Já noite, em zonas residenciais e hora de repouso, barulho – buzinadelas ensurdecedoras e intermináveis – e gente pendurada aos cachos das janelas de automóveis, de aspecto histérico e agitando cachecóis e bandeiras. É apenas natural duvidar, para além do estado dos que se penduravam, agitavam e berravam, da aptidão para essa tarefa, naquelas concretas circunstâncias, de muitos daqueles que seguiam ao volante.
Suponho que buzinar nessas circunstâncias seja um ilícito, à luz do código da estrada. O mesmo se diga disso de andar pendurado, em discutível equilíbrio, na janela de um carro, agitando potenciais projécteis. Mas festejavam, parece, uma vitória num campeonato de futebol e essa mágica palavra – “futebol” – colocará quem a invoque acima e para lá da lei.
E parece que está muito bem assim.
Eu, que vinha de trabalhar e não de nenhum concílio ululante, mantive a opção de respeitar escrupulosamente os limites de velocidade, por trazer o cinto de segurança devidamente aplicado, por parar ao sinal vermelho e avançar cautelosamente ao verde, por usar os faróis em conformidade com os mandamentos do código da estrada, por respeitar a regra da prioridade.
Porque vindo de trabalhar e não ungido de uma cerimónia futeboleira – das quais (imprudente!) nem um acessório de vestes talares trazia comigo -, poderia sempre ser, prevaricando, presa fácil e sem perdão de um mais atento agente da autoridade (mas não vi, nesta noite, um só; estariam talvez em peso em torno do “templo”, orientando o escandaloso estacionamento selvagem que por lá se pratica, em dias como este, e protegendo os fiéis de si próprios; já que para o cidadão comum e os seus bens há, por norma, uma terrível escassez de homens e meios técnicos..). Mesmo que à minha volta – e causando-me (intolerável egoísta!) uma ou outra vez genuína preocupação pela minha segurança – se concretizassem repetidamente as mais bárbaras e impunes violações do código da estrada. Do código e dos mais elementares bom senso e prudência. Que nem deveriam precisar de consagração legal.
A propósito também do que se comemorará dentro de dias, talvez uma meditação sobre o “ópio do povo” e o “país dos três F” tivesse, quem sabe, actualidade. É que nunca – nunca – como agora foi assim.
BENFIIIICA!!!
Já noite, em zonas residenciais e hora de repouso, barulho – buzinadelas ensurdecedoras e intermináveis – e gente pendurada aos cachos das janelas de automóveis, de aspecto histérico e agitando cachecóis e bandeiras. É apenas natural duvidar, para além do estado dos que se penduravam, agitavam e berravam, da aptidão para essa tarefa, naquelas concretas circunstâncias, de muitos daqueles que seguiam ao volante.
Suponho que buzinar nessas circunstâncias seja um ilícito, à luz do código da estrada. O mesmo se diga disso de andar pendurado, em discutível equilíbrio, na janela de um carro, agitando potenciais projécteis. Mas festejavam, parece, uma vitória num campeonato de futebol e essa mágica palavra – “futebol” – colocará quem a invoque acima e para lá da lei.
E parece que está muito bem assim.
Eu, que vinha de trabalhar e não de nenhum concílio ululante, mantive a opção de respeitar escrupulosamente os limites de velocidade, por trazer o cinto de segurança devidamente aplicado, por parar ao sinal vermelho e avançar cautelosamente ao verde, por usar os faróis em conformidade com os mandamentos do código da estrada, por respeitar a regra da prioridade.
Porque vindo de trabalhar e não ungido de uma cerimónia futeboleira – das quais (imprudente!) nem um acessório de vestes talares trazia comigo -, poderia sempre ser, prevaricando, presa fácil e sem perdão de um mais atento agente da autoridade (mas não vi, nesta noite, um só; estariam talvez em peso em torno do “templo”, orientando o escandaloso estacionamento selvagem que por lá se pratica, em dias como este, e protegendo os fiéis de si próprios; já que para o cidadão comum e os seus bens há, por norma, uma terrível escassez de homens e meios técnicos..). Mesmo que à minha volta – e causando-me (intolerável egoísta!) uma ou outra vez genuína preocupação pela minha segurança – se concretizassem repetidamente as mais bárbaras e impunes violações do código da estrada. Do código e dos mais elementares bom senso e prudência. Que nem deveriam precisar de consagração legal.
A propósito também do que se comemorará dentro de dias, talvez uma meditação sobre o “ópio do povo” e o “país dos três F” tivesse, quem sabe, actualidade. É que nunca – nunca – como agora foi assim.
Costa
Parabéns Campeão!!!!! 😀
Lindo. Este título é para Eusébio e Coluna. CAMPEÕES!