Logo à noite estarei em El Paso


Pedro Correia,

 

Há uma ponte a dividir dois mundos. De um lado, território dos Estados Unidos – estamos em El Paso, cidade aparentemente pacífica, com apenas meia dúzia de homicídios por ano. Do outro, o inferno na terra: Ciudad Juárez, já no México – a povoação mais perigosa do planeta, onde as malhas do crime ditam a lei. Em 2009, cerca de 2600 foram aqui assassinadas.

Há uma ponte. E, nessa ponte, um cadáver. Precisamente a meio da ponte. Há pontes que unem, mas esta separa. E até o cadáver, ao contrário do que se julgava, vem separado.

O assassínio da juíza cometeu-se de que lado da fronteira? Esta é uma das incógnitas que ficam a pairar desde os instantes iniciais, numa atmosfera nocturna (The Bridge, com reminiscências óbvias do film noir, é uma série inseparável da noite, ameaçadora e viscosa). Outra incógnita relaciona-se com a vida dupla do passageiro da ambulância que fura o bloqueio policial: que mistérios se ocultavam sob a sua verdadeira identidade?

É um policial, claro. Mas parece muito mais que isso: basta olharmos pela primeira vez o rosto magoado da detective Sonya Cross (Diane Kruger), que já viu demasiados corpos vitimados pela violência gratuita ao longo do seu percurso profissional. Entender-se-á ela com Marco Ruiz (Demian Bichir), o seu inesperado parceiro mexicano na investigação do crime, um homem de quem aparentemente tudo a separa?

The Bridge conquistou-me à primeira vista: raras séries o conseguem. Tornei-me espectador fiel. Mais logo, na Fox, são transmitidos, em dose dupla, o primeiro (em repetição) e o segundo episódios.

Não quero saber da crise política nem dos comentadores encartados que falham todos os prognósticos, serão após serão: logo à noite estarei em El Paso.

 

11 comentários em “Logo à noite estarei em El Paso”

  1. O meu problema é que vi a série original e, embora adore a Diane Kruger e até ache que a fronteira entre os EUA e o México pode servir melhor a lógica da série do que a fronteira entre a Suécia e a Dinamarca, conhecendo a trama já não é bem a mesma coisa. Por outro lado, desagrada-me esta tendência norte-americana para fazer remakes e desagrada-me ainda mais a tendência dos canais operando em Portugal para passarem cá apenas os remakes.

    1. JAA: como não vi nada disso que ficou para trás, e não tendo portanto esse poder de comparação, mantenho intacta a capacidade de me surpreender. Sou espectador muito intermitente de séries: aquelas de que mais gostei na última década foram ‘Os Sopranos’ e ‘Segurança Nacional’ (não perdi um só episódio de nenhuma delas). Sobre ‘The Bridge’: durante anos, escrevi notícias, em tempo real, sobre esta fronteira – uma das mais perigosas do mundo. Ao ver agora uma série sobre esta mesma fronteira (que, de facto, em nada pode comparar-se à sueco-dinamarquesa) o meu entusiasmo aumenta. Claro que o facto de a actriz principal ser quem é também contribui para o fascínio, perfeitamente natural. Tendo visto apenas um episódio, no entanto, corro o risco de me decepcionar. Espero que não. A ver vamos…

  2. Não sei a que horas foi postado o post, mas alerto para o facto de que o ep. 1 e o ep. 2 correm HOJE dia 20 às 21.05 na FOX HD, e não amanhã (21). Pelo menos é o que diz o guia da Zon que verifiquei à bocado. Obrigado pela lembrança, aliás, escapou-me uma boa fatia do primeiro episódio e tenho andado à espera para ver esta série.

    1. Tem razão, Vasco. Aproveitei para retocar o texto, repondo a informação que me tinha chegado inicialmente. Também me parece que é uma série a não perder. As primeiras impressões contam muito – e nesta, para mim, contaram.

  3. Também vi o original nórdico e é inevitável fazer comparações.
    Esta “ponte” entre méxico e EUA funciona melhor do que a ponte entre a Dinamarca e a Suécia. Os 2 mundos são muito mais distantes.
    A detective pouco empática (para sermos simpáticos) funciona melhor na versão nórdica.
    O detective mexicano pareceme muito mais espesso, consistente, rico que o original.
    E depois há o problema dos remakes demasiado colados ao original. No 2ª episódio é mesmo falta de originalidade o copy-paste da cena do one night stand.
    Falta de imaginação?

  4. Muito obrigado pela dica! Muito boa mesmo!
    Vim aqui ao Delito para descobrir ideias sobre como sair da desgraça do país… para já, pelo menos, posso abstraír dela por uns momentos.
    Mas voltarei pelo motivo que me levou aqui. Não me desiludam!

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