Lá estão eles… guardiões de memórias Dos tempos em que os homens arriscavam a vida, Douro a baixo Douro a cima. Desde a Régua, Barca Dálva, Pinhão Trazendo o néctar a Gaia. Esse vinho de refinado bouqué, Criado nas encostas de xisto Rasgadas em sucalcos,à força de músculo, com ferro de aluvião, como quem rasga o ventre da mãe, em que foi gerado e, na ânsia de se dar, se solta, encosta a cima, às costas do homem, em cestos de vime, até ao lagar. Depois, encosta a baixo, em carros de bois ronceiros, chiadores, que é preciso ir calçando amiúde, não vá a carga despencar-se, ribanceira a baixo. Lá estão eles… testemunhos de uma luta de anos; o homem contra os elementos, contra a pobreza, sempre com a coragem ao seu lado. Depois, chegando à foz, Gaia, descarregava os pipos. Seguiam até à ribeira onde o mestre recebia, de barrete na mão, a parca paga pelo transporte e a distribuia pelos da campanha. Tostões que nos bolsos eram guardados, só o tempo de chegar à primeira taberna, e depois de uma parte se gasta num meio-quartilho de verde tinto, a outra se gastava num recanto entre as pernas de moça. Um néctar tão inebriante, quente e doce, quanto o que nas pipas viajaria para inglaterra…
Ah, Badalamenti… Excelente banda sonora, sem dúvida. Mas tenho de confessar: quando vi o Mulholland Drive pela primeira vez fiquei tão entretido a olhar para as duas actrizes que nem me apercebi da música. (Quem diz a verdade não merece castigo.)
E a ponte, senhores, a ponte que tantas vezes atravessei, desde os dois ou três anos de vida. Ambos os tabuleiros, a pé, de autocarro, de trólei, de carro… E também, hélas, de metro de superfície, numas férias, há uns anos (o tabuleiro superior, claro).
É preciso ser muito mau fotógrafo para os conseguir tornar feios, Cristina. 🙂 E – nha nha nha nha nhaaam – eu ainda atravessei a ponte – a pé, pelo tabuleiro inferior – na Quinta-Feira passada.
O tabuleiro inferior é mais indicado para atravessar a pé. Acho o corrimão do superior muito baixo, houve uma altura na minha vida que tinha medo de tal caminhada. Era na altura em que havia um movimento louco de carros e autocarros, durante todo o dia. E tudo tão estreito… E a ponte abanava que se fartava… Admira-me nunca ter havido um acidente grave! (Ainda bem que não houve).
Já agora, e correndo o risco de tornar este comentário longo, com banalidades, lembrei-me de uma história: Acordei, há cerca de dez anos, uma manhã, aqui na Alemanha, com o rádio/despertador a dar as notícias. Ainda estremunhada, ouvi a jornalista germânica falar de um acidente grave em Portugal, uma ponte que caíra, arrastando um autocarro e alguns carros consigo, na cidade do Porto!!! Ela disse mesmo na cidade do Porto!!! Levantei-me com o coração aos pulos. Pensei logo na Ponte de D. Luís, fiquei muito angustiada e não descansei, enquanto não telefonei à minha mãe, que me disse que tinha sido uma ponte em Castelo de Paiva (o que não minimiza o acidente, mas, enfim, não era a D. Luís). Pois, para uma locutora alemã, Castelo de Paiva e Porto eram a mesma coisa! Uma ponte, continuou a minha mãe, onde passámos tantas vezes… Não te lembras? Não, não me lembrava (nem lembro). É que, na verdade, nasci em Castelo de Paiva e morei lá até aos 4 anos. Até mudarmos para Vila Nova de Gaia. Já agora: o jaa conhece a Rua 1º de Maio? (Não fica longe do local destas fotografias)
O tabuleiro superior da D. Luís, agora, é bem mais sossegado, só com o metro 😉
Lá estão eles…
guardiões de memórias
Dos tempos em que os homens
arriscavam a vida, Douro a baixo
Douro a cima.
Desde a Régua, Barca Dálva, Pinhão
Trazendo o néctar a Gaia.
