O comentário da semana


Pedro Correia,

«Sempre que se coloca a definição dos méritos de um ou outros sistema político em função da liberdade penso que é útil recuperar os dois conceitos de liberdade de Isaiah Berlin. Ele define liberdade negativa, “freedom from”, e liberdade positiva “freedom to”. Assim, a liberdade negativa é aquela definida pela ausência de coerção, ninguém obriga ninguém a nada, e a liberdade positiva é a presença de capacidades (adicionando aqui o conceito definido por Amartya Sen). Isto de forma simplista, e segundo percebi.

As pessoas como o comentador Lucky tendem a definir a Liberdade em termos estritamente negativos: ausência de leis, e normalmente escolhem ignorar as consequências disso numa sociedade real, em que os que por uma razão ou outra (história, sorte, herança, mérito etc) atingem uma posição dominante, e por ausência de leis que os impeçam, exercem esse domínio sobre os outros, cerceando a sua liberdade. Exemplos disso abundam em nosso redor, mesmo com as leis que temos.

Já a ideia de liberdade positiva parece-me muito mais construtiva.
Não adianta ser livre se se vai morrer de fome amanhã, se nunca se aprendeu o suficiente para garantir o sustento próprio, se formos incapazes de superar uma deficiência física ou outra que nos assola desde o nascimento.
Por isso um entendimento da liberdade enquanto capacidade para fazer coisas leva-nos a que uma sociedade que maximize a liberdade seja necessariamente solidária e mais equalitária, palavras feias para muita gente.»

 

Do nosso leitor L. Rodrigues. A propósito deste texto do João André.

8 comentários em “O comentário da semana”

  1. Para começar não existem liberdades positivas, essa expressão, é mais uma do newspeak socializante..

    Liberdade é poder dizer Não.
    Não, é a palavra da Liberdade.
    Não ser escravo, Não ser violado, Não ser obrigado.

    A Palavra Sim, “Positiva” é a que todos os Poderes querem ouvir.

    Não tenho nada contra que L.Rodrigues se associe com quem concorde.
    Pelo contrário, o que defendo é precisamente isso.
    Quem é social democrata deve poder ser social democrata. Se associe com quem quer as benesses, responsabilidades de ser Social Democrata.
    Um Comunista deve poder criar a sua Comuna com outros Comunistas.
    E seguirem o que defendem.
    Um Fascista idem…

    Ninguém têm é o direito de obrigar quem não o é.

    No deve daquilo que L. Rodrigues e autor do post defende temos o Comunismo, Fascismo, o Nazismo, a Escravatura e centenas de milhões de pessoas que não puderam dizer Não.
    Resultado precisamente do desejo de controlar o outro.
    De imporem o que acham certo ao outro.
    De se só poder dizer Sim e aceitar a sorte definida pela maioria ou minoria do momento.
    Sempre pela força das armas, algo que nenhum socialista ou social democrata abdica para poder controlar os outros.

    No deve não nos devemos ainda esquecer do Holodomor Intelectual resultado da Escola Única dita Publica. Uma engenharia social totalitária feita precisamente para prejudicar as crianças inteligentes e ou crianças com vontade ou inclinação para fazer outras coisas, sacrificando-as ao altar da igualdade e do caminho único.
    É só mais um entre muitos dos crimes dos socialismo contra a liberdade.

    1. Diga-me lá camarada lucky, tem isso escrito num ficheiro de word e faz só copy-paste, não é? E depois ri-se às gargalhadas quando nos vê perder tempo a explicar porque razão (pelo menos) a maioria desses pontos não fazem qualquer sentido para cabecinhas sãs. É a única explicação…

      1. Não me admira nada vindo de alguém de Esquerda por em causa a cabeça dos outros. É típico da cultura de extraordinário poder que se arroga a Esquerda.

        Eu não tenho problema nenhum que o João André faça o socialismo que deseja com quem quer, tenho problema é que o João André me obrigue a ser socialista como ele.
        A cabeça do João André não tem problema algum em obrigar os outros.

