Lembro-me que quis calar a cidade e suspender os movimentos, fazer de tudo uma estátua. Havia um céu enorme, desmanchado em luz, que quis desligar. E não consegui esquecer os eléctricos que passavam, levando e trazendo pessoas com destino. Aparentemente o Mundo convivia bem com o mais trágico dos acontecimentos, abrindo a ferida, para usar um eufemismo. E fiquei a pensar na cobardia do Mundo perante a morte. Volto aqui sempre que me morre alguém e dou comigo a pedir desculpa por, também eu, participar dessa cobardia. À família e aos amigos do João, um enorme abraço.

Adolfo, no momento em que tentou calar a cidade, tenho a certeza, que mais nada pairou sobre si, a não ser a graça infinita do João Carvalho…que de longe escutou os seus pensamentos…concordo com a ” cobardia do Mundo ” que convive tão desmesuradamente indiferente ao trágico.
O João haveria de ler o seu sensível texto comovido, como eu também fiquei!
Que coisa tão bonita de se sentir e de se dizer, Adolfo.
Naqueles dias, ver a cidade agitar-se como se nada tivesse acontecido foi algo que me transtornou. Não serei caso único, imagino:)
Um beijinho, Ana.
Sei exactamente o que queres dizer. É insuportável a indiferença do mundo perante o que, num momento desses, é o nosso centro do mundo. Toda a ligeireza nos parece imoral.
A Família do João agradece as suas palavras.