Eu dispensava dizer-te.


letraspequenas,

Chegou para matar a fome, sempre a dele, à minha frente, e a dos seus, que só presumo, e trazia novidade. Tinha ido a uma entrevista! e vinha cheio de esperança. Fosse a arrumar prateleiras, a entregar mercadoria ou até sentado à caixa, desde que revisse a tabuada, haveriam de o meter. Que alegria, meu menino, quando a vida pode mudar. Saberás o que te espera? O que é estudar e trabalhar, essa rima incessante, desde que o sol se ergue até à hora do jantar? Uma pessoa não quer ver alminhas desta alvura a perderem inocência. Sabes quanto vais ganhar? E levar para casa?

7 comentários em “Eu dispensava dizer-te.”

  1. Porque penso saber do que a Gui Abreu Lima fala (tenho um filho a trabalhar a recibos verdes), estou em completa sintonia….Obrigada, Gui, por se se lembrar dos “trabalhadores-precários”.

    1. Independentes, claro. E a maioria do trabalho que ainda resta é o quê?
      Mas veja-se aqui exactamente e aproveite-se, querendo, para assinar a Petição http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N32394

      Obrigada Mariana! O seu menino, se tiver de almoçar (5 euros, pelo menos) e pagar o Passe Social (35, no mínimo) deve levar 100 euros para casa. Valha-nos Deus. Hoje o seu, amanhã os meus…

  2. Só falta saber é porque foi ele protestar numa manifestação de gente que ainda quer mais socialismo. Deve querer mais impostos…

    1. Luck, não vejo “gente que ainda quer mais socialismo” muito menos que deva “querer mais impostos”. Por muito que se torçam para politizar o sentido das manifestações, não me convenço. As pessoas saem à rua porque se sentem realmente injustiçadas. Para elas, hoje, os partidos são lixo, o voto de nada vale e as ideologias estão podres. Era bom que os políticos começassem a perceber que a realidade é essa.
      Demarca-se de quem se foi manifestar, mas são os seus compatriotas, Lucklucky!

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