JAMES GANDOLFINI (1961- 2013)
Esta coisa das temporadas nas séries televisivas começou a minar a minha relação com a tv. Ficar suspensa de uma história que acaba quase sempre a perder interesse à medida que é prolongada artificialmente para manter audiências não é para mim. Faz-me sentir manipulada, um número no share, sei lá. Mas como em tudo na vida há excepções.
Os Sopranos foi, durante anos, uma dependência. Nem o genérico podia perder, porque os primeiros acordes daquele excelente gangsta rap faziam logo subir a minha adrenalina. Mas claro que o grande responsável pela minha paixão canina foi o fabuloso James Gandolfini, o eterno Tony Soprano que ontem nos deixou. “A vida não tem cura” foi uma das suas frases mais famosas e certeiras. Pena ter-se confirmado aos 51 anos, quando ainda tinha tanto talento para nos dar.


Um actor gigante, em todos os sentidos. Com um talento imenso. ‘Bigger than life’. O seu desempenho como Tony Soprano só equivale a alguns dos mais míticos papéis em clássicos do cinema, como o Vito Corleone interpretado por Marlon Brando em ‘O Padrinho’.
Desaparecida a sua principal figura, o que impossibilita qualquer ‘remake’, ‘Os Sopranos’ tornam-se a partir de agora, definitivamente, uma série de culto. Única, irrepetível.
Já era de culto. Mas agora, como sublinhas, não tem volta. Gandolfini era a alma da série, conseguiu fazer de um assassino um terrível sedutor, tal era a carga humana que passava para o seu personagem. Verdadeiramente insuperável.