A CAVERNA
de José Saramago
Conheço muita gente que não gosta de José Saramago. Já não gostava dele em vida, continuaram sem gostar dele depois de morto.
Alguma da aversão que o nosso único Nobel da Literatura desperta relaciona-se com aquela animosidade tão portuguesa a tudo quanto tenha êxito. É uma das nossas piores características. Detestamos Saramago, Manoel de Oliveira, Paula Rego, Maria João Pires, José Mourinho, Cristiano Ronaldo e Joana Vasconcelos porque não necessitam da comiseração nacional para colherem aplausos. São apreciados “lá fora”, o que potencia novas camadas de detractores. Convivemos mal com o sucesso alheio.
Em relação a Saramago confunde-se muito o indivíduo com a obra: muitos recusam ler-lhe os livros porque detestavam o homem enquanto figura pública por lhes parecer profundamente antipático. Conheci-o pessoalmente e sei do que falo: o autor do Memorial do Convento era uma pessoa tímida que procurava disfarçar essa característica com um rosto severo onde raras vezes despontava um sorriso. Questão de feitio.
Muitos confundiam isso com sobranceria ou arrogância. Mas este jornalista que ficou desempregado aos 53 anos e ao qual nem o partido em que militava ajudou nessa difícil fase da sua vida teve de reinventar-se até surgir levantado do chão, certamente sem grandes ilusões sobre a espécie humana e sobre esse terreno armadilhado que é a fama.
Mas mesmo que fosse uma personalidade execrável a sua obra não deveria pagar por isso. Personalidades detestáveis nunca faltaram na história da literatura — de Céline, com os seus repugnantes panfletos anti-semitas, a Christa Wolf, informadora da infame polícia política da ex-RDA, a lista é imensa.
Há ainda os que condenam as suas ideias políticas, mas também aqui deve ser feita a indispensável separação entre o escritor e o militante. Neruda foi estalinista, Ezra Pound era adepto de Mussolini e Heidegger manteve um prolongado flirt com os nazis sem que isso contaminasse necessariamente a obra de qualquer deles.
O teste mais infalível é sempre o da passagem do tempo. Quando eu era miúdo o maior autor de best sellers em Portugal chamava-se Fernando Namora. Cada livro dele alcançava tiragens monstruosas, a Bertrand tinha-o como principal “activo” (como agora se diz) do seu catálogo. Cada livro que publicava era um acontecimento mediático consagrado com múltiplas entrevistas. Dois deles, Resposta a Matilde e O Rio Triste, foram acolhidos quase como acontecimento nacional. Li ambos, com notória dificuldade: nunca consegui perceber a razão de tanto espalhafato.
Hoje Namora é um autor praticamente desconhecido: os seus livros vendem-se a preços de saldo em alfarrabistas. O que tem muito de injustiça póstuma, pois títulos como O Trigo e o Joio e Retalhos da Vida de um Médico merecem releitura atenta.
De Saramago podemos dizer, com relativa segurança, que deixou obras destinadas a não passar de moda. O Memorial, claro. O Ano da Morte de Ricardo Reis, Ensaio sobre a Cegueira, a sua incomparável Viagem a Portugal e essa deliciosa novela quase testamentária que se intitula As Intermitências da Morte.
Conheci Saramago no início da minha carreira jornalística, fiz-lhe duas longas entrevistas e nunca deixei de acompanhar o seu percurso. Orgulhei-me como português do Nobel que recebeu em 1998 e achei comovente a mensagem de amor pelos avós analfabetos que deixou à requintada assistência que o escutava em Estocolmo.
Conhecia, claro, a sua outra faceta. A dos editoriais incendiários no Diário de Notícias em 1975. Li-os todos, no arquivo do jornal, com crescente perplexidade. E sempre me questionei até que ponto Saramago ainda se reveria neles tantos anos depois do Thermidor de 25 de Novembro de 1975.
