A prova dos docentes


Rui Rocha,

Peço desculpa, mas até este momento não ouvi um único argumento válido contra a prova de avaliação dos docentes. E, antes de mais, devo esclarecer que em meu entender Portugal precisa de uma escola pública de qualidade. Só quem vive fora da realidade pode desconhecer o papel determinante que a escola pública tem no tecido social português. Em Portugal, a escola pública é, para além do mais, o suporte básico de vida de largos milhares de crianças e jovens. Só a escola pública lhes permite aspirar a uma vida diferente, só a escola lhes permite escapar a uma condenação de miséria. Tantas vezes, só a escola pública lhes permite comer. Acrescento que, mesmo num contexto de extrema dificuldade como o que vivemos, algumas medidas do presente governo são absolutamente criminosas. É evidente que mais do que 22 a 24 alunos por turma é uma enormidade que só com agudo sentido de hipocrisia Nuno Crato pode defender. E mais. Num país em bancarrota, é incompreensível que continue a existir dinheiro para uma frota automóvel pública colossal e que, em contrapartida, a falta de recursos seja invocada para justificar a existência de mais de 30 alunos por turma. Não é demagogia da minha parte. São opções da parte de quem as toma. Isto dito, regresso ao princípio. Não colhe o argumento de que a existência da prova descredibiliza as entidades formadoras. Muitas dessas entidades estão há muito descredibilizadas e a si próprias o devem. E, infelizmente, isso não sucede apenas relativamente às Escolas Superiores de Educação. Há muitas outras instituições que formam professores que não reúnem os requisitos mínimos para o fazer. Só a cegueira ideológica, o oportunismo político ou o corporativismo mais básico podem fazer calar esta evidência que se comenta e demonstra nas mais diversas salas de aula por esse país fora. Por outro lado, também não colhe o argumento de que a frequência de um curso com especialização em ensino torna a prova uma redundância. Vejamos. A conclusão de uma licenciatura em Economia atesta um determinado nível de conhecimentos. Mas, ninguém se escandaliza se, para preencher uma vaga numa empresa privada, esta submeter os candidatos a diversos testes e provas que avaliem o raciocínio numérico, verbal, diagramático e outras competências de um candidato. E não é o facto de a empresa escolher o candidato formado na Faculdade A em detrimento do licenciado pela Faculdade B que, só por si, retira credibilidade formadora a esta última. Pode-se discutir a natureza da prova. Mas reconheça-se que qualquer outra alternativa encerraria um nível de subjectividade bem superior (entrevistas, testes, dinâmicas de grupo?) do que uma prova de conhecimentos gerais e específicos corrigida de acordo com critérios objectivos. O sistema de ensino público deve viver para os alunos e com os professores, mas não pode estar ao serviço destes últimos. Independentemente das considerações que se possam fazer, o certo é que o sistema não está a absorver cerca de 50.000 professores anualmente. Se assim é, o fundamental é garantir o acesso dos mais preparados. A prova constitui uma garantia adicional de que será assim.  Aliás, o interesse dos alunos exigiria, levado às últimas consequências, que a prova fosse aplicada não só aos professores contratados, mas também aos do quadro. Para um país com recursos tão escassos como Portugal, é tão grave ter turmas sobredimensionadas como professores impreparados.

44 comentários em “A prova dos docentes”

  1. Por outro lado parece-me um esforço inútil estar constantemente a fazer provas sobre a capacidade dos professores darem aulas. Na realidade cada aula é uma prova para um professor, em que está a ser avaliado pelos seus alunos. À primeira vista existem profissões em que as pessoas são menos postas à prova. Estou-me a lembrar, por exemplo, dos economistas que falham pipas de previsões e o melhor que consseguem dizer é que ficaram surpreendidos. Porque não fazer exames todos os anos aos economistas?

    1. Percebo o ponto. Não me parece que a periodicidade da prova para os professores do quadro devesse ser anual. Ciclos de 5 anos, com possibilidade de os que não ficassem aprovados fazerem uma 2ª época para evitar injustiças devido a azares ou indisposições seria razoável. Note ainda que comparar professores e economistas me parece uma maldade. No texto fi-lo mas para defender que devido à sua importância os professores devem ser seleccionados de forma tão ou mais rigorosa que os economistas. No mais, os economistas só devem ser comparados aos meteorologistas. Se não chover.

  2. Caro Rui, realmente o que mais me impressiona é o facto de se submeter a exame apenas os contratados, pois existem ainda muitos professores (conheço alguns) que estão praticamente no topo de carreira com apenas o curso antigo das Escolas Técnicas (vulgo Industriais), ou seja, com o 5º ano antigo, a leccionarem TICs e outras técnicas laborais, sem sequer lhes ter sido obrigatório a frequência de um bacharelato ou curso de pós-graduação. Já não pretendo falar de professores com “cursos não docentes” e que optaram pela via do ensino exº engenheiros, economistas, arquitectos, etc ). Não significa que sejam maus docentes, no entanto acho errado advogados exercerem medicina e vice versa, médicos exercerem advocacia. E por aí fora. E a má qualidade dos professores de Matemática e Português, fabricados nas milhentas de ESES , que tiravam lugares a licenciados (hoje muitos no desemprego) com cursos de clássicas ou matemática via ensino. Depois querem bom português transmitido por milhares de professores que nunca viram latim nem grego à sua frente; assim como bons professores de matemática em detrimento de “professorecos” que estudaram “teatrinho”, música e matemártica elementar em ESES de má reputação.
    Quanto ao número de alunos por turma e carros públicos (pagos por nós)…totalmente de acordo

    1. O sistema de ensino é de facto demasiado importante para que os professores do quadro façam 30 ou 40 anos de carreira sem nenhum tipo de avaliação séria ou prova de demonstração de competências.

  3. Um comentador anterior , que habitualmente gosto (gostava …) de ler aqui e noutros sítios , perdeu-se algures , no mínimo dos mínimos .
    Meter no mesmo saco alguns poucos economistas que fazem previsões que nos afectam a todos com as dezenas de milhar de economistas que trabalham nos mais diversos ramos de actividade e contribuem decisivamente para a criação de riqueza neste país é de difícil classificação , nem me atrevo a ír mais longe .
    E eu nem sou economista !

    Desconhece porventura que cada dia de trabalho é uma prova para qualquer profissional que seja de qualquer ramo , na maioria dos casos sujeito à apreciação de quem lhe garante o ganha-pão e não de quem se limita a comentar que o “Prof” é ou não bué da fixe ?
    Está tudo apanhado , que diabo !

    1. rmg:
      Deixei de ler o que escreve.
      Já que se interessa em informar se lê ou não os outros, fica aqui para as suas estatísticas.

