Para acompanhar os cocktails, elementos da companhia de teatro do absurdo apareceram na manifestação com pudins molotov.
A princípio, tal pareceu estranho a muitos observadores mas no instante em que, ao carregarem sobre os manifestantes, vários elementos da força de intervenção escorregaram aparatosamente nas claras e no doce de ovos que cobriam as pedras da calçada, a ideia tornou-se um êxito. Nos dias seguintes, as autoridades foram motivo de troça na televisão, na rádio, nos jornais, nos blogues, no Facebook e no Twitter, tendo o gozo atingido o zénite depois do ministro da Administração Interna anunciar que a polícia iria ser equipada com calçado antiderrapante. Na imprensa estrangeira surgiram múltiplas referências à originalidade de que os portugueses davam mostra, ao protestarem com canções e sobremesas. Exceptuando meia dúzia de defensores do governo, insistentes na opinião de que estragar alimentos não era forma adequada de marcar posição em tempo de crise, todos concordavam que fora uma das mais eficazes manifestações de sempre. Havia, no entanto, um ponto sobre o qual parecia impossível atingir consenso: na televisão, na rádio e em jornais, mas especialmente em blogues, no Facebook e no Twitter, continuava a debater-se com afinco se o nome correcto do pudim era «molotov» ou «molotof».

Pudins molotov… e Grândola, Vila Moleza.
A Vila Moleza é Grândola?! 2
http://www.rtp.pt/programa/tv/p2205