Política e futebol


Pedro Correia,

Perdoem-me a aparente imodéstia, mas julgo valer a pena deixar o registo para memória futura: este meu postal figura entre os mais comentados, ao longo de todo o ano de 2013, entre os blogues inscritos na plataforma Sapo. É o que acontece quando se mistura política e futebol: as emoções tornam-se mais fortes e surgem logo à flor da pele.

4 comentários em “Política e futebol”

  1. Em primeiro lugar sou um benfiquista convicto (sou sócio de outro clube, mas para o caso não interessa). Em segundo não vivi a época.

    Juntando ao que conheço de então, o que acho da afirmação do Coluna? Porventura estaria na mente de Salazar o sucesso europeu e internacional do Benfica e a repercussão na imagem do país, no contexto concreto dos anos 60, com a guerra colonial e as mudanças de posicionamento político de alguns países. E digamos que a nível nacional também daria o seu jeito. Obviamente que o Benfica saiu beneficiado, pois conseguiu manter as suas pérolas. Mas é mais fruto da circunstância do que objectivo directo e político do Estado Novo em beneficiar o Benfica por puro clubismo. Se o Sporting tem sido campeão europeu, não tenho dúvidas que Salazar teria política semelhante. Para se poder afirmar que o Benfica era o clube do regime teria de se estudar todo o período do Estado Novo. Ora, é evidente que não foi.
    Se é certo que o regime exerceu o seu poder para alterar aspectos relacionados com o clube (como a alcunha ou o hino), mesmo se passou noutros. Aliás, quanto a esse ponto, o Benfica foi o único clube a ter um presidente comunista durante o Estado Novo.

    O título do post não está errado (em termos jornalísticos é até muito bom), mas se fosse uma notícia teria de ser bem contextualizado, para percebermos qual era o alcance desse poder sobre o clube e o que ele significou para o apogeu do Benfica a partir de 62. Que ele [o poder] é fruto do sucesso europeu do Benfica e que teve por objectivo manter esses jogadores em Portugal (e no Benfica) para prolongar esse sucesso, porque era também o sucesso da nação. Se esse apogeu teria existido sem esta intervenção do regime para impedir a saída dos melhores jogadores? Não sabemos, mas que as condições seriam muito mais difíceis lá isso seriam. Certamente o Sporting teria ganho mais campeonatos do que aqueles que ganhou nas décadas de 1960 e 1970 e o Benfica não teria ido a mais três finais europeias.

    1. Não discordo de si no essencial, Miguel. Na altura o assunto motivou uma larga polémica na caixa de comentários do blogue És a nossa Fé a que fui respondendo meticulosamente, como aliás gosto de fazer. Reli há pouco essa troca de argumentos e acho que valeu a pena. Se tiver paciência sugiro-lhe que passe por lá.

  2. Li pouco depois, não tudo, mas quase. Do que me foi possível observar, o caminho percorrido aponta no essencial para a direcção do meu comentário. Só gostaria de acrescentar duas coisas. (1) Muito se poderia dizer da relação entre política e futebol, só tenho pena que em ambos os casos as diferenças existentes (quase sempre as não saudáveis) incompatibilizem a união pela promoção do bem comum. (2) Apesar de beneficiado pela intervenção política do regime, ninguém poder tirar mérito ao Benfica. O Benfica dominou o futebol português de 1959 a 1977, da mesma forma que o Sporting fez de 1946 a 1954, simplesmente porque tinha os melhores jogadores, algo que o Benfica manteve na geração seguinte à de Coluna. O Porto desde 1985 é o que é, mesmo com as histórias dos apitos, a verdade é que teve quase sempre mais competência nos plantéis e já vai na 3ª geração!

    Em jeito de profecia, faço o seguinte remate final.
    Tenho a convicção de que iremos assistir a um novo ciclo. Nos próximos anos a coisa será mais renhida, ficaria muito espantado se até 2017 Benfica e Sporting não ganhassem o título, pelo menos uma vez. Veremos quem sairá mais forte depois. Talvez aquele que conseguir gerir melhor as suas pérolas… Ah! Só não aposto no Sporting para este ano, porque ainda não mostrou competência frente ao Porto ou Benfica, isto apesar de ser, de momento, quem melhor joga em Portugal. Veremos amanhã. Por enquanto o suspeito é o do costume.

    Neste contexto, eu se fosse sportinguista perguntaria a mim mesmo: o que seria deste clube, hoje, se Godinho Lopes ainda fosse Presidente? Tive desses pesadelos com Vale e Azevedo.

    Boas entradas.

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