
Faleceu hoje uma das personalidades mais marcantes de todo o séc. XX. Margaret Thatcher foi o exemplo de alguém que soube impor ao mundo as suas convicções, ao mesmo tempo que defendeu sem esmorecer o interesse do seu país. Não hesitou em combater e derrotar os generais argentinos, que se tinham atrevido a atacar as Malvinas sem aviso. Exigiu a devolução do cheque britânico à Comunidade Europeia, obrigando Delors, a quem ela chamava o líder dos funcionários não eleitos, a ceder. E no fim soube opor-se à entrada da Grã-Bretanha no euro, avisando que a Europa só teria uma moeda única quando desaparecesse a Câmara dos Comuns. Nenhum inimigo externo a vencia, pelo que apenas caiu pela desistência dos seus próprios seguidores, que a quiseram substituir por um John Major sem chama. Quando hoje assistimos a governantes sem qualquer convicção, totalmente submissos a imposições externas, temos saudades de personalidades como Margaret Thatcher. Afinal se a Grã-Bretanha não entrou na armadilha do euro que sufoca toda a Europa é a ela que o deve.
A melhor homenagem que lhe foi feita consistiu no nome Dama de Ferro, que curiosamente lhe foi atribuído pelos russos quando ainda era líder da oposição, devido à violência dos ataques que lhes deferia. Ela não hesitou em assumir o epíteto: “Os meus inimigos chamaram-me Dama de Ferro. Estão absolutamente certos. Sou-o mesmo”. Dificilmente a Grã-Bretanha voltará a ter um líder dessa grandeza.

Sim. Foi também a responsável pela destruição dos sindicatos na Grã-bretanha, pela desregulamentação do mercado financeiro – que hoje podemos observar as suas consequências – pelas privatizações em massa, principalmente a dos caminhos-de-ferro que teve consequências desastrosas. Amiga de Pinochet, e aluna de Frederich Von Hayek e da sua Mont Pelerin Society.
Uma palavra sobre isto?
Também soube, com prudência, bater o pé aos chineses. E quando foi o célebre episódio dos hooligans britânicos soube agir como só uma mãe seria capaz de fazer: tratou os tipos como putos, caçou-lhes o passaporte e proibiu-os, durante uma temporada, de entrar em estádios de futebol; acabou-se o hooliganismo. Grande senhora. Mas agora a Inglaterra terá de devolver as Malvinas: a bem ou a mal. Ela ganhou a guerra por causa do apoio do Chile e da América, as mesmas circunstâncias não voltarão a repetir-se.
Sim, ao pé dela, a madre Teresa de Calcutá é uma egoista… Que não ressuscite, já é bom.
Boa síntese, mas há aspectos que talvez mereçam reflexão.
1. Recompôs a parte financeira, mas comprometeu definitivamente a economia inglesa. A Inglaterra arrasta uma economia ultrapassada, disfarçando com os truques financeiros da City… até quando?
2. Reforçou a perspectiva colonialista, ou estava 30 anos avançada (acção de Bush), ou 30 anos atrasada (acção da URSS).
3. Real politik crua… terá telefonado a Kissinger na noite de 4/12/1980?
4. Pela combinação da parte financeira, colonialista, real politik, terá contribuído para trair e encurralar Gorbashev. O “vale tudo” para a queda da URSS terá mais dedinhos da sua mão do que de Reagan.
5. À distância, a sua importância parece uma sombra da importância que Helmut Kohl viria a ter.
Ela aguentou a velha Inglaterra isolada, ele criou a nova Alemanha integrada.