Os resultados das europeias, embora possam ser interpretados como um sinal para as legislativas, não são suficientemente claros para fazer previsões. A vitória será um bom incentivo para o PSD mas não significa uma viragem.
Em primeiro lugar, não me parece que o PSD possa alcançar a maioria absoluta, mesmo coligado com o CDS/PP. Depois, não penso que uma vitória do PSD seja razão para deitar foguetes. É bom não esquecer que foi MFL quem começou a perseguição aos professores e aos funcionários públicos, que Sócrates depois erigiu como bandeira do seu governo. Foi também MFL quem alterou as regras da reforma e só não foi mais longe porque entretanto Durão Barroso fugiu para o seu exílio dourado em Bruxelas.
Logo, uma vitória do PSD significa a continuação da perseguição aos professores e funcionários públicos e, muito provavelmente, o agravamento das penalizações das reformas.
Se o PSD não conseguir maioria absoluta (sozinho ou em coligação com o CDS-PP) o problema será ainda mais intrincado e, o mais provável é que o país fique ingovernável. Se o Bloco Central já era uma hipótese remota, depois dos resultados das europeias praticamente deixou de ser uma possibilidade viável.
Se o BE e a CDU aguentarem as suas expressivas votações (o que em relação ao BE me parece pouco provável…) terão também uma palavra a dizer na formação de um futuro governo. Principalmente, se o vencedor for o PS – que perdeu qualquer hipótese de alcançar uma maioria absoluta.
A grande ilação a tirar dos resultados das europeias é que poderemos estar a caminho de um beco sem saída que, muito provavelmente, irá retardar a nossa saída da crise. Essas são as dúvidas de uma noite eleitoral em que o povo português, apesar da elevada abstenção, mostrou claramente não desejar a renovação de uma maioria absoluta. Seria até uma boa notícia, não se desse o caso de as forças políticas portuguesas não darem sinais de se entenderem.
Hoje, porém, talvez Manuel Alegre tenha razões para sorrir. Uma vitória do PSD, ou um impasse na formação de um governo, aumentam as suas esperanças de ganhar as eleições presidenciais de 2011.

O Alegre duvido que sorria. O tapete vermelho estendido pela CS acabou, desde que o senhor declarou não cortar com o PS.
Quem venceu na Dinamarca? 🙂