        1. Pobre do lucky que está a ser obrigado a ser aquilo que não quer. Isso é chato. Eu também quero poder conduzir a 200 à hora na Avenida da Liberdade mas não me deixam, raio de esquerdistas. Se fossem todos da direita do lucky já estava tudo bem, não é verdade? Ou esta mania de eu ter de aprender a ler e escrever. E se eu não quiser? E se eu quiser defender o meu direito a ser ignorante, não posso? Deveria processar o estado, esquerdalhos do diabo. O chato é que isso significa que eu teria de seguir regras, e eu quero é um apedrejamento público dos responsáveis. Só por causa de serem todos uns comunistas é que eu não posso. Valha-me o mundo do lucky, livre de comunas (que podem escolher sê-lo noutro lado, o chato é se o quiserem ser no mesmo espaço físico que o lucky).

          Caro lucky: uma liberdade vou-lhe já garantir, independentemente de eu ser de esquerda. Não ter que me ler. Ninguém o obriga, pode ignorar-me. Porque razão o faz? Melhor, porque razão é que se vê na obrigação de escrever as barbaridades acima?

  2. Eu ainda não consegui “arrancar” de nenhum liberal (ou libertário, para o caso) a sua justificação para o direito à propriedade privada. É que não vejo maior limite à liberdade “negativa” individual do que a propriedade privada. Ao aceitarmos essa limitação, todo o edificação “liberal” (notem as aspas) cai por terra. Em bom português, é tudo treta.

    O ser humano, queira-se ou não, é um ser social, com organização social (até por instinto de sobrevivência). A ideia do chamado “direito natural” é absolutamente artificial. No fundo, seja Liberalismo (sem aspas) ou Socialismo ou outro “ismo” qualquer, estamos sempre a falar de gradações e limites às liberdades individuais. O que varia é o grau e o tipo de liberdades restringidas.

    1. “Eu ainda não consegui “arrancar” de nenhum liberal (ou libertário, para o caso) a sua justificação para o direito à propriedade privada. “

      É a mesma razão porque a escravatura é uma violação da liberdade individual, porque é da liberdade poder fazer contratos, troca, usufruir daquilo que se criou.

      “No fundo, seja Liberalismo (sem aspas) ou Socialismo ou outro “ismo” qualquer, estamos sempre a falar de gradações e limites às liberdades individuais. O que varia é o grau e o tipo de liberdades restringidas.”

      Não é uma mera gradação porque há diferenças de qualidade não só de grau.

      A grande diferença é o que obrigamos ou não a outra pessoa.

      O direito de uma mulher, homem dizer Não a sexo tem muito mais qualidade do que um socialista direito ao sexo.
      O direito ao sexo implica obrigar outro a fazê-lo. Obriga. Dizer Não, não obriga.

      A pessoa que diz “Não” tem um direito superior ao do Individuo, Grupo, Partido, Sindicato, Empresa, País que quer que essa pessoa diga “Sim”.

      O resto é bullying, muitas vezes aceite pelas vítimas e escrito na Constituição.
      Tal como a escravatura foi aceite durante milhares de anos também chegará o tempo em que as imposições das maiorias ou minorias não o serão.
      Objecção de Consciência chegará a mais e mais áreas da vida humana. A cada ano que passa os crescentes contornos totalitários das Democracias ao quererem controlar mais e mais aspectos da vida humana asseguram que chegará um dia em que mais pessoas vão questionar, apesar dos esforços de propaganda.

    2. O que faz falta é animar a malta.
      Embranham-se tanto nos livros de ciências do sobrenatural a tal ponto que acabam acreditando que os semelhantes ficam-se por isso, por semelhanças, e nas diferenças alimentam a crença de que são mais do que os outros, como se as suas palavras fossem as de Deus. Mas a verdade é nua e crua e muitas vezes difícil de encarar.
      Devo dizer que comparativamente aos testos que por aqui testemunham sou um iletrado que mal sabe colocar os símbolos do alfabeto pela ordem estabelecida, mas nem por isso me sinto incapaz de perceber que todo o cérebro pensa apenas para transformar vaidade em gloria, numa tentativa desesperada de negar a condição a que esta preso.
      Não temam a Deus e continuem atafulhados na vossa sabedoria que vão ver o que ela tem para vos mostrar.

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