      No entanto, por azar, calhei a ler este manifesto de desprezo a uma profissão, que certamente foi fundamental na sua formação. Não sei que professores teve, eu tive alguns melhores que outros… mas nunca me passava pela cabeça culpá-los das suas falhas. A época era outra, e os alunos culpavam-se a si quando não percebiam, e não aos professores porque “não explicavam bem”.

      Eles ensinavam o que sabiam, e o que se sabe não é sujeito a avaliação constante, é sujeito a avaliação prévia. Se há mudanças programáticas, pois que haja acções de formação a sério, e não simples convívios patrocinados.

      Agora, o Estado licenciou muita gente, e isso implica atribuir uma licença. Querer revogar essa licença, exigindo prova suplementar, é uma mudança de regras.
      As provas das Ordem dos Advogados, da Ordem dos Engenheiros, etc… vão passar a ser feitas pelo Estado?
      Não? Porquê?

      As perguntas, são meramente retóricas, pois já entendi que não me entende.
      Cumprimentos.

      1. “Da Maia” , muito bom dia para si

        Agradeço a atenção que me deu , mesmo de má vontade e a título excepcional.
        Mas não tenho estatísticas nem guardo rancores por mais de 2 a 3 horas pelo que os desabafos valem o que valem (o “gostava …” referia-se óbviamente àquele comentário específico).

        Não o entendi como também não me entendeu mas também me parece que o “da Maia” não está interessado em que o entendam nem em entender os outros (já não será a 1ª vez que temos esta conversa mas já nem imagino por que razão terá sido a anterior) .
        Basta classificar as minhas afirmações como “de desprezo a uma profissão” para confirmar que dispara antes e pergunta depois .

        Pois eu digo-lhe que professores tive : muito bons , bons , assim-assim , maus , muito maus , a habitual curva de Gauss de todas as profissões do mundo , mais inclinada para cá ou para lá , tinha “épocas” .
        E como não me considero mais ou menos burro que qualquer outro , pois também lhe digo que a mim me passava pela cabeça culpá-los das falhas ou elogiá-los pela capacidade .

        Mas também não sei qual era a “sua época” e onde estudou , é um facto , como V. não sabe qual era a “minha época” e onde estudei .
        E as “épocas” foram várias nos últimos 60 anos e eu atravessei-as todas , como verá a seguir .

        Por isso digo-lhe que cresci em Lisboa , entrei para a 1ª classe em 1952 e saí licenciado do IST em 1970 , tive uma carreira profissional sempre na indústria (muito) pesada sem estar sentado num gabinete e dei aulas como professor convidado numa instituição universitária durante algum (pouco) tempo.
        Portanto tive muitos professores e eu próprio fui um , mais até junto dos jovens engenheiros que íam entrando do que nas salas de aula .

        Tenho 3 filhos com mais de 40 anos cujos estudos óbviamente acompanhei com muita atenção e agora uma caterva de netos adolescentes no liceu (um dos quais vive comigo devido a azares da vida) , de um modo geral todos eles razoáveis alunos .
        Isto para concluír que não falo por falar , se alguém enfiar o “barrete” paciência , não sou um teórico destas andanças pois há mais de 60 anos que eu , os filhos ou os netos “andamos” na escola , no liceu ou na universidade .
        E estou rodeado de amigos e conhecidos em idênticas circunstâncias , é a sina de quem tem filhos e depois netos a crescer o estar sempre atento e preocupado com estes assuntos , do ponto de vista do “utilizador” (digamos assim).

        Admito assim que diga asneiras mas não tenho uma visão do mundo em que os meus professores ao longo de tantos anos eram uns coitadinhos que “ensinavam o que sabiam” , porque acontece que isso não é de todo verdade e , isso sim , não me parece mesmo nada respeitador do enorme esforço que toda a vida fizeram para se actualizar com os parcos meios técnicos , humanos e financeiros de que dispunham ao tempo .

        Desejo-lhe assim uma vida feliz

        PS – Um dos meu avôs foi professor de pintura mas não tinha as ideias políticas adequadas aos anos 40 , foi “corrido” do ensino e morreu quase na miséria .
        Desculpe o àparte .

        1. rmg:
          Gostei bastante da sua crítica do “dispara antes e pergunta depois”… que aceito como crítica pertinente. No entanto, não “disparo” sem razão, e ao remeter a docência para um “à parte” jocoso do “Prof. bué da fixe”, não estaria por certo a respeitar da melhor forma uma profissão que exigirá grande paciência com dois “clientes” – pais e alunos, e com um “patrão” que enviará ordens desconexas/ absurdas – o Ministério.

          A minha crítica aos professores é justamente o não procurarem saber mais… não acontecia com todos, mas com uma boa maioria, até no ensino superior. No ensino superior, porque estavam preocupados com a sua investigação e não aprofundavam a origem do que ensinavam, no outro ensino porque envolviam-se mais com pedagogias do que com a matéria de ensino. O meu ensino é dos anos 70/80, mas como não sou de Lisboa, talvez a perspectiva menos reivindicativa estivesse mais implantada na “província”.

          Quanto ao resto, folgo em saber que não “guarda rancores”, ainda que os profira de forma definitiva (no meu caso)… e quanto mais não seja, servirá de informação aos outros comentadores. Aceito perfeitamente que não me entendam, mas a acusação de não procurar ser entendido pode ser pertinente pela forma (do “disparo”), mas não creio que seja pelo conteúdo.

          Cumprimentos.

          1. “A minha crítica aos professores é justamente o não procurarem saber mais…”

            Você tem um sistema de Ensino Publico Totalitário que pune a diferença devido à sua ideologia que professa e quer que os professores queiram saber mais!?
            Quando o sistema para ser igualitário tirou liberdade aos professores…

            Seria Hilariante se não fosse Trágico.

            Querer saber mais quer dizer liberdade de ser diferente. A inovação, o saber nasce da possibilidade de ser diferente. Saber mais é ser diferente porque há muitos que não querem saber.

            O Ensino Publico Totalitário que temos – Totalitário porque impede, proíbe e se necessário pela força das armas que exista outro- existe para a igualdade não para a diferença.
            Se os alunos sabem muito ou pouco não interessa até ao momento em que a colecta de impostos começa a baixar e o sistema ameaça implodir.

            Aí já será preciso que o Ensino Publico Totalitário crie pagadores de impostos:
            http://www.ionline.pt/artigos/portugal/pires-lima-quer-empreendedorismo-disciplina-ensino-obrigatorio

          2. LL:
            … desculpe ter-lhe tirado a deixa liberal, mas já a tinha invocado em comentários seguintes, dizendo até que este “Ministério da Avaliação” parecia reminiscência de costela UDP do ministro, pela sistemática intromissão do Estado Central.

            No entanto, já que aparece, devo notar que uma sociedade seria disfuncional se não houvesse ponto comum de aprendizagem. Há necessidade de cultura comum mínima, para que nos entendamos minimamente. Coisa diferente é pretender dar estatuto de cartilha ao que é ensinado, como se estivessem a programar cidadãos como peças de uma máquina, com o pretexto da ciência coxa do utilitarismo.

