So long, captain


Teresa Ribeiro,

Robin Williams matou-se e eu, assim que soube a notícia, lembrei-me daquela tristeza irreparável que lhe velava os olhos mesmo quando interpretava papéis cómicos.

Gostava muito dele. Dois filmes de cabeceira, Clube dos Poetas Mortos e O Bom Rebelde, ligaram-nos para sempre. Talvez esse laço afectivo me tenha ajudado a ver aquele desamparo metódico que o afastava do mundo e que segunda-feira tornou oficial. 

Apetecia-me perguntar-lhe “para quê a pressa?”

10 comentários em “So long, captain”

  1. Via-se-lhe nos olhos e percebia-se na forma como habitualmente respondia às questões: em actuação permanente, fugindo a ter de se enfrentar (admita-se que a capacidade de improviso dele era extraordinária.) Não por acaso, mencionas dois filmes dramáticos. Neles, perpassa o ser humano real, sem máscaras (tanto quanto o cinema o permite). Eu acrescentaria Insónia e – assim de repente, talvez a única comédia que inserisse nos melhores filmes dele (mas posso estar a ser injusto porque não fui ver a lista das obras em que entrou e actualmente a minha memória oscila entre fraquinha e débil) – Bom Dia, Vietname.

    De qualquer modo, o humor é quase sempre uma forma de esconder o desespero. Especialmente o humor dos gordos (não era o caso).

    1. Sim, humor é escapismo. Por isso é que a tristeza grassa entre os profissionais do ramo. Rir, para ele, não teve remédio.
      Não vi Insónia, mas tenho bem presente o Bom Dia, Vietname, onde Robin brilha à sua altura. Das comédias que eu vi com ele esta também é a que eu prefiro.

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