O poder dos símbolos, ou o verdadeiro traumatismo (u)craniano


Ana Vidal,

Kiev, ontem. A notícia aqui

27 comentários em “O poder dos símbolos, ou o verdadeiro traumatismo (u)craniano”

    1. Eu vou ainda mais longe, Trabant: é impressionante a importância que as pessoas dão aos símbolos, ainda hoje. Derrubar estátuas é bem a prova disso.

  1. Sabe, eu tive o privilégio de conhecer Lenin pessoalmente, alguns ( bastantes) anos depois dele ter morrido. Recordo com ironia todo aquele ritual a que nos obrigavam para entrar no mausoléu. Estive em Moscovo em 1990 e tenho recordações inolvidáveis. Se regressasse um dia às ex USSR, iria direitinha a St. Petersburg… maravilha !
    Resto de boa 2ª Feira.

      1. A brincar, a brincar…uma vez visitei um veleiro russo proveniente da cidade dos czares, e quando perguntei: “ah, vieram de S. Petersburgo”, um marinheiro fuzilou-me com o olhar (um daqueles que só os russos conseguem) e disse secamente: “Leningrad!”

      2. Viva Atalaia.

        Eu conheci Leningrad, como é óbvio. O mais engraçado é que os habitantes viviam em culto permanente a Pedro o Grande… grande ironia.
        Adorei.
        Até o cemitério memorial da II grande guerra e o museu foram marcantes, ao contrário do rigor e opulência de fachada que se via por toda a Moscovo- Muito mais pobre, creia. Vi PEDINTES no Gorky Park !!!!!!
        St. Petersburg está na minha bucket list.
        Saudações cordiais !

    1. Não conheço Moscovo, mas tenho pena. Não quero desiludi-la, Dulce, mas parece-me que quem conheceu pessoalmente foi uma figura de cera…
      Boa semana para si também. 🙂

      1. Querida Ana. Excepto os senhores do SITAVA que acompanhavam o grupo, creio que não havia ninguém que não estivesse ciente da verdade acerca do Senhor Deitado. Apesar de já se viver na era Gorbachev, que tive a oportunidade de ver- este em carne e osso- muito ao longe no camarote presidencial do Bolshoi, a nossa entourage menos esclarecida( e mais velha também) via KGBs em cada esquina. Foi divertido, embebedávamos- nos com vodka logo de manhã, passámos fome em hotéis esplendorosos que eram só fachada , comíamos caviar á colher do tamanho de pequenos berlindes… Café só em sonhos… Enfim, nunca mais lá voltei, ao país de faz de conta, onde todas as maravilhas eram só fachada…

  2. Se o Ti Cunhal tivesse saído vencedor do ido ’25 de Novembro’, tenho cá para mim que a estátua do Marques de Pombal teria dado lugar a uma outra de Lenine e, como agora fizeram os ucranianos, que os lusos acabariam por fazer também o mesmo.
    Todos os ditadores, mais tarde ou mais cedo, têm o destino traçado. Ponto.

  3. Na política quando se é extremista, ou se é amado, ou se é odiado. Foi idolatrado, durante anos, chegou a hora do ódio.

      1. Lá está: tal como os souvenirs de Marx em Trier, também Lenine origina movimentos capitalistas. é por isso que com todos os seus defeitos, o capitalismo acaba sempre por suplantar o comunismo.

        A verdade é que basta andar pelos comentérios de jornais e ver a fúria com que os comunistas ficaram perante os manifestantes, a quem chamam de “fantoches do imperialismo”.

  4. Como na línguas eslavas “u” (seja na versão latina ou cirílica) é normalmente a preposição “em”, até fica bem. “Traumatismo (no) craniano” ou “traumatismo no crânio” ;).

    Aliás, o próprio nome da Ucrânia implica isso mesmo: na versão russa significará algo como “na fronteira” e de acordo com algumas divergentes e mais recentes versões ucranianas significará “na terra”, como que querendo dizer “nossa terra”.

    1. Obrigada pelo douto contributo, João André. Não conhecia a etimologia da palavra Ucrânia. E vem muito a propósito, até porque “na terra”, e com alguma violência, foi onde foi parar o crânio do pobre Lenine. 😉

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