            Por isso, não se esforce por discordar… neste caso não teve sorte, luck, lucky.

          3. “da Maia” , uma boa tarde para si

            Li-o , claro e relevo o seu sentido de humor ao aceitar aquele meu àparte .
            Umas das vantagens de estar reformado , dormir 6 horas por noite e nunca (mas nunca mesmo !) ver televisão permite-me ter o mais precioso dos bens : TEMPO.
            Até ver , claro , a partir de certa idade as probabilidades alteram-se sem pré-aviso estatístico que nos valha .

            Portanto respondo-lhe com calma .
            O “bué da fixe” não é meu , é dos meus netos e dos colegas todos deles , como já foi dos meus filhos e dos colegas todos deles (não era “bué” na altura) e terá sido meu e dos meus colegas todos (acho que no meu tempo era “porreiro” que se dizía).
            Levar isso para um “desprezo com a profissão” só pode ser possível quando não se tem ainda netos e já se esqueceu os filhos e nem de nós próprios nos lembramos enquanto adolescentes .
            A vida é difícil e por vezes torna-nos amargos mas a memória não se pode perder.

            Há-de reparar que não me pronunciei sobre o conteúdo do post .
            Limitei-me a comentar uma comparação que achei infeliz do “j.j.amarante”, cujo blog “Imagens com Texto” (passe a publicidade , ele me desculpará) está nos meus favoritos há 3 anos porque não o tinha descoberto antes …

            Talvez por não esperar aquela comparação terei reagido mal , não sei , cada vez mais me limito aqui a só mandar umas bocas sobre música ao Pedro Correia , incansável divulgador (como já lhe disse isto a ele , isto não é graxa por tabela).

            Não percebo a sua argumentação .
            Qualquer pessoa que tenha trabalhado onde quer que seja na vida e em funções não meramente burocráticas sabe que TODAS as profissões exigem muita paciência para com os clientes ou os utentes e estão sujeitas às variações de humores e de amores dos respectivos patrões (nuns o patrão é um privado qualquer e noutros o patrão é o Estado através dos seus vários organismos) .
            Com a agravante em muitos casos da insatisfação (justificada ou não) dos clientes dar cabo do sustento dos ditos profissionais .

            Tudo o que diz sobre alguma falta de exigência pessoal colhe o meu apoio e também isso tudo que diz é válido em qualquer profissão , só que se criou uma espécie de “mito” que não está a ajudar nada nem ninguém e acaba invariàvelmente em desconversa : há profissões em que por uma razão ou por outra não se pode criticar sem ser apodado de “feito com o governo” (qualquer governo) , “ao serviço de interesses inconfessáveis” (os interesses dos outros são-no sempre) , os campos extremam-se e quem se devia unir a evitar barbaridades acaba a defender capelinhas , dar o braço a torcer não é para todos.

            Quanto ao espírito que se vivia fora de Lisboa nestas matérias devo-lhe dizer que tem alguma razão pois diferia muito nessa época , hoje já nem tanto .
            Acontece que não havendo indústria que se veja no Parque Eduardo VII ou nas Avenidas Novas (o que sempre lamentei !) acabei por passar 20 anos a trabalhar em 4 distritos diferentes e a viver em pequenas sedes de concelho desde o interior norte ao Alentejo mais ou menos profundo e o espírito era de facto outro .
            No ensino superior estou tanto mais de acordo consigo que até foi por isso que resolvi não continuar : para quem vem “da fábrica” o confronto com os que vivem “no laboratório” não era pacífico , para os dois lados .

            Quanto ao último parágrafo tem uma certa razão .
            Mas o facto é que , não vendo caras nem ouvindo entoações , ficam os “disparos” , sejam meus ou sejam seus .
            E tenha lá paciência (só desta vez) mas quem disparou primeiro foi Você .
            Eu tinha disparado mas nem sabia que V. estava aí !

            Como eu costumo dizer “Quantas pessoas se insultam na net e se adorariam se estivessem cara-a-cara e quantos pessoas se adoram na net e se insultariam se estivessem cara-a-cara” .
            São as vantagens das desvantagens ou então as desvantagens das vantagens , como diría o famoso Prof. Ilharco do IST , em meados dos anos 60.

            PS – Ao Rui Rocha peço desculpa pelo espaço e tempo ocupado mas , como me disse uma vez o Pedro Correia , os comentários são algo essencial para quem escreve aqui , só é mau quando não os há .

          4. Caro rmg,
            obrigado pela forma e conteúdo.
            Como já tivémos oportunidade de (des)conversar, não sou de salamaleques, mas devo dizer-lhe que gostei de o ler… e se não o lia, afinal era apenas porque não escrevia! Como lhe disse da outra vez é o argumento que me motiva, não o alvo, nem o emissor, porque não gosto de confundir ideias com pessoas. As ideias mudam de pessoas, e as pessoas mudam de ideias.
            Continuaremos a conversar… e se me apanhar no modo disparo, “diz paro”, que eu paro!
            Cumprimentos.

          5. Caro da Maia

            Agradeço as suas palavras , sei há muito que não é de salamaleques mas também sei há muito que justifica as ideias que defende e não se limita a mandar bocas – se depois concordo ou não é outro caso (e a recíproca será idêntica , é isso que é saudável).

            Mais que concordarmos o importante é entendermo-nos e isso acho que já o conseguimos .

            Não são os que me louvam a inteligência e a perspicácia que me ajudam a progredir (até porque inteligente e perspicaz já eu imaginava que era , como toda a gente se acha …) mas sim aqueles que me contradizem de boa fé , explicitando as suas razões , permitindo o contraditório e eventualmente aceitando as minhas teses sem por isso abdicarem de qualquer dos seus princípios , por mais calor e entusiasmo que se ponha na “refrega” .
            Creio que foi assim que ambos agora actuámos e isso , para mim , foi muito reconfortante verificá-lo e explico porquê .

            Uma das razões pelas quais cada vez participo menos (com alguma pena minha) é a falta de capacidade de discutir (no bom sentido) os assuntos sem se entrar ou na indiferença total à 2ª réplica ou na ofensa gratuita (na blogosfera é quase sempre gratuita) .
            Ora todos temos problemas na vida e já me bastam muitas vezes os que já tinha para ainda vir para aqui “irritar-me” com outras coisas!

            E depois também há aqueles autores de blogs (colectivos ou não) a quem eu chamo “os donos da bola” , que equiparo aos miúdos mais abonados da minha infância , quando as bolas eram caras e os pais que as podiam oferecer eram poucos : ou o comentador o elogia ou é tratado de tal maneira que não volta ao “jogo” .
            Por isso há autores a cujos blogs e posts volto sempre com prazer e/ou interesse e outros nem por isso , não pelo que defendem ou atacam mas pela incapacidade de dialogar ou , quanto muito , de nem o fazer , que seria bem preferível às vezes .