Esse vinho de refinado bouqué,
Criado nas encostas de xisto
Rasgadas em sucalcos,à força de músculo,
com ferro de aluvião, como quem rasga o ventre
da mãe, em que foi gerado e, na ânsia de se dar,
se solta, encosta a cima, às costas do homem,
em cestos de vime, até ao lagar.
Depois, encosta a baixo, em carros de bois ronceiros,
chiadores, que é preciso ir calçando amiúde,
não vá a carga despencar-se, ribanceira a baixo.
Lá estão eles…
testemunhos de uma luta de anos; o homem contra os elementos, contra a pobreza, sempre com a coragem ao seu lado.
Depois, chegando à foz, Gaia, descarregava os pipos.
Seguiam até à ribeira onde o mestre recebia, de barrete na mão, a parca paga pelo transporte e a distribuia pelos da campanha.
Tostões que nos bolsos eram guardados, só o tempo de chegar à primeira taberna, e depois de uma parte se gasta num meio-quartilho de verde tinto, a outra se gastava num recanto entre as pernas de moça.
Um néctar tão inebriante, quente e doce, quanto o que nas pipas viajaria para inglaterra…
Quem é que escreveu isto, Bartolomeu? Você?
Ófecórce jaa.
Não me tome por plageador…
😉
Belíssimo!
Obrigado. A quem não tem jeito para o desenho só resta a fotografia – e tentar apanhar a realidade num bom momento.
:((
… até consigo sentir o silêncio.
http://youtu.be/GuLSIEOznwY
………… turn around
Ah, Badalamenti… Excelente banda sonora, sem dúvida. Mas tenho de confessar: quando vi o Mulholland Drive pela primeira vez fiquei tão entretido a olhar para as duas actrizes que nem me apercebi da música.
(Quem diz a verdade não merece castigo.)
Tonto … :))
Beijinhos carregadinhos de sol!! Eu acredito nos seus olhos, continue …
Ficaram bem bonitos 🙂
E a ponte, senhores, a ponte que tantas vezes atravessei, desde os dois ou três anos de vida. Ambos os tabuleiros, a pé, de autocarro, de trólei, de carro… E também, hélas, de metro de superfície, numas férias, há uns anos (o tabuleiro superior, claro).
É preciso ser muito mau fotógrafo para os conseguir tornar feios, Cristina. 🙂
E – nha nha nha nha nhaaam – eu ainda atravessei a ponte – a pé, pelo tabuleiro inferior – na Quinta-Feira passada.
O tabuleiro inferior é mais indicado para atravessar a pé. Acho o corrimão do superior muito baixo, houve uma altura na minha vida que tinha medo de tal caminhada. Era na altura em que havia um movimento louco de carros e autocarros, durante todo o dia. E tudo tão estreito… E a ponte abanava que se fartava… Admira-me nunca ter havido um acidente grave! (Ainda bem que não houve).
Já agora, e correndo o risco de tornar este comentário longo, com banalidades, lembrei-me de uma história:
Acordei, há cerca de dez anos, uma manhã, aqui na Alemanha, com o rádio/despertador a dar as notícias. Ainda estremunhada, ouvi a jornalista germânica falar de um acidente grave em Portugal, uma ponte que caíra, arrastando um autocarro e alguns carros consigo, na cidade do Porto!!! Ela disse mesmo na cidade do Porto!!! Levantei-me com o coração aos pulos. Pensei logo na Ponte de D. Luís, fiquei muito angustiada e não descansei, enquanto não telefonei à minha mãe, que me disse que tinha sido uma ponte em Castelo de Paiva (o que não minimiza o acidente, mas, enfim, não era a D. Luís). Pois, para uma locutora alemã, Castelo de Paiva e Porto eram a mesma coisa! Uma ponte, continuou a minha mãe, onde passámos tantas vezes… Não te lembras?
Não, não me lembrava (nem lembro). É que, na verdade, nasci em Castelo de Paiva e morei lá até aos 4 anos. Até mudarmos para Vila Nova de Gaia.
Já agora: o jaa conhece a Rua 1º de Maio? (Não fica longe do local destas fotografias)
O tabuleiro superior da D. Luís, agora, é bem mais sossegado, só com o metro 😉
As pontes unem o que o nevoeiro separa…