Julgo que jamais terei resposta cabal a esta questão.
Esse Saramago iluminado pelas “vanguardas” revolucionárias parecia ressurgir esporadicamente em certas páginas dos seus Cadernos de Lanzarote, essencialmente um exercício falhado de diarística, e sobretudo num romance obviamente menor intitulado A Caverna. É um romance profundamente ideológico, amargo e ressentido com as sociedades contemporâneas, descrente da economia de mercado e do seu corolário político, a democracia liberal. Vi lampejos do editorialista de 1975 naquele libelo contra a Corporação, representada por um imponente arranha-céus citadino e aquela absurda nostalgia de uma sociedade que andava ao trote de uma carroça, desconfiada da modernidade.
Devo ter lido pouco mais de um terço deste livro. Ia virando as páginas com progressiva relutância até não me apetecer mais. Já me encontrava então numa fase em que abandonava um livro a meio sem remorsos de espécie alguma.
Cada escritor tem direito de ter no currículo a sua Resposta a Matilde. É o caso da Caverna de Saramago.




Nuca li a caverna, mas li muitos outros. Até hoje, nunca consegui perceber a relutância com Saramago. Nem com nenhum dos outros que refere. Percebo que não se aprecie a escrita corrida, confusa, condensada. Percebo que não se partilhe as suas ideias extremas, mas caramba, colocá-lo, como já vi tantas vezes, num patamar inferior, é pura ignorância. A genialidade nem sempre causa simpatia. Mas daí a subestimá-la, deveria ir um passo maior.
( Se não o fez, tente as Intermitências da morte ( isto para além dos ensaios, claro). Um conto fantástico e impossível, escrito com uma qualidade suprema. Vai ver que não o abandona 🙂
Por coincidência, ‘As Intermitências da Morte’ é um dos livros que prefiro de Saramago. E menciono-o precisamente no meu texto.
Partilho da sua perplexidade perante algumas das críticas dirigidas não só a este mas a outros escritores. Uma coisa é contestar o homem, as suas ideias, a sua militância política: ninguém está imune à crítica. Outra, muito diferente, é confundir a pessoa com a obra e desvalorizar esta em função daquela.
Faço sempre questão de avaliar a escrita em função da sua qualidade intrínseca e não da personalidade ou da ideologia do escritor.
Vá aparecendo, Carla. É sempre bem-vinda aqui.
Gosto da lucidez dos seus textos, Pedro.
Bom fim de semana.
Também gosto muito das suas receitas, Cristina. Além da escrita, claro.
Sempre gostei do Saramago. Li o Memorial nos anos oitenta e fiquei logo “agarrada” à sua escrita.
Fiquei orgulhosa com o Nobel e comovida com a história do avô que se despediu das árvores abraçando-as.
Fiquei triste quando, na sua morte, alguns aproveitaram para destilar o seu veneno.
Poderão ter ‘beliscado’ o homem, mas nunca o escritor, e isso é que está entalado em algumas gargantas…
Posto isto, li A Caverna até ao fim, mas não me marcou grandemente.
Marcaram-me, e muito,
O Memorial, O Ano da Morte de Ricardo Reis e A Jangada de Pedra.
🙂
Antonieta
Também senti esse orgulho, como refiro no texto. E custar-me-á sempre entender esta alergia que muitos portugueses têm ao sucesso alheio. Em vez de o partilharem, dissociam-se. E ficam a alimentar azedumes e ódios contra quem mais se destaca.
Não por acaso, Antonieta, ‘inveja’ é a palavra que Camões usa para encerrar ‘Os Lusíadas’. Algo infelizmente muito português.
Ficou desempregado aos 53 anos? Coitadinho… E as dezenas de jornalistas que ele mandou para o desemprego quando era o controleiro ideológico do PCP No Diário de Notícias, nos idos de 1975? Importou-se se tinham filhos e família?
