Acho que nunca uma capa do Economist teve uma imagem tão violenta como esta. Mas a seriedade da crise do euro justifica-a plenamente. Os líderes europeus parecem de facto um grupo de sonâmbulos caminhando para o abismo, insensíveis a tudo o que se passa à sua volta. Mas o mais chocante na imagem nem é o passo decidido dos que caminham à frente, liderados por Merkel e Draghi. O que mais me perturba é ver no canto direito Durão Barroso e Passos Coelho, irmanados e cabisbaixos, seguindo os líderes do grupo como cordeiros no caminho do suicídio.
Neste momento, a situação do nosso país é objecto de comentário à escala mundial, com Paul Krugman a dar Portugal como exemplo de um pesadelo económico-financeiro. Mas imagine-se o que perturba o nosso Ministro das Finanças? O facto de os jornalistas terem dirigido uma pergunta ao Presidente do Eurogrupo e não a ele. Efectivamente só pode ser de sonambulismo que estamos a falar.


Aquele ali ao braço esquerdo de Merkel, quem é ao certo?
– No horizonte, vejo o crescimentoooooooooo… diz Hollande, ao cair.
– Está? Olha, a ligação caiuuuuuuuuu… últimas palavras de Samaras.
– Letta, seguimos juntooooooos… dizia Rajoy.
– O Rompuy ficou lá atrás… observa Letta.
– Pois, eu páro por aqui, diz Merkel.
– Durão? – Durãoooooooo… dizia Passos.
– Foram Passos a mais, observa Draghi.
– Ok, já chega então. É bonito, mas voltamos para trás, diz Rompuy.
Tomara que fosse só sonâmbulismo. São cegos a guiar outros cegos (uns aos outros). Vítor Gaspar se tivesse um pouco de elegância já se tinha posto na alheta. Falta de elegância são as políticas que eles seguem e oferecem aos povos. E num momento em que se fala sobre a elegância do uso da palavra palhaço, eu no lugar do PR já tinha deixado de patrocinar o circo.
E de um enorme desprezo pelo povo. Não concebo a tamanha cegueira de Passos e Gaspar perante a situação dramática vivida por muitos de nós. Definitivamente e de uma forma muito subtil estes dois senhores já estão a tratar da vidinha deles.
Irrelevante.
É o típico título dos media Britânicos.
O Euro é irrelevante para o Problema.