Reféns de Marcelo


Pedro Correia,

 

Marcelo Rebelo de Sousa é uma personalidade sem paralelo na política portuguesa. A única neste momento capaz de alargar as margens do centro-direita, dispensando intermediários para comunicar com outras áreas políticas sem nunca perder de vista o ponto de partida.

Os teóricos da actual maioria que sonham com Durão Barroso, Rui Rio e até Assunção Esteves (pasme-se!) como possíveis candidatos presidenciais em 2016 por recearem o carácter sempre imprevisível e irreverente do mais conhecido professor de Direito do País estão a ver o filme todo ao contrário.

Qualquer projecto presidencial que exclua Marcelo é um troféu antecipado de vitória para a esquerda na próxima corrida a Belém.

Pode Paulo Rangel ter ficado de “sorriso amarelo” ao ouvir Marcelo dizer num jantar de apoio à Aliança Popular que “tenciona” (atenção ao verbo) votar nesta coligação pela consideração que lhe merece Jean-Claude Juncker, candidato do Partido Popular Europeu à presidência da Comissão Europeia, omitindo os nomes dos portugueses.

Pode Nuno Melo ter ficado “branco e inerte” ao tê-lo ouvido elogiar Freitas do Amaral, como relata a Ana Catarina Santos neste saborosíssimo texto publicado no seu blogue.

Podem as sumidades dos aparelhos inventar as alternativas que quiserem na desesperada recusa de enxergarem o óbvio. É inútil: PSD e CDS estão reféns de Marcelo.

E quem não perceber isto não percebe nada.

14 comentários em “Reféns de Marcelo”

  1. Guterres não foi um bom PM. Mas é uma pessoa bem formada, não se licenciou a um Domingo, fala bem línguas, tem experiência internacional e não me parece um menino traquinas nem um prega-partidas. Eu fiquei refém da janelinha que há dias abriu.

    Quanto a Marcelo, é bom para monologar com Judite, José Alberto Carvalho, Júlio Magalhães, etc. De longe a melhor, que punha alguma ordem no programa e não o deixava espraiar-se tanto, foi, na minha opinião, Maria Flor Pedroso.

    Coitados do PSD e do CDS que ficaram reféns dele e têm alternativas inconseguidas, tipo Barroso, Rio ou Assunção.

  2. Costuma dizer-se que quem não tem cão, caça com gato. Marcelo Rebelo de Sousa é o gato da maioria. E é o único, os outros nem isso são.
    Vi ontem à noite na RTPi uma “estimulante” entrevista com José António Saraiva, director d’O Sol, que explicou bem porque é que Durão Barroso não se mete nesta guerra, e porque é que MRSousa vai perder.
    Não sei ler nos astros, mas penso que Guterres se vai candidatar, porque é o único candidato que a esquerda tem para ganhar e à 1ª volta.
    MRSousa é muito bom a falar, mas é quando está sózinho e não tem contraditório. Como muito bem lembrou Saraiva ontem à noite, até o Sampaio o meteu no bolso num debate quando ambos eram candidatos à Camara de Lisboa em 89.
    Com Guterres, o “picareta falante” e seu grande “ódiozinho de estimação”, leva aí 10 a zero.

    1. Saraiva, para desvalorizar Marcelo em 2014, vem lembrar o Marcelo de 1989. Ano da queda do Muro de Berlim. Ainda não havia SIC nem TVI. Ainda tínhamos fronteira em Badajoz. E a auto-estrada para o Algarve era um sonho sempre adiado.
      Um quarto de século depois, eu esperava que o ilustre arquitecto emitisse um argumento um pouco mais actualizado. Que já tivesse chegado a 2000 ou a 2001, por exemplo.

  3. Se, como parece estar a desenhar-se, o candidato da esquerda for Guterres, só Marcelo poderá dar luta.

  4. Eu, com todo o meritíssimo respeito que merece, já estou cansado deste Senhor! Repare que Senhor está com S e não s!!!
    É deveras! Estou um pouco exausto da sua tamanha intervenção “comentária” na sociedade! Pois pergunto: Existe alguém que é conhecedor de tudo e de todos os temas que existem no mundo moderno? Acho muita conversa… muito logro!
    É a minha modesta opinião! Com todo o meritíssimo respeito que merece, claro!

    1. Não menosprezemos a capacidade regeneradora dos políticos, caro João. De qualquer político. Como escreveu o grande Eça, «nas nossas democracias a ânsia da maioria dos mortais é alcançar em sete linhas o louvor do jornal. Para se conquistarem essas sete linhas benditas, os homens praticam todas as acções – mesmo as boas.»

  5. Paulo Rangel, homem de cultura e inteligência acima da média, mas que na política não brilha. Ele adora a política, mas não sabe fazer política, é que para a política ou se tem dom, ou não se tem e ele não tem, por mais que tente não dá. Nuno Melo é daqueles que não cativa nada nem ninguém, a sua soberba e arrogância é tal que consegue afastar mesmo os mais crentes. Resta-lhe os militantes do CDS.

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