O prazer dos “enta”


fiodeprumo,

Nestas férias tenho relembrado, a títulos vários, coisas do meu passado. Talvez porque ando a rasgar o que não quero que cá fique depois de eu partir. 

Hoje dei com uma carta que o meu filho Miguel me escreveu, por ocasião dos seus 50 anos, depois de uma festa de aniversário que juntou só duzentos amigos. Os que ele considerou terem sido as pessoas mais importantes desse seu meio século de vida, pais e  irmãos incluídos, e Tito Paris a cantar as suas maravilhosas canções.

Infelizmente, ele não viveu o tempo suficiente para dizer, como eu digo, que “o mais importante da minha vida – à excepção dos filhos – me aconteceu depois dos cinquenta”. Nada, mas absolutamente nada do que foram as duas décadas anteriores valerá, alguma vez, o que me trouxeram as duas décadas que se lhe seguiram.

Talvez eu seja caso único, mas nem a peso de ouro voltaria aos trinta ou aos quarenta. Nesses anos só aprendi. Depois dos cinquenta, vivi!

9 comentários em “O prazer dos “enta””

  1. Cara Helena,
    ainda não fiz cinquenta, mas não falta muito. E posso já dizer que os últimos três anos foram dos melhores da minha vida. Libertei-me de muita tralha que carregava comigo, o tempo todo, e aprendi a dar valor ao que realmente é importante.
    Beijinhos

  2. Nas minhas navegações, deparei-me com o seu blogue e não quis deixar de lhe contar uma história, visto que sou uma grande admiradora da sua maneira de estar na vida.
    Fiquei muito cedo sem a minha mãe e fui criada com os meus avós, que me deram muito amor mas me tiraram toda a liberdade, ao ponto de estudar em casa, não fosse o “vento” levar-me…
    Tinha uma vizinha da minha idade que cantava num orfeão, o que para mim não passava duma miragem. Eu aprendi com ela uma peça que eu achava o máximo: o Trai Trai. Ai se eu pudesse…
    Casei-me, fui feliz, mas… nunca pude voar…
    Quando perdi o meu marido, com quase 70 anos, fui para o orfeão da vila onde vivo, Alpiarça, que sei que lhe é familiar, e qual foi a peça que estavam a ensaiar? Pois… o Trai Trai!
    Ao fim de quase 60 anos realizei o meu sonho!
    Ter-me informatizado foi outra conquista… Até tenho um blogue…
    Dou aulas de Inglês na Universidade Sénior…
    Achei que esta história vem muito ao encontro do que a Helena, deixe que a trate assim, está sempre a dizer: nunca é tarde para lutar pelos nossos sonhos.
    Um abraço

  3. Tenho que lhe dizer que não está só quando diz que até aos cinquenta aprendeu e a partir daí começou a viver.Eu não quero de forma alguma viver o que já vivi (exceção às minhas duas filhas) e se me fosse proposto regressar aos 20, 30 ou 40 anos eu não o faria jamais.Quando um dia partir espero encontrar o meu verdadeiro caminho nessa vida que acredito é a verdadeira e não esta onde os homens se atropelam pelo poder material que não os acompanha a lado nenhum apenas lhes dá prazeres momentaneos e produz sofrimento a eles próprios e a tantos milhares, que torna negra (cor que detesto) a atmosfera que os rodeia e prejudica a evolução deste lindo PLANETA AZUL.

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