Hoje, ouvindo José Carlos Vasconcelos, director do JL, jornalista, cronista, escritor, o homem que, lado a lado com Assis Pacheco (ai as saudades), teve o primeiro programa dito literário na televisão pública, em 1974, um programa chamado: Escrever é Lutar, pensei: Hoje escrever é lutar, é arriscar, é reflectir, é espelhar o que se vê e o que se imagina. Depois cheguei a casa e vi que as eleições autárquicas foram marcadas para 29 de Setembro. Votar também é uma forma de luta. O Instituto Nacional de Estatística diz-nos que a maior abstenção está na faixa etária que vai dos 18 aos 40 – aos 40! -, portanto mesmo que esteja um dia de sol, pensem nisto: votar é um direito e um dever, é uma possibilidade, é ainda uma esperança, mesmo que a democracia possa atravessar momentos duvidosos. Ao escrever isto, aqui onde alguém se encarregará de me dar na cabeça (por favor, não hesitem), sei que escrever é lutar e eu luto, como tantos antes de mim e tantos outros depois de mim, por ter uma opinião, por querer reflectir e não viver alheada e empacotada na realidade que me vendem. Dou graças por homens como o José Carlos, como o Assis Pacheco, como o Rui Zink que há 30 anos que publica e continua a sua intervenção cívica sem papas na língua, louvando ainda tantas mulheres, tantas, como Maria Manuel Viana, Maria Teresa Horta, Inês Pedrosa, Lídia Jorge, entre outros e outras, que pela intervenção cívica e pela palavra não desistem de lutar. Pena que a televisão pública não tenha um programa cultural digno desse nome? Pois.
Já agora, este ano é o ano internacional do cidadão, talvez seja altura de reflectir sobre esse direito à cidadania. Digo eu.

Prezo muito a liberdade e sei que o voto constitui uma significativa expressão dessa mesma liberdade, mas parcial, caucionada, dependente… Não será melhor contar apenas com os votos dos que sentem necessidade de votar? Da mesma forma que a intervenção política esta muito deslocada para o lado do comentário, a decisão sobre o sentido do voto esta muito pendente para o lado da reacção ao momento.
Penso que o mais importante será fazer uma grande pressão sobre os partidos, de forma que tenham vergonha de incorporar elementos de baixo valor e sejam levados a captar bons operacionais.
Aquilo que se considera um bom político, geralmente e um espertalhão!
O futebol parece uma coisa menor mas e um exemplo a seguir. Os clubes tem a preocupação de ter bons e úteis jogadores; até podem ser feios, ter cortes de cabelo foleiros, usar brincos, etc.
Em todo o caso, sei que e importante levar o maior número de pessoas a votar.
O mais decente, numa democracia, não é esperar que os “partidos tenham vergonha” mas exigir mecanismos de controlo efectivos sobre os eleitos.
Tem algum modo de controlar o seu deputado em Portugal? Desde logo não sabe quem é! E não, não tem qualquer possibilidade.
Quer testar isso? Veja quem foi eleito pelo seu círculo e envie-lhes um e-mail a expor um problema – sem ser de carácter pessoal. Espere para ver quem se digna responder-lhe…
Depois, escreva a um deputado inglês de um qualquer círculo, diga que tenciona mudar-se para o círculo dele, pergunte o que pensa ele sobre um qualquer assunto ( do estado das escola à política de ambiente e veja o que acontece). A diferença é humilhante, para nós, portugueses, que sustentamos esta gente.
Portugal é uma mera democracia formal, em que indivíduos do calibre de um Passos, Seguro ou Portas escolhem quem muito bem eles quiserem. Se isto não se alterar, não vale a pena.
Ah, e não esqueça: sempre que falam de dinheiro, estão a falar do seu dinheiro, não do dinheiro deles.
Muito bom.
Deixe-me discordar, a televisão pública tem, pelo menos, um programa de serviço público…”Prós e Contras”.
Na verdade tem um programa que, felizmente, voltou, de uma produtora do Porto. Chama-se Ler +, Ler Melhor e é apresentado pela Teresa Sampaio. Uma excelente profissional. Peço desculpa por este lapso de memória, mas como existiam dúvidas sobre o regresso ou não do programa, pois escapou-me. Um bom fim de semana para todos
Antes do 25 de Abril, o Victorino Nemésio tinha um programa de 40 minutos, o Maestro Victorino de Almeida tinha um programa sobre música, tinha havido um outro com o Prof. Pdre. Manuel Antunes, havia um programa de poesia com o David Mourão Ferreira, havia teatro português habitualmente; lembro-me de um programa sobre ballet clássico – havia umas transmissões – e lembro-me de ouvir o João de Freitas Branco também a falar sobre ópera – havia transmissões de óperas!
O Hermano Saraiva tinha um programa e divulgação de história que concorria em popularidade com o programa do Maestro Victorino de Almeida!
Hoje há o prós e contras? Da D. Fátima? Sério? Meu Deus como evoluímos!
Quanto a votar, só voltarei a votar quando souber em quem, e se puder responsabilizar individualmente o meu representante, isto é, se um voto – que pode ser o meu – pode mesmo ser a diferença.
Estar a referendar escolhas de lacaios, acabou.
Não esquecer o programa do Sr. Eng. Sócrates.
Não há melhor exemplo de serviço público, pago com dinheiro público.
E até somos inovadores, porque não há igual em qualquer outra democracia.
Além do Ler + Ler melhor, eu destacaria o Bairro Alto e o Mar de Letras. Ainda há pouco estive a ver a Rachel Ochoa e fiquei com vontade de comprar um livro dela.
Bom fds!
Antonieta