Se o autor não é vedeta da TV ou poeta fofinho, a assinatura é provavelmente irritante. Falo por mim, o que escrevo não é dirigido a leitores que partem para a leitura com preconceitos inabaláveis. Li um texto muito inteligente de uma autora que escreve no Jornal de Negócios, Eva Gaspar, e ela falava deste maldizer pouco informado que tomou conta do espaço mediático e que se espalha nas redes sociais como uma infestação de cogumelos tóxicos. Há pessoas que não entendem a diferença entre discordar com argumentos e discordar sem eles. Há comentadores que dão palpites sobre tudo e mais alguma coisa, com sentenças definitivas sobre temas que desconhecem, ideias vagas sobre coisas complexas; há também muitos que contestam o outro apenas pela cor da gravata, pelo respectivo lado na trincheira e por julgarem o opositor irritante ou ainda porque lhes apetece, por terem acordado com os pés fora da cama e com azia no estômago. Não faltam razões para a maledicência superficial e cruel, mas julgo que um dos motivos da crispação é razoavelmente racional: foi criado um clima pessimista e negativo, as notícias trazem sistematicamente o lado mau da sociedade e visam sempre a vertente escandalosa dos supostos factos. Algumas pessoas acreditam ingenuamente que, sendo o mundo assim, a liberdade de expressão deve funcionar como valor absoluto, incluindo apenas a irresponsabilidade e o vazio.

Os profissionais da música, da pintura, da informação e muitos outros, tendem a pensar que são os donos dessas actividades, só porque se dedicaram a comercializá-las. O seu mérito, porém, não está em tê-las “criado” mas sim em tê-las desenvolvido, aprofundado e aperfeiçoado em certo sentido. E difundi-las.
O Miguel Sousa Tavares, por exemplo, é dos que sofrem com o facto de haver mais ouvidos, olhos e cabeças do que a sua. Mas contra isso não há nada fazer num país democrático. Em seu benefício e de todos nós está o factor “credibilidade”, que nos permite, como leitores, ponderar o valor da informação também pelos autores.
Caro António M P:
O seu comentário é a melhor ilustração do que o Luís Naves quis dizer no post.
(Excluindo o insulto e o ataque «ad hominem», hoje vulgares nas opiniões publicadas na blogosfera e demais espaços da «democracia doas banalidades».)
Parabés por se ter constituído como prova dos 9.
Ora essa, foi um prazer.
Quanto ao “insulto e o ataque «ad hominem»” lembro-lhe que MST é uma figura pública que difunde opiniões e comentários (nomeadamente sobre os seres inferiores como nós que escrevem em blogues) sujeitos a resposta. Quem tem telhados de vidro…
Olha quem fala !
Gostou ou não gostou desta opinião pobre de argumentos……
Acaso não tenha gostado pode sempre ir reler os textos escritos pelos seus correligionários da farsa em curso e da merdocracia reinante.
Noutro dia entrei num blog de linha branca e um único post tinha 728 comentários o que só prova o que diz acima mas a credibilidade conquista-se, não se decreta e infelizmente em Portugal há muita credibilidade dada por decreto ou menos, bastam umas moedas no momento certo.
Não sei se viu o programa da SIC N a seguir ao discurso de PPC no Pontal mas aconselho a ver pois existe lá um desabafo importante de PEDRO ADÃO e SILVA.