«Depondo como quem descansa o peso da sua tiara virtualmente anacrónica e renunciando nela a uma “eternidade” inumana por uma outra visão mais cristã do tempo de Deus como não-poder, o mais suave dos papas não dilacera a túnica sem costura do Cristo (há tantos séculos dilacerada). Restitui-lhe o sentido e o esplendor da única eternidade que conta aos olhos de um cristão. E que não é a do ouro e seu peso de sangue, nem da glória e sua ilusão, mas a da consciência do seu nada no espelho do tempo mortal do nosso coração.»
Eduardo Lourenço, no Público
