político. E ultrapassámos isso com um descaramento extraordinário. O descaramento passou a ser uma das características do discurso político e em Portugal isso é extraordinário. O chico-espertismo português generalizou-se em Portugal. Isso faz com que a população se afaste cada vez mais e não acredite.” – José Gil, numa deliciosa entrevista ao Carlos Morais José, Hoje Macau, 06/11/2014
Lucidez
Sérgio de Almeida Correia,


Acontece com os intelectuais o mesmo que acontece com a política: o descrédito.
Tão deliciosa a entrevista, Sérgio, que não resisti a ler até ao fim. José Gil, quando bem acompanhado, como é o caso do Carlos Morais José (e recordo-me de outra com a Anabela Mota Ribeiro), dá-nos que pensar, coisa que hoje, como no passado, faz falta. E é bom vê-lo assumir alguns erros de análise, como aquela frase em que proclamava que sem Sócrates, iríamos respirar melhor. Esperemos que a “água do Lilau” que ainda se possa beber por Macau, lhe sirva de inspiração renovada.
Acordou tarde o filósofo José Gil; o chico-espertismo português é secular e abrange todas as camadas da população, deixa muito poucos de fora.
No que diz respeito aos politicos e à politica, o que o respeitável José Gil diz é muito parecido com o que diziam outros igualmente respeitáveis intelectuais nos anos 20 do século passado. Todos sabemos como é que a verdade acabou por ser reposta, não é?