            Continuaremos então a conversar .
            E eu nunca lhe diría para parar !

            Cumprimentos

            PS – Rui Rocha : desculpe lá , outro “lençol”…

  4. Rui, acho que no meio do texto tem a resposta à pergunta.

    No mercado automóvel não passa pela cabeça de ninguém ter que ir à inspecção com um carro novo, pois não? Porquê?
    Porque tendo adquirido o carro se presume que ele esteja em condições.
    Da mesma forma, quem é aprovado nessas instituições espera ter adquirido os conhecimentos suficientes.
    O Estado autorizou que as instituições funcionassem, ganhassem dinheiro, vendendo diplomas. Agora muda as regras, como se tornou hábito no caos governativo.

    Vai fiscalizar e fechar instituições?
    Não o faz. Não culpa o formador, culpa os formados. Típico.
    Parece que interessa garantir o rendimento do formador, em múltiplas instituições de ensino pseudo-superior, muitas delas directamente ligadas a interesses directos, que muito honram Corleones que apadrinham ministros.

    O pseudo-rigor é uma total tanga deste ministério, que se serviu de mais uma reforma, para garantir outras tantas reformas, ou pensões para editoras, livreiros, etc.
    Se com Sócrates-Gago houve um Magalhães para show-off, mas que ainda faz sucesso na América Latina, com Passos-Crato regressámos ao ábaco.
    Manuais em PDF? O que é isso? Aumenta-se a lista de compras de livros na sala de aulas, para despesa dos pais. Pior, os livros implicam respostas neles próprios, para não serem usados nos anos seguintes.
    Tudo cheira a mofo e interesses mesquinhos.

    Mais, a ideia do Estado andar a financiar instituições privadas de ensino, quando “não há dinheiro”, e deixar as públicas a cair, mostra bem o lodo fétido em que este ministro se quer enterrar…
    Enfim, com uns cobres talvez se possam esconder frustrações de mediania científica.

    Estes são exemplos em que a corrupção por favorecimento é tão evidente, que começa a fazer parecer que no PS havia uma réstia de honestidade…

    1. da Maia, concordo com o tom geral do seu comentário. Há todavia um ou outro aspecto que me parece importante salientar. Por um lado, mesmo que aceitasse a sua imagem do automóvel novo, isso deixaria intacto o meu argumento sobre o automóvel velho: a necessidade de provas periódicas para os docentes do quadro. Por outro lado, parece-me que o da Maia aceita que a formação de professores, globalmente considerada, esteve nos últimos anos (décadas?) uns bons furos abaixo da qualidade exigível. Pois bem. O da Maia defende a correcção do problema a montante. E eu concordo. O que digo é que essa solução, mesmo que fosse adoptada (e não será porque Crato nunca mudará nada de essencial no ensino superior) não resolveria o problema imediato e a jusante. Os professores que já saíram, formados nos últimos anos, apresentam níveis de proficiência muito irregulares, de acordo com a exigência ou falta dela das instituições onde se formaram (e repito que o problema não está só, embora esteja muito, nas ESEs). Como as classificações académicas, por isso mesmo, não são fiáveis (creio até que as classificações são em regra inversamente proporcionais à qualidade das instituições que as atribuem), a única forma de resolver o problema de momento (não a ideal, mas a única) é uma prova. Acrescento que mal ou bem (e no texto refiro o que penso sobre a dimensão das turmas) existem hoje milhares de candidatos a professores que não são absorvidos pelo sistema. A prova de conhecimentos, como critério adicional de selecção permite, embora de forma não perfeita, aproximar o sistema do objectivo desejável de escolher os melhores. E isso deve ser o desígnio de um sistema que esteja ao serviço dos alunos e não de interesses corporativos, sejam eles dos professores ou das entidades formadoras.

      1. Estou de acordo, Rui.
        Aliás, quem se formou em instituições que “facilitavam” as coisas, deveria saber que adquiria uma licença “facilitada”. Por isso, não deve estranhar que as suas competências sejam tidas como “duvidosas” por alguns.

        Mas não é assim que se faz.
        Se o Estado quer corrigir o erro – de que é grande responsável, deveria então suscitar uma “universidade de verão”, gratuita, e ministrar os complementos que hão-de faltar. Deveria pagar às suas universidades clássicas para esse efeito.

        Se o Estado duvida dos conhecimentos, sabe que os professores estão mal preparados. O que faz para lhes dar preparação? Nada!
        Exige exame, sem apresentar a matéria sob suspeita de lacuna.
        Isto é próprio de um Ministério de Educação?
        Não, é próprio de um Ministério da Avaliação.
        Portanto, o primeiro a chumbar o exame da educação é o Ministro, porque há pessoal que nunca deixa de evidenciar a sua burrice profunda.

        Quanto ao exemplo do automóvel, neste caso:
        – não é aplicável porquanto não haverá desgaste do saber…
        – é aplicável porquanto há desgaste na falta de saber!

        Aí, os professores são grandes responsáveis. Nas universidades públicas há exigência de investigação, pelo que a formação contínua é inevitável.
        No restante não há nenhuma necessidade e os professores encostaram-se.
        Poderia resolver-se com uma Ordem, como sugere o Carlos Duarte, em baixo… apesar de eu não ser fã das ordens, porque são basicamente sindicatos engravatados. O seu escrutínio interno é quase inexistente (por exemplo, veja-se o caso do Vale e Azevedo), e também não há nenhuma necessidade de actualização… entra-se e pronto!

        De qualquer forma, a comparação com as Ordens faz sentido, e o Estado ao puxar a si um exame destes, está a questionar a “auto-regulação do sistema”. Vai fazer o mesmo com os outros exames de acesso a profissões reconhecidas pelo Estado?
        Por isso, esta intervenção estatal não parece coisa de Ministro liberal do PSD, parece mais coisa da UDP… reminiscências?

  5. Os professores já prestaram todas as provas durante a sua formação e estágio, pois não existem professores a dar aulas sem a profissionalização. Se eles não estão preparados, o que ministério da educação tem de fazer é avaliar as universidades e escolas superiores de educação. Se as mesmas não reunirem os requisitos para os fins a que se propuseram então fechem-se esses cursos. Deixam-se formar as pessoas, garantindo-lhes que tudo está bem e depois de todo o tempo perdido e dinheiro gasto é que se vai ver se os professores estão ou não em condições de leccionar? Vivemos onde? É tão ridículo que ainda por cima têm de pagar para fazerem os dito exames. O dinheiro abunda para financiar os privados e no público formam-se turmas enormes, onde dificilmente poderá haver sucesso e não se colocam professores porquê? Que me desculpem se querem privado paguem porque o país tem de garantir uma educação para todos e essa é no público e não no privado.

