A aparente ruptura da coligação a nível nacional, por assinalável coincidência, ocorreu 24 horas depois de o Conselho Nacional do CDS ter aprovado a formação de 102 coligações com o PSD ao nível autárquico. Se houver eleições antecipadas para a Assembleia da República, eventualmente no mesmo dia das eleições locais, teremos este paradoxo instalado na direita portuguesa: de braços abertos nas autárquicas, de costas voltadas nas legislativas.
Como escreveu Fernando Pessoa, num dos seus cáusticos poemas sobre Salazar, “o que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem”.

tanta coisa que não faz sentido…como, por exemplo, uma vez dizer que não se deve confundir coligações autárquicas com coligações governamentais e outra vez dizer que afinal sim…
Não há precedente de uma situação destas – o fim de uma coligação nacional em simultâneo com o arranque de 102 coligações municipais. O que aqui se comenta é, portanto, algo inédito.
então o título do post não faz sentdo..
Aparente ruptura ontem, aparente recuo hoje. O que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem.
O que não faz sentido é o PR dar sentido ao sentido que nunca existiu. Ele permite o desmembramento da nação reforçando a falsa ideia que não há vida para além dos partidos, em particular do seu.
Mas tudo isto tem sentido, o sentido conhecido que aqueles que julgam conhecer desconhecem. E este seentido nem sábios nem reis são capaz de interpretar.
Foi a pensar em situações destas que nasceu a palavra implosão.
Isso era de esperar e, de certo modo, é o menos (digo eu!). O que me incomoda é imaginar todas as reformas estruturais que apesar de tudo se fizeram (política do medicamento, código de processo civil e muitas outras coisas que nem sequer imagino porque lhes foi dada relativamente pouca visibilidade em comparaçaõ com “o resto”) a serem imediatamente destruídas pela força dos interesses corporativos logo que abrandar a pressão em sentido inverso.
Lembrei-me agora da expressão ‘tacticismos pessoais e partidários’, vá-se lá saber porquê…
Pouco ou nenhum sentido mas a única coisa que me aborrece verdadeiramente é estarmos ainda, nós, cidadãos, em sentido. Porque, de resto, tenho-me sentido divertida com esta animação. Estávamos a precisar de rir. 🙂
(Eu sei que isto é sério, Pedro, mas à conta disto tem sido um fartote.:))
Rir é o melhor remédio, como ensinavam as Selecções do Reader’s Digest.