A propósito de prémio Nobel, alguém se lembra do nome de quem o ganhou no ano passado? E há dois anos? E no ano antes de Saramago?
Antes de José Saramago ganhou Dario Fo, depois dele ganhou Günter Grass. Dois amigos dele, por sinal.
Sobre a passagem de Saramago pelo DN já escrevi aqui na devida altura, ainda ele era vivo, voltei a escrever agora. Foi, seguramente, a etapa mais lamentável de uma longa vida e de um longo percurso profissional que teve muito mais luzes que sombras.
Mas aqui interessa-me sobretudo falar da obra e não do homem. Recomendando sempre que não se confunda uma obra literária com a personalidade e as idiossincrasias de quem escreve.
Pois concordo com muito do que dizes: da inveja maledicente com todos os que ganham respeito “lá fora”; da ignorância daqueles que confundem homem com obra …
Conheci Saramago em 1999, em Moçambique. No meio de uma enorme delegação cultural portuguesa foi o único com a clarividência intelectual para entender o que se passava. Entre dezenas de nomes … renomados! Vi-o falar aqui, de improviso, sobre livros e leituras. Soberbo.
Já os seus livros, enfim, deixei vários a meio – este “A Caverna” (que vi ser aqui por ele apresentando) e uma boa mão-cheia (a Jangada de Pedra, por exemplo). O último que li foi “Todos os Nomes” de que não gostei, mesmo. Gostei muito de um que não referes, o Levantado do Chão.
Mas também gosto muito desse. Foi o livro que, justamente, marcou a fronteira entre o Saramago anterior e o Saramago escritor profissional.
Quem alguma vez não deixou livros a meio?
Não acreditando em bruxas, mas fazendo fé na ministra da justiça que diz que as há, para encontrar uma citação, estive ontem à mão a folhear «A Caverna».
Talvez seja o menos cativante dos livros de Saramago que li, mas parte de uma ideia interessante, o oleiro Cipriano Alves que tenta colocar à venda as suas obras num centro comercial, transformando-se numa alegoria, um saudoso adeus pela galopante morte do comércio tradicional que muito prezo, é o ficarmos a saber que deixámos de nos sentar em bancos de jardins, passear ao longo das margens dos rios, contemplar a natureza, os por do sol, pata nos encafuarmos às voltas dentro de um centro comercial, deixámos de frequentar livrarias, livrarias mesmo para nos estupidificarmos a olhar os manhosos escaparates das fnacs, situações que António Lobo Antunes descreve, maravilhosamente, numa das suas crónicas:
«Aos domingos a seguir ao almoço visto o fato de treino roxo e verde e os sapatos de ténis azuis, a Fernanda veste o fato de treino roxo e verde e os sapatos de salto alto do casamento, subo o fecho éclair até ao pescoço e ponho o fio de ouro com a amedalha por fora, a Fernanda sobe o fato de treino e pões os dois fios de oro com a medalha e o colar da madrinha por fora, tiramos o Roberto Carlos do berço, metemos-lhe o laço de cetim branco na cabeça, saímos de Alverca, apanhamos os meus sogros em Santa Iria da Azóia e passamos o domingo no Centro Comercial.».
Numa entrevista à «Visão», diz Saramago:
«Os ventos da história nem sempre são favoráveis. Como tento mostrar em «A Caverna.» É hoje patente que o único lugar limpo, iluminado, colorido, seguro, com música, nas cidades e já nas aldeias, que as pessoas frequentam e são felizes, é o centro comercial! Antigamente, a mentalidade humana formava-se na grande superfície das de uma catedral; hoje, forma-se na grande superfície de um centro comercial. O que diz tudo.
Mantenho-me na minha, caro Sammy: ‘A Caverna’ é, na sua essência, uma alegoria contra o progresso. Um apelo a um tempo supostamente imaculado em que as pessoas eram mais puras e mais felizes, ainda que mais pobres.
