Quem apesar das contingências destes tempos difíceis mantém algum amor pela profissão de jornalista não pôde esta manhã deixar de ficar ora branco de espanto ora vermelho de raiva com a manchete do Jornal de Notícias. Por vergonha, uma imensa vergonha, nem a reproduzo. O leitor pode no entanto espreitá-la aqui. O JN tem na sua redacção (ainda) grandes profissionais, amantes do rigor e inimigos figadais da ambiguidade barata. Não foi seguramente nenhum deles o autor deste título tão rasca, que nos envergonha a todos.
Uma manchete rasca
modosdever,

Tens toda a razão, Fernando. O autor da manchete é provavelmente um dos coveiros do jornal, que em meia dúzia de anos perdeu mais de 50% dos leitores. Estes labregos fazem títulos destes para vender papel, à revelia do bom senso e do bom gosto, mas não percebem que isto só consegue afugentar ainda mais os leitores.
Assim é, Pedro. Infelizmente muitos media estão a ser geridos e dirigidos por uma classe, como bem dizes, de coveiros e labregos que envergonha o jornalismo e afasta cada vez mais os leitores, com as adivinháveis consequências na construção de uma democracia onde a liberdade de expressão deveria ser irrepreensível.
Infelizmente, neste país há várias classes geridas por coveiros e labregos, e alguns deles até escrevem neste jornal, e mais não digo… excepto que estou inteiramente de acordo, claro
Bem te percebo, Nicolina (viva, gostei deste regresso!).
Em tempos difíceis poucos mantém a dignidade,à espera das moedinhas.Quem resistir neste purgatório terá um caminho para o futuro.Lembra-me o lamaçal na imprensa britânica.
Tem razão, tablóide. Temos que começar a usar botas de cano alto porque o lamaçal também nos ameaça.
Deplorável. Medonho. Carroceiro. Estrebaria. Sem mais comentários.
Disse (quase) tudo, fatima. O que não disse, adivinhamos todos.
O título é miserável, tens toda a razão. É esta sacrossanta mania de transformar tudo em piada, como se o humor fosse uma coisa fácil e acessível a qualquer um. Depois dá nisto.
Ora, bem. O problema acrescido aqui é que este título infeliz não chegou de uma tasca mas de alguém com responsabilidades particulares num meio de comunicação social.
” umas vezes m’espanto, outras m’avergonho ” …
… e outras m’espanto e m’avergonho.
Titulo contra titulo.
” Do Buraco do JN só sai mer***!
Eu não generalizaria, mas entendo o seu ponto de vista.
Num destes dias, os da tasca ainda vos hão-de partir o trombil ao pontapé.
Até acredito que tentem, primo; quem não sabe usar a cabeça, só lhe resta mesmo os pés. Agora, como não gosto nem de ameaças nem de cobardes, não volte a escrever porque será devolvido ao remetente: o lixo.
O mais recente da criatura já recebeu precisamente esse destino.
Este psicopata tem de ser simplesmente barrado, e pronto.
Temos aqui um rotweiller, capaz de parir uma manchetes destas. “Partir o trombil ao pontapé” também dá um bom título. No jornal dos grunhos.
E a julgar pela ameaça o pobre diabo anda em matilha…
Anda a tentar morder o próprio rabo.
Triste o título. Tão triste como outros títulos e capas que passaram sem um único comentário, porque serviam outros interesses. Este, no mesmo timbre, como “ataca” uma desta cor política, já é labrego e tal. Se atacasse o outro, ou outros, já era outra conversa…
Não é a cor política que aqui está em causa, Anónimo, pelo menos para mim; é a ambiguidade javarda e eticamente imprópria do jornalismo.