a manifestação, o papa e o aniversário do avô que acabou de morrer há meses


Patrícia Reis,

Pensamos que podemos resolver tudo ou que tudo passa, os clichés do costume e depois ficamos no marasmo de sempre, na queixa, a ver se a manifestação encheu o Terreiro do Paço ou nem por isso, a dizer que não fomos por termos uma agenda lixada, por termos amigos no governo que também precisam de trabalhar.

Pensamos que podemos explicar aos mais novos que a responsabilidade do que se faz e do que se diz tem consequências e que gozar e repetir anedotas sobre o papa, este ou outro, é lamentável, é uma falta de respeito. Sim, a Igreja tem defeitos. É feita por homens. Os portugueses têm tendência para arranjar logo meia dúzia de graças e a coisa passa, até ao próximo jogo de futebol.

Depois percebemos que faltam dias  para o aniversário do avô, que morreu há uns meses. Pensamos que podemos sobreviver e damos de caras com uma fotografia dele, uma fotografia com os netos e bisnetos no aniversário do ano passado.

E aí a vida torna-se outra coisa.

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