Não comungo nem partilho desta concepção da história que transforma por sistema os dias que já foram em algo superior aos dias que ainda estão.
Aliás, de um optimista histórico como Saramago seria de esperar uma visão menos passadista, ainda que a pretexto da “denúncia” do sistema capitalista.
Apesar de ter lido A Caverna até ao fim, concordo com a maioria do que foi dito neste post sobre Saramago e a razão de tantos detratores do escritor.
Mas confesso que Saramago (de quem fui vizinho de rua quando estudante em Lisboa e com que apenas falava nessa qualidade ao cruzarmo-nos na mercearia) foi um dos escritores de quem fui fã (nunca lhe disse que lia os livros dele), adorei o Memorial, vibrei na Jangada, comovi-me no Ensaio sobre a cegueira e admirei-o nas intermitências e no ano da morte de Ricardo Reis.
Só que depois começou-me a parecer que os livros deles eram variações de tema para manter uma escrita e que as obras se fechavam sobre si e não acrescentavam nada de novo.
Talvez foi com a caverna que senti isso inicialmente, repetiu-se com todos os nomes e já não acabei de ler o Ensaio sobre a lucidez.
Em casa tenho aquela que seria a sua primeira obra ainda à espera de leitura e um dia espero ler o cerco de lisboa…
Dos livros que li dele, ‘A Caverna’ pareceu-me inferior aos restantes. Desde logo pelo excessivo esquematismo das ideias – já para não falar do esquematismo das personagens.
Todos os escritores, por melhores que sejam, têm livros menores. Este, para mim, é um livro claramente menor. Desinteressei-me dele.
trofensesempre.blogspot.com
trofense sempre
Deixe-me dar o meu testemunho: li o Memorial do Convento quando ele foi editado pela primeira vez e fiquei siderado. Li e reli muitas partes desse livro, que me pareceu uma obra prima, e fiquei a admirar o escritor José Saramago; li a Jangada de Pedra e continuei a gostar do Saramago; li Todos os Nomes e gostei, mas não muito; mal comecei a ler o Ensaio sobre a Cegueira, desisti – nem a quinta parte do livro terei lido. Depois disso, acho que nunca mais vou ler Saramago – saturei, se me é permitida a expressão. Mas que ele foi um grande escritor português, na minha opinião, foi.
Nenhum escritor escreve apenas obras-primas. Saramago tinha ideias excelentes para os seus livros. Nuns casos soube concretizá-las de forma admirável, noutros casos não. ‘A Caverna’, na minha opinião, figura entre os livros menos conseguidos dele. Prefiro reler o ‘Memorial’ ou ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’.
curiosidade: será que o sousa lara terá chegado a meio do evangelho?
ou censurou-o (abençoado pelo agora pr cavaco e pelo, agora presidente da misericódia, santana) por ouvir dizer o que não leu?
saramago, afinal um censor (estalinista) (democraticamente) censurado…
quem és tu escritor?saramago (…e está tudo dito).
Saramago fica na história da literatura portuguesa. Os censores, não.
Pedro,
sempre gostei mais do Homem Saramago que da obra, ainda que Homem e obra se misturem. Não conheci Saramago pessoalmente, apesar de me ter cruzado com ele várias vezes.
Saramago foi muito críticado em Portugal e também em alguns meios brasileiros, especialmente aquele meio mais doentio e ortodoxo do catolicismo. Eu, como católico, saí em defesa de Saramago. Ele tinha muita razão sobre a atitude católica ao longo de séculos, e sempre afirmei que se havia alguém mais religioso que um católico esse Homem era Saramago. Ele foi capaz de religar o homem a si mesmo, e de descobrir a transcendência que a Pessoa é. Foi a sua busca, o seu percurso, que o tornou célebre; foi a Pessoa que se distinguiu em oposição ao homem.
Na realidade, Pedro, este distinguiu-se pela Pessoa que foi; e que se mantém.
