Tentei aqui em baixo ensair um breve rescaldo sobre as eleições de ontem, referindo-me exclusivamente ao PSD, Manuela Ferreira Leite, Paulo Rangel, Pacheco Pereira, Passos Coelho, PS, José Sócrates e Vital Moreira. Tentarei, agora, alargar-me a três outros patamares.
CDS-PP – Nuno Melo e (espantosamente) Paulo Portas deixaram cair a sigla PP à vista dos resultados da noite e optaram pela designação histórica do partido de Freitas do Amaral e de Amaro da Costa. Tiveram motivos para rejubilar (não sei se também para a lágrima do líder): conseguiram alcançar os dois eurodeputados, quando o número de eurodeputados nacionais baixou, e atingiram uma percentagem de que poucas sondagens se aproximaram. O problema é que cantam vitória enquanto são ultrapassados pela esquerda baixa. Mas Paulo Portas tem mais que fazer: quer regressar ao governo a qualquer preço e acaba de descobrir que também precisa de negociar com o PSD como supostamente já negociou com o PS.
BE – Os bloquistas passaram a contar com a adesão de algumas faixas da juventude, que nem sonham o que aquilo é. Seguramente, colheram também parte importante do descontentamento da esquerda socialista. Daí o seu sucesso eleitoral. Porém, reduzido agora o PS a números mais modestos, tenho por provável que o BE não consiga repetir este sucesso. Para já, a proeza não é tranquilizadora, pois ninguém sabe em rigor o que eles são (nem muitos deles, que nem se entendem): no meio daquela salada política que muitos confundem com "esquerda moderna e civilizada", esquece-se que ali não falta quem ainda cultive a luta armada. Será bom não perder isto de vista, para que não se percam um dia outras coisas.
PCP – Sempre a puxar um partido virtual pela mão e sem que se perceba por que ainda o faz, o PCP não cumpriu o papel mais importante que se esperava dele: servir de tampão ao crescimento dos bloquistas. Teve capacidade para obter uma percentagem que já nem devia ser possível, tantos anos passados sobre a queda do Muro, mas foi incapaz de travar o BE e isso é imperdoável. Espera-se que o faça nas legislativas, porque o BE não tem um eleitorado fidelizado e o PCP tem traquejo e uma máquina que devia estar mais bem oleada.
Enfim: em conjunto, os três constituem o "trilema" que se abriu para as próximas legislativas.

O ‘trilema’ é destes três partidos também.
O PCP não está disponível para se coligar com ninguém a não ser com o inexistente PEV, seu bebé proveta – será sempre de oposição até ao fim.
O BE está disponível para se aliar ao PS, mas precisa de ter cuidado com alguns dos seus, mais papistas que o Papa, dispostos a atirar-se para os braços socialistas, à semelhança do que fez o ‘Zé’ em Lisboa.
O CDS dá para os dois lados: tanto pode viabilizar um governo do PS como um governo do PSD. Já fez isso no passado, poderá voltar a fazer o mesmo no futuro. Tudo depende de quem precisar dele.
Realmente, qualquer um dos três tem o seu próprio ‘trilema’.
Não percebo o papel que você atribui ao PCP (como se você tivesse o direito de atribuir papeis aos partidos!) de impedir a progressão do BE.
Você acharia melhor que não houvesse BE e que o PCP tivesse 21% dos votos? Por que é que isso seria melhor? Quais seriam as vantagens para Portugal se, em vez de haver PCP e BE cada um com 10,5% dos votos, houvesse só PCP com 21% dos votos?
Eu diria que PCP e BE defendem causas diferentes e põem o acento tónico em coisas diferentes. Quem quer votar PCP vota, quem quer votar BE vota. Os votos não são permutáveis.
Sugiro-lhe que leia outra vez, Luís. Depois, procure entender. A seguir, medite. Em alternativa, descanse.
O João Carvalho manifesta uma repetitiva dificuldade em discutir com urbanidade e respeito pelo opositor. O que é pena e é, tal como já aqui fiz notar, uma exceção à generalidade dos comentários neste blogue.
O Luís parece ser o único queixoso. Já de si não pode dizer-se o mesmo. Diga-me: acha mesmo que, quando escrevo que o PCP devia «servir de tampão», eu estou a falar de um tampão mesmo e que se trata de um dever mesmo?
Não acha, pois não? Então por que razão me faz um interrogatório de seguida? Eu expus o que entendo; o Luís tem todo o espaço para expor o que lhe vai na alma. Quer melhor? Se for em sentido diferente ou contrário, cá estaremos para o debate. Mas nem sempre me apetece ser interrogado ou responder a inquéritos.
Estou bem disposto, Luís. Por isso, vou explicar-me melhor.
1. Temos pouco para discutir, porque ambos já estamos fartos de saber que raramento estamos próximos. Portanto, não entendo o seu espanto.
2. Não reivindiquei qualquer direito de atribuição de papéis aos partidos. O papel de um partido em eleições é ficar acima do(s) outro(s).
3. Eu acharia melhor que não houvesse BE, sim. Sou pouco dado a grupos de origens diversas e mal disfarçadas, onde pontue gente que ainda sonha com luta armada. É a minha opinião.
4. Não, não queria que o PCP tivesse sozinho os votos actuais nele e no BE. Nunca escrevi tal coisa e nem vejo como teria, porque os dois são adversários (como o Luís até assinala).
5. Preferia apenas que o BE ficasse abaixo do PCP, que foi o que escrevi e não entendo por que tenho de estar a repetir-me.
6. Acho inútil que tente contrariar-me a partir de elementos que me atribui e que são invenções totalmente alheias aos meus textos. O Luís é useiro e vezeiro nisso, mas torna-se cansativo.
Espero ter-me feito entender, desta vez.