    1. Ana Isabel, se tiver paciência peço para dar uma vista de olhos à minha resposta ao da Maia, para não ter de estar a repetir argumentos. Acrescento algumas notas adicionais. A posição de que os professores não têm que prestar provas adicionais parece-me de uma certa sobranceria. Todos os profissionais, de uma forma ou de outra têm de (ou deviam) prestar provas ao longo da vida. E isso ainda deveria ser mais verdade para os professores. Por outro lado, creio que erra no que toca à solução para um eventual défice de qualidade das entidades formadoras. Que se deviam fechar ou melhorar as que não servem? Certamente. Mas, como isso até agora não aconteceu, há milhares de candidatos a professores saídos dessas instituições nos últimos anos. A Ana Isabel defende que a solução é atirá-los para dentro de salas de aulas, indiscriminadamente, com prejuízo dos alunos. Em nome de quê? Da defesa formal da qualidade dessas instituições? Da expectativa dos professores por elas formados? Isso não faz qualquer sentido quando todos os anos ficam 30 ou 40 mil de fora. Neste cenário, que é o real, a defesa do interesse dos alunos (e da credibilidade da escola pública) impõe que exista um critério de selecção (o possível, não ideal) que permita escolher, com mais dados, os que são melhores. E um comentário adicional: se a prova se realizar, e se tiver uma exigência baixa oumédia (não é preciso ser muito exigente) a teoria de que todos estão “perfeitissimamente” habilitados a ensinar vai cair por terra. Convido-a a passar por cá no dia em que forem divulgados os resultados para os analisarmos.

      1. “Por outro lado, creio que erra no que toca à solução para um eventual défice de qualidade das entidades formadoras. Que se deviam fechar ou melhorar as que não servem? Certamente. Mas, como isso até agora não aconteceu, há milhares de candidatos a professores saídos dessas instituições nos últimos anos.” Mas esses milhares tiraram os cursos nessas instituições, fizeram a profissionalização e foram considerados aptos a exercer a sua profissão. Quando estão prontos a exercê-la, obrigam-nos a fazer exames porque estão mal preparados. Inspeccionem-se as universidades e se for preciso fechem-se. As pessoas tiram os seus cursos mediante as regras instituídas, gastam dinheiro e tempo e no fim de tudo dizem -lhes que estão mal preparados? Se foram mal preparados, o estado tem de arcar com as responsabilidades, pois foi ele que lhes proporcionou a má preparação. O mais triste, no meio de tudo isto, é que as universidades continuam sempre hirtas e firmes…… Será que só os professores são mal preparados? Os economistas que tanto disparate têm feito e dito são bem preparados? Não acredito.

      2. Como sabe que os professores estão mal preparados? Possivelmente para encararem turmas em que os alunos fazem o que querem e muito bem lhes apetece e o professor não pode dizer nem fazer nada, provavelmente não há preparação possível. Os professores com turmas de 26 ou 30 alunos não podem fazer milagres e sei do que falo porque já lá estive. Meu caro Rui Rocha não é fácil e para avaliarmos a situação só passando por lá e não pelo que os leigos no assunto dizem, porque lhes interessa que assim seja. Avaliar alguém é algo que se banalizou, mas com essa avaliação poderemos destruir a vida de alguém.
        Na educação está tudo ao contrário: primeiro experimenta-se, a seguir vê-se que não serve, partimos para outra e andamos nisto há 40 anos. Quem sai prejudicado? Os alunos que são as cobaias e os professores que estão mal preparados, segundo se apregoa agora. Diz que devem ser avaliados. Plenamente de acordo, no princípio da minha carreira sempre fui avaliada e com inspector na sala de aula observando. Hoje não se faz isso porquê? Deixar que as pessoas tirem os cursos segundo as normas vigentes e depois terem de fazer exames para verem se estão em ordem é obra……..

  6. Adivinho que os candidatos a professores mais mal preparados, são os que encabeçam a campanha contra os exames de acesso.
    Comparar professores a economistas, vá que não vá; comparar professores com viaturas novas, não faz qualquer sentido, apesar das viaturas velhas estarem, periodicamente, sujeitas a exame…

  7. Caro Rui Rocha,

    Concordo consigo (e, pela mesma medida, discordo de alguns comentários anteriores) sobre a legitimidade do Estado (ou qualquer empregador) requerer que quem se candidata a um emprego seja submetido a uma prova. Acho que, e se se caminhar para uma maior preponderância do ensino privado no emprego de professores (e não estou a defender que se o faça ou não), normal que os professores acabem por ver reconhecido o seu direito a se auto-regularem por via de uma Ordem profissional devidamente habilitada e passar a ser o estatuto de membro da Ordem que confira “licença” para ensinar, dispensando – nessa altura – o Estado os exames.

    Por outro lado discordo em absoluto na realização de provas por professores do quadro como critério de desempenho. O facto de um professor ter uma dada nota numa prova nada me diz da sua competência científico-pedagógica (e pode nada dizer da competência científica!). A avaliação – que acho bem que exista – deve versar sobre dois pontos: resultados sobre os alunos (existindo uma comparação “antes” e “depois” aluno a aluno ou por amostragem aleatória, tendo por base exames nacionais) e avaliação por parte da chamada “comunidade educativa” (seja por inquéritos aos encarregados de educação, avaliação por parte do Director de Turma, eventualmente observação de aulas por inspector por parte do ME, etc.).

    Finalmente, abomino por absoluto a imoralidade de COBRAR aos candidatos pela realização de provas. As provas devem ser de acesso livre e gratuito.

  8. Gostaria que “aMaia” me dissesse se concorda que as crianças “novas”, ainda em fase de fabrico , também deviam estar isentas de todos os exame(s) .

    Olhe que não existe em Portugal exame mais rigoroso do que é feito aos candidatos a trabalharem na Auto -Europa….

    …..

    1. am:
      Refere-se aos exames médicos?
      A analogia não é má, porque nesse caso, se é diagnosticado um problema, há obrigação de o tentar resolver.
      Ou os médicos apenas fazem os exames? Não tentam curar?
      Aqui a ideia parece ser o cure-se a si próprio…

      Então, ao “am”, devolvo a seguinte questão. Imagine que este grande estado “avaliador” decide avaliar a saúde dos cidadãos.
      Só pode constituir empresa, ou ser candidato a emprego, quem tiver “boa saúde”. Não tem que ser visto como ilógico… afinal a pessoa irá assumir responsabilidades e deve estar em forma.
      Cobra 20 euros pelo exame médico.

      Neste caso, a analogia é ainda pior, pois o “exame” já tinha sido feito por “entidades certificadas”. O que se passa é que é inventado novo exame…

      Percebe o problema de ter um Estado controlador, despótico?
      Isto não significa que não deva ser corrigido o problema… só que há muita coisa a corrigir então, nomeadamente noutras profissões com exame não estatal, e sem necessidade de actualização.

