Sócrates, o Gungunhana de Passos Coelho


Rui Rocha,

Devo ser claro. Não acredito na neutralidade política da RTP. E, se alguém por aí acredita, que levante o braço. Alguém? Pois. Ora, é à luz deste ponto de partida e do actual contexto político que deve ser analisado o regresso de Sócrates à RTP. O que temos então? Temos uma televisão pública dependente do poder político. E uma contexto de degradação das condições políticas do actual governo. Olhemos por um momento para o executivo, para percebermos melhor. O primeiro-ministro está, desde o princípio, prisioneiro de promessas eleitorais que foi quebrando, uma a uma. E de um discurso politicamente imberbe ao qual foi adicionando, nos piores momento, uma boa dose de  hostilidade em relação aos portugueses (as alusões à pieguice, ao desemprego como oportunidade, etc.), ao mesmo tempo que mostrava uma intolerável complacência com todas as distorções instaladas. O seu putativo braço direito, Miguel Relvas, revelou-se, pelas razões que todos conhecemos, o seu pé esquerdo. Alguma dignidade que restasse, ficou irremediavelmente comprometida quando entendeu partilhar com o país os dotes de barítono, entoando a Grândola. O ministro das finanças está completamente descredibilizado. Chegámos ao ponto de a Ordem dos Cartomantes, na pessoa do bastonário Marcelo Rebelo de Sousa, se permitir mandar o ministro ver se chove. O ministro da economia, por seu lado, é a nulidade que se conhece, perfil aliás absolutamente alinhado com a intenção governativa inicial de estabelecer um diktat das finanças. O resto do governo, bem, é o resto do governo, com Paulo Portas sempre fora, mesmo nas poucas ocasiões em que está cá dentro. No mais, temos uma situação económica e financeira insustentável, uma dívida impagável, e terminaremos, mais cedo ou mais tarde, por embater (ainda mais) violentamente com a realidade. Ora, sendo tudo isto assim, o regresso de Sócrates ao espaço público e mediático só pode ser entendido como um facto ao qual o actual governo não só não se opõe como, na verdade, deseja. À falta de factos relevantes de governação, de reformas estruturais, de presente e, sobretudo, de futuro, nada melhor do que a exposição periódica do responsável pelo passado. Sócrates, completamente descredibilizado pessoal e politicamente, coisa que só os apaniguados mais veementes e o próprio não entendem, é a cortina de fumo ideal para lançar sobre a situação do país, recordando em permanência aos portugueses quem é o principal responsável pela situação. Que o governo participe nesta manobra de diversão, diz bem da sua fraqueza. Que Sócrates se preste a ser exibido publicamente como o Gungunhana de Passos Coelho só será surpreendente para alguns: aqueles que esquecem a sua imensa vaidade, o seu desproporcionado autoconceito e a entranhada falta de vergonha que sempre ostentou.

14 comentários em “Sócrates, o Gungunhana de Passos Coelho”

  1. Como os socratianos perderam posição através do recuo de Costa, o que se está a passar não passa de uma manobra política para tentar desestabilizar Seguro.

    Só um povo sem memória é que não aceitará incluir Sócrates na história deste país, pelos piores motivos e razões. Espero que a anunciada presença na RTP sirva para definitivamente repô-lo no deserto do qual quer sair, a ele e aos socratianos.

  2. Pelo sim, pelo não, é bom não esquecer que o homem terá 30 minutos de ecrã, de cada vez que vier botar letra.
    Se lhe bastaram escassos minutos na Soborne para dizer que as dividas não são para ser pagas, e com isso atingir um nível de audiência inédito, imagine-se que agora, decide exigir públicamente da UE, da Troica e do BCE, uma indemnização para o país, devido à má qualidade do desenho?

  3. Não sejam ingénuos nem pensem que Sócrates o é, ele a dormir joga melhor o jogo mediático que o governo todo acordado…

  4. A “estratégia” que estará por detrás desta “contratação”, revela que afinal o desespero é muito maior do que se pensava. Para este governo já vale tudo. Com cabecinhas como o Relvas a congeminar a estratégia politica do governo, o resultado só pode ser o desastre.
    Convidar o Sócrates para comentador da RTP, revela antes de tudo uma enorme falta de respeito pelos portugueses em geral, e pelos que elegeram e têm apoiado este governo, como é o meu caso, em particular.
    Por isso, já enviei um email para o PSD a solicitar a minha desvinculação de militante do partido.

    1. Mas então sempre é verdade o PSD e que manda na RTP, que palhaçada

      “Por isso, já enviei um email para o PSD a solicitar a minha desvinculação de militante do partido.”

      1. Não sei se o PSD manda na RTP ou não. O que eu sei é que um convite destes não podia ser feito sem o conhecimento do governo. Porque se por hipotese absurda a admnistração da RTP tivesse feito o convite a Sócrates sem consultar o governo, a esta hora já teria de estar demitida.
        nesta matéria o governo não tem perdão: ou poe acção, ou por omissão.
        Cada um bate palmas aos palhaços que gosta mais. Desconfio que o caro Fernandes se está a preparar para se fartar de aplaudir os comentários do Sócrates na RTP!
        Nota: ainda sobre quem manda na RTP; estou convencido que o PCP através da comissão de trabalhadores e o PS através dos inumeros amigos e amigas que lá tem na redacção, mandam muito mais que o PSD! é só ver os telejornais!

  5. RTP-Refúgio de Trampa Putrefacta.
    Seja que for o autor desta golfada imunda aqui leva.
    Eu não quero acreditar. A RTP, a nossa RTP que sustentamos vai servir-nos um embalsamado ainda salpicado de fresco com o nosso sangue? Que nojo!
    Perante uma cag@da destas toda e qualquer revolta violenta é legítima. Ponham-se a pau senhores que se julgam intocáveis. Quando menos esperarem vão levar porrada de criar bicho. Sadam foi enforcado por bem menos.
    A petição só assina quem quer e o programa do dito vê quem quiser, mas eu é que não tenho que pagar.

  6. Tenham lá calma. Vai-se a ver e a RTP contrata Ana Leal para fazer esses 25 minutos com o Poussin de Suza.

  7. A isto e a tudo o que tem acontecido neste País há uns anos a esta parte , eu chamo de
    ” O TRIUNFO DOS PORCOS ” .

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