Eu sou admirador da obra dele. Não sou um admirador incondicional. Mas há livros dele de que gosto muito. E reconheço que existe nas suas obras uma unidade estilística e temática que confere coerência a tudo quanto escreveu.
Conheci-o pessoalmente, cheguei a fazer uma viagem com ele, e gostei de o conhecer. Mas mesmo que não tivesse gostado isso não me levaria a depreciar a obra. Porque sei separar os livros dos seus autores. São realidades distintas, que merecem análises em separado.
Pedro,
para que conste de seus arquivos, quero presenteá-lo com a entrevista de Saramago, em 2003, ao programa “Roda Viva”:
http://www.youtube.com/watch?v=QCACUZly3 DM
Ouvirei com atenção. Muito obrigado pela sua dica.
Também interrompi A Caverna. Não conseguia mesmo ler mais. Depois aconteceu muita coisa na minha vida e passado mais de um ano, voltei a pegar-lhe. Já não o consegui largar até terminar. O livro era o mesmo, eu é que tinha mudado muito.
Curiosamente, ficou-me desse livro uma das mais bonitas descrições sobre os livros e que sei quase de cor, sem o rigor de uma citação:
‘Felizmente, existem os livros. Podemos esquecê-los numa prateleira ou num baú, deixá-los ao pó e às traças, abandoná-los na escuridão das caves, podemos não lhes pôr os olhos em cima nem tocar-lhes durante anos e anos, mas eles não se importam, esperam tranquilamente, fechados sobre si mesmos para que nada do que têm dentro se perca, o momento que sempre chega, aquele dia em que nos perguntamos, Onde estará aquele livro? e o livro, finalmente convocado, aparece, está aqui.’
Obrigada, Zélia, por trazer aqui esta bela transcrição da Caverna.
Os livros do Saramago estão cheios de frases fantásticas, e eu já não me lembrava desta.
E é tão verdadeira…
Obrigada!
🙂
Antonieta
…”Vivi, olhei, senti, Que faz aí o ler, Lendo fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou tão certa, Terás então de ler de outra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida a ler sem nunca ter conseguido ir mais alem da leitura, fica pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a correntes de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser o quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e a pena sua a margem a que terá de chegar, Bem observado, disse Cipriano Algor,..
Diálogo entre o oleiro Cipriano Algor e a filha Marta, na página 77 da 3.ª edição Caminho de A CAVERNA.
Pena que Pedro Correia não tenha passado da página 75 e neste rio não tenha chegado à outra margem.
E desta já não me lembrava eu… Extraordinária!
Agradeço os vossos comentários e em especial à Zélia pelo testemunho que aqui trouxe, tão a propósito. Como tantas vezes tenho escrito, a nossa relação com os livros depende de muitas circunstâncias. Por isso, em regra, beneficiamos muito com as releituras. Sei do que falo pois ando este ano em maré de releituras.
Pedro
Saramago tem duas faces. A da vida pessoal e a da escrita.
Nesta última até ao Ensaio sobre a cegueira li e gostei. A partir daqui não me esforcei e não consegui chegar a meio.
Da vida pessoal, o que é público, não me agrada. Refiro-me DN e aos colegas que ficaram sem emprego por pensarem diferente. Afinal ele acabou a fazer o que haviam feito com ele.
E também ao facto de ter riscado, na reedição dos seus livros, as dedicatórias a Isabel da Nobrega, com quem viveu 18 anos e que muito o ajudou. O passado não se apaga. Muito menos, desta forma.
Finalmente, comove-me a história de amor que ele viveu com Pilar del Rio, pelas mesmas razões que me entristece o caso de Isabel.
Mas, quem sou eu, para julgar o Saramago?!
É isso, Helena. Resumiste tudo muito bem. Neste caso, como em qualquer outro, valorizo sempre mais as virtudes da obra do que os defeitos – reais ou supostos – do homem.