      1. O a Maia … gosta de baralhar tudo…ou quer conversa!

        É evidente que não se trata de exames médicos — para isso bastaria um simples atestado médico — mas sim de exames psicotécnicos e do conhecimento escolar em geral (etc)….Muitos … muitos… muitos… chumbam por nem sequer saberem a tabuada…!

        Dizem: — Para quê… se temos a calculadora?
        Pergunta o examinador: – E se faltar a bataria?

        Percebe onde quero chegar?

        1. am:
          … quando fala em “crianças em fase de fabrico”, convenhamos que deixa a desejar na clareza. Pensei que se referia a exames médicos infantis ou pré-natais.
          Já percebi que fala do “fabrico da cabecinhas”… o que é revelador de outro conceito de maquinaria.

          O caso das crianças que não sabem fazer contas já tem barbas, e não são deste ministro, apesar dele ter aproveitado para surfar essa onda…
          A crítica ao “eduquês” é antiga, e nada tem a ver com este ministro, nem com professores, tem a ver com as escolas de formação, e as suas pedagogias.
          O alvo foram as escolas? Não, foram os formados.
          Essas escolas embarcaram na moda do eduquês, tal como o divulgador Crato foi convidado a embarcar na moda do contra-eduquês.
          É de tal forma um papaguear do que se passou fora de portas que até parece que os papagaios diziam o mesmo. Mas julgo que só aqui é que chegaram a ministro.

          É claro que eu sou a favor da avaliação, mas de uma avaliação feita depois de ensino. O ministro apenas insiste na avaliação, não no ensino.
          Neste caso ele arma-se em avaliador dos professores, mas esquece a sua função de ensino. Sabe que têm má formação, e vai mostrar isso.
          Mostrará que é um grande avaliador e um péssimo professor.
          Não ensina nada a quem precisa de ser requalificado, apesar de ter sido qualificado pelo Ministério que herdou.

          Julga que se quisermos não podemos fazer uma prova aos advogados, engenheiros, etc., deste país, onde 90% chumba mesmo com perguntas fáceis?
          Digo-lhe mais, pode-se fazer um teste da 4ª classe fácil, onde 99% dos licenciados portugueses chumbaria.
          Ser avaliador é fácil, o que é difícil é ser formador e ser um avaliador consciente.

  9. O seu texto não deixa de apontar para um outro tipo de reflexão.

    Afirma o Rui, “Mas, ninguém se escandaliza se, para preencher uma vaga numa empresa privada, esta submeter os candidatos a diversos testes e provas que avaliem o raciocínio numérico, verbal, diagramático e outras competências de um candidato.”.
    Pois bem, eu escandalizo-me pelo uso de métodos que hoje colhem consenso quase mundial sobre a sua inutilidade. Porquanto os mesmos não atestam a aptidão do(a) candidato(a) para o exercício da função, e muitas vezes ou quase sempre estão aí para justificar débitos gerados ou funções exercidas (RH).

    O que estes rapazes do estado-novo estão a fazer é repercutir métodos, que são carcaças, em uso num sistema privado que dá provas de falência, fazendo crer que estão a reformar o país.
    Neste sentido, e noutros que não vão produzidos, creio que o sistema de avaliação deve ser substituído pelo sistema de acompanhamento contínuo, onde o debate periódico (anual ou semestral), a troca de experiências e a partilha dos avanços alcançados noutros quadrantes possa constituir-se como a verdadeira formação ao longo da vida e a formação sobre os novos conhecimentos, tornando assim aptos mesmo aqueles que eventualmente se presuma não estarem.

    As “reformas” que estes do estado-novo estão a implementar não passam de uma cadeia de pensamentos e práticas obsoletas que introduzem o caos num lado do sistema para gerar receitas para outro que se presume mas apto. Vemos, pela prática, quem é que em última instância os mantém à tona.

    Por último, não sou professor e não sou nem nunca fui funcionário público. Mas entendo que a estrutura pública, para o ser, necessita de autonomia (sem esquecer a supervisão) do poder político (como estes, também, do estado-novo), porque ele mesmo incentiva e apadrinha a constituição de corporações que os ajudam a alcançar seus intentos.
    O liberalismo acéfalo garante a sua continuidade através de funcionários públicos ou privados que vai colocando no xadrez político.

  10. curiosidade 1: a prova que o rui rocha aprova para aprovar professores contratados a prazo tem a validade de?

  11. Concordo…em parte. É verdade que as ‘Escolas Superiores de Educação’ vieram descredibilizar o ensino. Mas o que dizer de milhares de professores, cuja formação foi feita em Universidades públicas e que, agora, vêem o seu ‘estatuto’ de profissionais ser posto em causa? E o problema coloca-se aqui. Para ser uma ‘avaliação’ justa, teria de haver uma selecção no que diz respeito às instituições onde se obteve a formação. Mas acredita que isso algum vez vai ser possível? Claro que não! A ideia de se atribuir o mesmo estatuto a todos, de se comparar universidades com ensino politénico, fez com que não haja distinção entre o que é de qualidade e o que não é. E há outras questões que se levantam: que tal professores que, não tendo colocação, decidiram investir na sua formação e, neste momento, além de serem mestres (por universidades públicas e pré-Bolonha), encontram-se a concluir doutoramentos (também em universidades públicas) ou em pós-doutoramentos?! Esses deverão ser colocados ao mesmo nível daqueles que, tendo apenas, licenciatura, leccionam há mais anos do que eles?! Mas o que está em causa com esta ‘avaliação’ que o ministro quer exigir?! Não é avaliar os conhecimentos?! Então, um professor que tem mais habilitações a nível científico não está mais apto do que um que, tendo apenas um curso superior passou uma década a reproduzir os conhecimentos que vinham nos manuais?! É fácil criar rotinas na disciplina que se lecciona, quando se repetem conteúdos ao fim de 10 anos… Não é preciso preparar uma aula…

    1. condições para o exercício da função. Dizem-me que há professores de matemática a leccionar, profs que nunca, durante os seus percursos académicos, obtiveram nota positiva a matemática. Pode?
      A progressão na carreira de professor deveria fazer-se apenas com base na forma de desempenho – é pelos frutos que se conhecem as boas árvores dos pomares. Com isto quero dizer que não é por obterem mestrados (ou doutoramentos) que os professores são uns melhores do que os outros. Não. Os bons professores são os que ensinam bem (ou muito bem) e os que ajudam a educar os alunos. Pense nas educadoras de infância, nos profs do básico e nos do ensino secundário e veja o que é que aquelas qualificações académicas acrescentam a um profissional madraço ou malformado. Essas limitações, que deveria ser limitativas, não se ultrapassam com doutoramentos, concordará.

