Entre o céu e a terra. Sem saber para onde derivar o olhar, enquanto aguardava, senti as costas confortavelmente coladas, como quem prepara uma descolagem. Nesta terra, onde a noite nunca chega a ser noite, o cinzento não ficou azul. Porque a cor perder-se-ia no brilho dos néons que reflectem no céu as gotas que o iluminam. Mussorgsky passou depressa, e enquanto Pétrouchka preparava o caminho para a explosão, senti um frémito percorrer-me os músculos. Daniel Harding e a London Symphony Orchestra proporcionaram o reencontro. Entre o céu e a terra, ali, sozinho no meio do mundo, sentindo-a a meu lado, por momentos vagueei pela transcendência.
Transcendência
Sérgio de Almeida Correia,
