Um Presidente para governar.


Luís Menezes Leitão,

 

 

Há longos anos, quando era estudante da Faculdade de Direito de Lisboa, a respectiva Associação Académica resolveu chamar todos os anunciados candidatos às eleições presidenciais para que discutissem com os estudantes as suas propostas. Surgiram assim inúmeros candidatos folclóricos, um dos quais aliás era comerciante de queijo da Serra, o que o tornou conhecido como o candidato do queijo da Serra. Mas o candidato que achei mais pitoresco foi um que anunciou vir defender o reforço dos poderes do Presidente da República até ao absoluto. O folheto de propaganda eleitoral que distribuiu continha mesmo um projecto de revisão constitucional e o candidato apresentava-se com o slogan: “Um Presidente para governar”.

 

Foi desse episódio que me lembrei quando ouvi hoje o discurso de Cavaco Silva. O Presidente anunciou há duas semanas que rejeitava a remodelação do Governo, exigia aos três partidos que chegassem a acordo, e que haveria eleições no prazo de um ano. Hoje, lamenta que não se tenha atingido o miríifico acordo que propôs, volta a colocar as eleições no fim da legislatura, e mantém o Governo em funções, exigindo, no entanto, que o mesmo reforce a sua coesão interna. E por isso anuncia que o Governo irá apresentar uma moção de confiança no Parlamento. Pelos vistos Cavaco Silva quer mesmo é mandar no Governo. Mas se é assim, acho que Cavaco faria melhor em renunciar ao cargo de Presidente e candidatar-se a Primeiro-Ministro. Porque se é Cavaco quem decide os acordos de Governo e até moções de confiança, qual é o papel de Passos Coelho como Primeiro-Ministro?

3 comentários em “Um Presidente para governar.”

  1. O Sr.Presidente da República, deixou de ser presidente ao anunciar uma moçao de censura, que é da competência do governo.

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