Sem favores, sem palavras


Sérgio de Almeida Correia,

Nesta hora, de Newark a Macau, de Lisboa a Maputo, “Somos Eusébio“, “Somos Benfica“, e não nos arrependemos. 

 

 

4 comentários em “Sem favores, sem palavras”

  1. Já noite, em zonas residenciais e hora de repouso, barulho – buzinadelas ensurdecedoras e intermináveis – e gente pendurada aos cachos das janelas de automóveis, de aspecto histérico e agitando cachecóis e bandeiras. É apenas natural duvidar, para além do estado dos que se penduravam, agitavam e berravam, da aptidão para essa tarefa, naquelas concretas circunstâncias, de muitos daqueles que seguiam ao volante.

    Suponho que buzinar nessas circunstâncias seja um ilícito, à luz do código da estrada. O mesmo se diga disso de andar pendurado, em discutível equilíbrio, na janela de um carro, agitando potenciais projécteis. Mas festejavam, parece, uma vitória num campeonato de futebol e essa mágica palavra – “futebol” – colocará quem a invoque acima e para lá da lei.

    E parece que está muito bem assim.

    Eu, que vinha de trabalhar e não de nenhum concílio ululante, mantive a opção de respeitar escrupulosamente os limites de velocidade, por trazer o cinto de segurança devidamente aplicado, por parar ao sinal vermelho e avançar cautelosamente ao verde, por usar os faróis em conformidade com os mandamentos do código da estrada, por respeitar a regra da prioridade.

    Porque vindo de trabalhar e não ungido de uma cerimónia futeboleira – das quais (imprudente!) nem um acessório de vestes talares trazia comigo -, poderia sempre ser, prevaricando, presa fácil e sem perdão de um mais atento agente da autoridade (mas não vi, nesta noite, um só; estariam talvez em peso em torno do “templo”, orientando o escandaloso estacionamento selvagem que por lá se pratica, em dias como este, e protegendo os fiéis de si próprios; já que para o cidadão comum e os seus bens há, por norma, uma terrível escassez de homens e meios técnicos..). Mesmo que à minha volta – e causando-me (intolerável egoísta!) uma ou outra vez genuína preocupação pela minha segurança – se concretizassem repetidamente as mais bárbaras e impunes violações do código da estrada. Do código e dos mais elementares bom senso e prudência. Que nem deveriam precisar de consagração legal.

    A propósito também do que se comemorará dentro de dias, talvez uma meditação sobre o “ópio do povo” e o “país dos três F” tivesse, quem sabe, actualidade. É que nunca – nunca – como agora foi assim.

    Costa

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