Eles mandam reflectir. Eu queria reflectir. Mas não tem sido possível porque não tenho feito outra coisa que não seja “topar” com espanhóis que me perguntam onde ficam os Jerónimos e os pasteis de Belém.
Eu queria reflectir mas meti-me no carro e não passei da segunda velocidade tal a fila de trânsito que reflectia a quantidade de vizinhos que aqui se encontram.
Eu queria reflectir e por isso decidi ir à Basílica da Estrela para encontrar algum sossego. Mas nem aí pude faze-lo porque o corrupio de visitantes não deu tréguas ao meu esforço.
Eu queria reflectir mas a família decidiu que era na minha casa que se jantava e via o jogo. Assim tive que me pôr à cozinha, para dar de comer a dois jovens que não sei onde armazenam o que ingerem, mas sei que comem muito.
Eu queria reflectir mas depois do jogo vai ser difícil porque a minha malta deve querer ir ver o povo nas ruas e eu tenho que, antes, arrumar a cozinha.
Eu queria reflectir…mas sou o reflexo da fadiga que provocam sempre estes dias de reflexão!


Eu cá indico-lhes sempre o mesmo caminho: “Ustiedes cogen la autopista A6 siguen siempre deliante y en mienos de niada ustiedes llegan a Badajioz, donde hay unos caramielos muy buenos”.
Como eu te compreendo, Helena. Há dias em que a reflexão anda para ali atravancada pelo nosso quotidiano fora.
E em que reflectimos a nossa irreflexão…