      1. corrigindo…
        Ilsa, tenho para mim que o exame de acesso apenas servirá para excluir quem não tem as mínimas condições para o exercício da função. Dizem-me que há professores de matemática a leccionar, profs que nunca, durante os seus percursos académicos, obtiveram nota positiva a matemática. Pode?
        A progressão na carreira de professor deveria fazer-se apenas com base na forma de desempenho – é pelos frutos que se conhecem as boas árvores dos pomares. Com isto quero dizer que não é por obterem mestrados (ou doutoramentos) que os professores são uns melhores do que os outros. Não. Os bons professores são os que ensinam bem (ou muito bem) e os que ajudam a educar os alunos. Pense nas educadoras de infância, nos profs do básico e nos do ensino secundário e veja o que é que aquelas qualificações académicas acrescentam a um profissional madraço ou malformado. Essas limitações, que deveria ser limitativas, não se ultrapassam com doutoramentos, concordará.

  12. Para ser sincero só li os 3 primeiros comentários, ler o que muita gente escreve sem conhecimento de causa é deprimente. O que a maioria das pessoas não sabe é que os professores quando tiram o curso que lhes permite dar aulas, neste caso nas ESEs tão mal consideradas, já têm estágio integrado com aulas assistidas pelos professores cooperantes (professores das turmas) e pelos professores orientadores de estágio. Os professores estagiários têm que preparar as aulas, fazer as planificações das mesmas e por fim lecionar à turma aquilo que prepararam. O estágio decorre durante todo o curso, em diferentes escolas, com diferentes turmas e por consequência com diferentes alunos. Quando um professor chega a uma escola não vai totalmente “verde”, e para se formar tem que passar na disciplina do estágio, porque se não passar não está efetivamente apto a ser professor e não será professor. Os professores que vão ser submetidos à referida prova, já deram prova das suas competências no curso e durantes os longos anos em que estão a trabalhar. Se o ministério pretende aferir por uma prova a competência das universidades e politécnicos em formar professores está a passar um atestado de incompetência a si mesmo, pois os cursos de formação de professores foram criados pelo ministério da educação e certificados pelo mesmo. Se os cursos não têm qualidade a culpa é do ministério da educação porque abre os cursos, aprova a componente curricular e certifica-os. Palavras para quê, só não vê o óbvio quem é cego ou sofre de desonestidade intelectual.

    1. Caro Silentsoul

      Como gostaria de o ter como professor! Só três comentários lhe mereceram respeito e atenção… V. Excia está em que pedestal? Não me diga que vai ser posto naquele que a CML queria edificar em homenagem ao fundador do “Glorioso”!!! Ora aqui temos o substituto… embora, este não tenha fundado nada… teve a gloria de nos mandar fund…!!! É d’homem carago!

      1. Caro am, eu só li 3 comentários, os outros li na diagonal, mas vossa excelência só leu 3 linhas do meu comentário, ou a sua observação é por despeito por não ter lido o seu, ou a carapuça serviu? Eu ainda tentei fazer o contraditório aos comentários que li apresentando argumentos mas a sua resposta é patética. Não contra-argumentou nem disse nada de válido sobre o assunto. Mas tudo bem, eu do alto do meu pedestal envio-lhe os votos de uma boa noite.

    2. Caro Silentsoul,

      As Escolas Superiores de Educação estão mal consideradas, como diz, porque efectivamente o seu ensino é medíocre! É verdade que os alunos das ESE’s fazem estágio integrado, mas de certeza (tendo em conta o que escreve) que desconhece a forma como esses estágios são realizados. Posso dizer-lhe que estar numa sala de aula, juntamente com o professor cooperante e/ou orientador/supervisor que asseguram (eles sim!) a disciplina e ordem na sala de aula e leccionam os conteúdos é bem diferente de um estagiário que, tendo terminado a sua formação académica é ‘lançado’ aos leões, sozinho numa sala de aula. Em média, este estagiário tem a seu cargo, durante um ano lectivo, uma a duas turmas, sendo, também, avaliado em aulas das turmas da orientadora. Quer fazer as contas e comparar o grau de dificuldade?
      E posso dizer-lhe que conheço as duas realidades e devo dizer-lhe, mais uma vez, que a qualidade do ‘sistema’ das ESE’s é insuficiente. E por aqui fico, pois poderia dizer muito mais sobre os dois ‘sistemas’.

  13. Boa tarde,

    Este post esteve em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

    Atenciosamente,

    Catarina Osório,
    Gestão de Conteúdos e Redes Sociais – Portal SAPO

  14. Parece-me que entra em contradição com o que diz. Se se questiona sobre o facto de haver professores que obtiveram negativa na disciplina que agora leccionam, não fica implícita a ideia de que isso lhe causa estranheza, por não ser aceitável? E com essa dúvida não está a concordar comigo, quando eu reforço a tese de que o conhecimento ou saber é determinante para distinguir quem é bom ou mau professor? É claro que um bom professor não é apenas aquele que detém o conhecimento, mas também aquele que é capaz de transmitir esse mesmo conhecimento, de forma a que os alunos consigam apreender. Curiosamente,e não sei se teve essa experiência, os melhores professores que tive eram ‘autoridades’ na sua área. O seu conhecimento era tão vasto e tão profundo que só de os ouvir uma pessoa ficava siderada. Mas posso dizer-lhe que, sendo eles ‘autoridades’ na sua área, não eram propriamente grandes modelos a nível pedagógico. Ou seja, para mim, o conhecimento é o que mais importa. A outra ‘parte’ treina-se e aprende-se com a prática. Mas é verdade que estou a simplificar e que esta questão depende de várias circunstâncias ou variáveis. Por exemplo, é muito diferente um professor leccionar numa escola em que os alunos vêm de um estrato social baixo (logo, as suas expectativas são muito reduzidas ou limitadas) comparativamente com alunos que vêm de um estrato social mais elevado, em que as ambições são outras. Como avaliar, neste caso, um professor que, no primeiro exemplo, a sua maior vitória é conseguir que os alunos adquiram as competências básicas, em oposição a outro que, não tendo problemas de ordem disciplinar, por exemplo, tem alunos que alcançam resultados muito satisfatórios? E…entende, segundo li, que um bom professor é aquele que ensina bem? Mas o que é ensinar bem? Como vê, a questão não é tão linear…

    E, relativamente ao tema do post, o que está em causa é a avaliação dos conhecimentos (a nível científico) de um professor. Não se vai avaliar a sua aptidão pedagógica. Sendo assim, as questões que coloca não fazem muito sentido. Esta prova ou exame que está a ser exigido aos professores é uma forma de seleccionar ou de tentar separar o ‘trigo do joio’. A forma como está a ser feita é que não é justa nem adequada!

