Prossegue a Taça Davis em pingue-pongue blogosférico. Depois do confronto renhido entre apoiantes de Martim Neves e de Raquel Varela, temos agora uma disputa taco a taco entre os defensores de Vítor Cunha e os de Inês Gonçalves. De tudo, retiro que nem para o Martim nem para a Inês é conveniente permanecerem muito tempo neste campeonato. Se tomarmos a retórica daqueles que, de ambos os lados, se entretiveram a avaliar a conduta de um e de outro, chegaríamos à conclusão de que nem um miúdo de 16 anos pode ter umas ideias engraçadas e fazer umas t-shirts, nem uma miúda de 18 pode ter ideias políticas e uma visão de sociedade que, não sendo a de outros, é a sua, sem que ele seja apelidado de esclavagista e ela de infiltrada. Se virmos bem, quem se arrogou o direito de etiquetar o Martim e a Inês logo que tentaram pôr a cabeça de fora foi gente velha, velha demais. São os mesmos que virão um dia destes queixar-se de que esta juventude de agora não tem iniciativa, não tem ideais, não tem vontade de intervenção política. É por estas e por outras que, em Portugal, não há cidadania nem empreendedorismo. O espaço está tomado por quem, de um lado e do outro da barricada, teima em ler o mundo a partir de uma cartilha que já não serve. Eu, se fosse ao Martim e à Inês, marcava um encontro e fazia uma parceria. Juntava o melhor que um e outro certamente têm e procurava aliar num único projecto empreendedorismo e cidadania. E não me deixaria envelhecer antes de tempo, escolhendo o meu caminho longe de soluções cansadas, chavões e frases feitas. Quanto à Taça Davis em pingue-pongue, creio que será decidida, como normalmente acontece nestas competições, numa partida de pares.
Ao Martim e à Inês
Rui Rocha,
