Política à portuguesa


Rui Rocha,

O primeiro-ministro e o ministro dos negócios estrangeiros, líderes dos dois partidos que suportam o executivo, passam dois anos a tecer loas à estabilidade. Passos Coelho, há 15 dias, criticou a troika por deixar vir a público a existência de desentendimentos entre os seus membros. Depois de vários episódios caricatos nos tempos recentes, Portas e Coelho armam a tenda perante o olhar incrédulo de milhões de portugueses com o estômago às voltas de tantos sapos e suópes engolidos nos últimos anos, rebentando num dia com os resultados que eles (os portugueses) conseguiram com o seu sacrifício. Faz sentido.

 

Paulo Portas apresenta a demissão irrevogável por considerar que a escolha de Maria Luís Albuquerque implica a continuidade da política do governo e que isso é inaceitável. De acordo com as informações que correm, o acordo entre Passos e Portas poderia passar pela continuidade de Maria Luís Albuquerque e pela saída de Álvaro Santos Pereira. Faz sentido.

 

Tó Zé Seguro, Mário Soares, toda a outra oposição à esquerda e uma boa parte dos que têm acesso a opinião publicada passaram os últimos meses a exigir demissões, dissoluções e outras coisas terminadas em ões como eleições. No dia em que  governo está por um fio, apresentam-se muito indignados pelo estouro sofrido nos mercados devido à instabilidade política. Faz sentido.

 

Tudo isto faz mesmo muito sentido. Nós é que não percebemos.

9 comentários em “Política à portuguesa”

  1. C’est la moindre des choses, mas essa da saída do Álvaro não entendo mesmo. Então a perspectiva do Gaspar é que era bera como a ferrugem e o pobre do Álvaro é que volta para o Canadá? Muito trouxa foi ele em ter aceitado vir para esta choça.

    1. A minha ideia há já muito tempo é que quem verdadeiramente incomoda os interesses instalados é o Álvaro (sendo o Gaspar um mero pára-raios). Daí que, a qualquer sugestão de mexida, os sabujos do costume faziam o frete do costume e diziam “Álvaro de saída”. Desta vez não garanto que não seja verdade…
      (Aliás, acabo de ter uma iluminação: a minha dúvida era que histórias Paulo Portas se contaria a si próprio todas as manhãs ao espelho para justificar estas cenas. Se ele conseguir tirar do Governo o empecilho do Álvaro e entregar a pasta a alguém mais cordato, vai ser tão louvado pelo seu sentido de Estado que vai poder convencer-se de que é tão patriota que até sacrifica a sua reputação pelo bem da Pátria!)

  2. Para além de medíocres – o Portas andava a fazer uma espécie de circuito do artesanato no que sobra do 3º mundo – esta gente não tem um pingo de carácter!

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