    1. Anónimo (13.11.2013 às 17:14)
      Pelo conteúdo do seu comentário, pareceu-me que está a argumentar, relativamente ao meu das 15:27, dirigido a ISA.
      Seja como for, fique a saber que concordo consigo: o nível de conhecimento do candidato é “determinante para distinguir quem é bom ou mau professor”, mas dentro de certos limites, não me parecendo razoável exigir doutoramento a uma educadora de infância.
      Como disse, concordo com o exame de acesso, uma vez que me dizem que alguns professores estão a leccionar matérias para as quais não estavam, nem estão, convenientemente preparados. Repito, alguns.
      Saiba ainda que concordo consigo quando diz que é muito diferente um professor leccionar numa escola em que os alunos vêm de um estrato social baixo, comparativamente com alunos que vêm de um estrato social mais elevado, em que as ambições são outras. E admito que, mais difícil será ter na mesma turma alunos de um estrato social alto, misturados com alunos de um estrato social baixo, com alguns “insurras” infiltrados… Em qualquer caso, quem deve avaliar a competência dos professores, serão os pais dos alunos, os alunos se forem de maior idade, os seus pares e outros professores mais antigos e mais conceituados, tudo face aos resultados obtidos. Não avaliar o desempenho dos professores, é que está mal.
      Tudo isto para dizer que não vejo grande mal no exame, se ele apenas servir para afastar professores com nível de conhecimento insuficiente, como, repito, dizem que alguns deles foram admitidos à docência. E não só em matemática. O que, se não for evitado, é um crime.

  15. No seguimento do comentário que fiz ontem, vou deixar aqui um ‘texto’ que recebi da parte do sindicato onde se explica, em traços gerais, como vai ser feita a avaliação dos professores, por meio da tal prova de que se fala.
    Deixo, apenas, esta pergunta: acha justo um professor avaliar um colega (seu ‘par’), apenas porque detém mais tempo de serviço e por se encontrar nos quadros?! E se eu lhe disser que há professores com mais de 15, 20 anos de tempo de serviço cuja formação inicial não foi em Português, mas em História?! Acha justo, por exemplo, que estes professores avaliem outros, quando não possuem os mesmos conhecimentos e habilitações?! É mais complexo do que parece…

    “NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL

    IGNÓBIL, SIMPLESMENTE IGNÓBIL!
    MEC quer comprar professores do quadro para classificarem provas dos seus colegas sem vínculo

    Começa a saber-se agora para que serve o dinheiro a extorquir aos docentes desempregados e contratados

    Os professores classificadores de Português receberam uma comunicação, via correio electrónico, de uma estrutura do MEC — a Direção de Serviços de Avaliação Educativa (ex-GAVE) – em que lhes é transmitida a pretensão de “contar com aqueles que ao longo dos últimos anos têm sido o garante do rigor e da fiabilidade da classificação das nossas provas: os nossos Classificadores, em articulação com os Supervisores”.
    Feita a bajulação, é proposto aos docentes, por aquela direção de serviços, “que nos acompanhe em mais este projeto, pelo que solicitamos que nos informe da sua disponibilidade para exercer as funções como Classificador(a) da PACC [prova de avaliação de conhecimentos e capacidades] — uma prova que, para além de extorquir vinte euros a cada candidato, poderá levar ao afastamento dos próprios de uma profissão em que já ingressaram há muitos anos.
    De seguida, é dada a informação de que “o papel do(a) Classificador(a) implica a classificação, em média, de 100 respostas a um item de resposta extensa, o que corresponde a 100 provas… /… auferindo o valor de 3 € por resposta classificada.” Ou seja, a quem aceitar seguir este guião proposto pelo MEC, este dispõe-se a oferecer 300 euros diretamente extorquido do bolso de professores que estão no desemprego ou em situação de grande precariedade.
    O MEC informa que, quem não estiver interessado deverá declarar a sua indisponibilidade até dia 14 (depois de amanhã) e quem quiser ser classificador deverá devolver uma ficha de dados que é anexada no mail que foi enviado aos docentes.
    A FENPROF apela a todos os professores dos quadros para que recusem o papel que o MEC lhes pretende atribuir: o de serem pagos, com dinheiro extorquido aos seus colegas desempregados e precários, para que contribuam numa farsa destinada, por um lado, a denegrir a imagem dos profissionais docentes e, ao mesmo tempo, a afastar muitos deles da profissão.
    A FENPROF está certa de que todos os professores compreendem este problema como sendo de toda a classe docente e não apenas daqueles que, para já, são diretamente visados. A FENPROF apela aos docentes contactados pelo MEC no sentido de até dia 14 recusarem o papel que lhes é proposto. Todavia, se eventualmente não puderem enviar essa recusa até dia 14, nada obriga os docentes a devolverem a ficha de dados que o MEC lhes enviou. Tratando-se de uma proposta, não poderá haver aceitação tácita, nem imposição pela tutela!
    Este procedimento do MEC é deplorável e revela bem o ponto a que os seus responsáveis já chegaram para tentarem atingir os seus objetivos. Virar professores contra professores passa a ser agora estratégia assumida.
    Fica uma questão final: por que razão, quando estes classificadores desenvolvem a sua atividade no final do ano, no âmbito dos exames nacionais de Português – como de outras disciplinas – o MEC não atua da forma que agora anuncia, pagando a correção e classificação aos professores? Afinal, muitos também, nesse momento, desenvolvem a tarefa acumulando com outras atividades, quer letivas, quer não letivas. Compreende-se, sendo o trabalho tão sujo, o MEC quer pagar bónus a professores com dinheiro roubado do bolso de outros professores. Ignóbil!

    O Secretariado Nacional”

  16. Não sendo eu muito inteligente gostaria só de deixar estas questões :

    Não será este ( a prova de certificação ) mais um esquema para “correr” com mais uns milhares de profs. da escola ?

    Como poderá ser feita e avaliada uma prova que não incide sobre os principais contéudos que os professores leccionam ou para os quais se prepararam ?

    Como pode ser possível obrigar a pagar uma prova que é exigida para certificar conhecimentos ?

    Eu sou a favor da avaliação dos professores e de outros profissionais preponderantes na formação de um tecido social vivo e responsável , agora estes esquemas de exames para excluir professores das candidaturas ás vagas no seu trabalho , não para selecionar os melhores mas para diluir as estatísticas é mesmo destes vermes que nos governam , a sorte deles é que somos uma cambada de Mansos ,

  17. “Primeiro, os nazis vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, calei-me.
    Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, não protestei.
    Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, calei-me.
    Depois, vieram buscar os católicos, mas, como eu era protestante, calei-me.
    Agora, vieram buscar-me… mas, já não resta ninguém para protestar.”
    Martin Niemoller

    Agora, vieram buscar os professores, os médicos, os enfermeiros, os economistas…, mas, como não é nenhum deles, cala-se (e concorda).

    Quando o vierem buscar a si e quiserem que realize uma prova para receber a sua pensão de reforma…poderá acontecer já não restar ninguém para protestar…

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