Queixas anónimas só se forem contra opositores políticos


Sérgio de Almeida Correia,

Teresa Leal Coelho, aquela senhora deputada que queria punir os juízes do Tribunal Constitucional e inverter o ónus da prova nos casos de “enriquecimento ilícito”, insurgiu-se hoje na TSF contra o facto da denúncia da situação verificada com os pagamentos da AR e da Tecnoforma ao primeiro-ministro ser anónima. E perguntava por que razão a queixa seria anónima.

Eu que sou contra todo e qualquer tipo de anonimato, incluindo em matéria de queixas e denúncias, gostaria apenas de recordar à criatura que são múltiplos os portais em que serviços públicos, com o aval da maioria e do seu governo, disponibilizam formulários para apresentação de queixas anónimas. E registo que na perspectiva da senhora deputada possa haver umas queixas mais anónimas do que outras consoante a qualidade do visado e a natureza das provas. Mas o que me deixou ciente sobre a sua postura ética e moral foi saber que a sua preocupação não era com o esclarecimento da verdade nem com as amnésias do primeiro-ministro sobre os avultados montantes que recebeu, mas sim com o facto da queixa ser anónima e não poder perseguir o malandro que destapou mais um rabo-de-palha do bando. Elucidativo.

5 comentários em “Queixas anónimas só se forem contra opositores políticos”

  1. Essa rapariga é doutorada em Direito. Mas doutorou-se na Universidade Lusófona onde foi colega do Doutor Relvas.

  2. Tambem talvez Sra Coelho pudesses explicar porque a 1ª diligencia que os serviços publicos fazem nas denuncias é contactar o visado e informar quem fez a denuncia. Calculo que não tem como intenção desincentivar a próxima denuncia..

  3. Um grande mistério, esta senhora. Condenada por duas vezes em Tribunal por favorecimento de amigos, e por isso corrida do CCB, fez parte da direção de Vale e Azevedo que ia acabando de vez com o Benfica – confesso que não sendo benfiquista a coisa até me ia divertindo, mas chegou a um ponto em que eu próprio já temia o pior.
    Mas aparece de repente como moralista, uma espécie de paladina da retidão e da integridade – esta gente não tem memória? Ou julgam poder passar os outros por parvos?

  4. Na sua última frase é que está o busílis. A estes arregimentados não interessa a verdade, mas simplesmente defender os seus chefes. Porque assim também defendem “o deles”…

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