Era já madrugada e nós seguimos
quilómetro a quilómetro a corrida
Era já madrugada e nós corríamos
com aquele que levava ao peito as quinas
Era já madrugada e nós não víamos
o loiro Menelau e as belas crinas
dos imbatíveis cavalos do Atrida.
Era só Carlos Lopes que nós víamos
e com ele ganhámos a corrida
aquela madrugada e toda a vida.
Manuel Alegre

Lembro-me que chorámos como uns miúdos abraçados uns aos outros . Soluçámos como náufragos ao som do hino nacional.
Ainda agora, neste momento, choro como uma tola a ver este vídeo.
Naquele dia, ali, naquele momento, estávamos todos no podium com o nosso herói e Portugal cantava em plenos pulmões dos seus egrégios avós.
Disto já não há…
Uma das maiores alegrias da minha vida enquanto adepto desportivo. Inesquecível, a primeira medalha de ouro olímpica para Portugal. Inesquecível, ver a nossa bandeira subir ao mastro do estádio olímpico e ‘A Portuguesa’ entoada em Los Angeles. Seriam umas três da madrugada (hora portuguesa). Uma das madrugadas mais longas e mais gloriosas do desporto português.
Sim, Dulce, disto já não há. Mas felizmente o Carlos Lopes encontra-se entre nós. E também o treinador dele, o professor Moniz Pereira. Campeões, um e outro.
Nós não acarinhamos nem respeitamos ou honramos devidamente os nossos heróis, aqueles que levaram o nome de Portugal pelo mundo, desfraldado e verde, vermelho e lágrimas de emoção. Fala-se tanto dos que nos degraçaram e persistem na contumácia e relegamos os que merecem para uma notícia da rodapé sem grande relevância. É triste.
Boa noite Pedro, beijinho.
É, Dulce. Falamos demasiado do que não interessa e muito pouco do que é verdadeiramente relevante. Alimentamos mitos, como o sebastianismo nas suas diversas encarnações, enquanto ignoramos vários dos nossos heróis de carne e osso.