LA COGIDA Y LA MUERTE A las cinco de la tarde. Eran las cinco en punto de la tarde. Un niño trajo la blanca sábana a las cinco de la tarde. Una espuerta de cal ya prevenida a las cinco de la tarde. Lo demás era muerte y sólo muerte a las cinco de la tarde. El viento se llevó los algodones a las cinco de la tarde. Y el óxido sembró cristal y níquel a las cinco de la tarde. Ya luchan la paloma y el leopardo a las cinco de la tarde. Y un muslo con un asta desolada a las cinco de la tarde. Comenzaron los sones de bordón a las cinco de la tarde. Las campanas de arsénico y el humo a las cinco de la tarde. En las esquinas grupos de silencio a las cinco de la tarde. ¡Y el toro solo corazón arriba! a las cinco de la tarde. Cuando el sudor de nieve fue llegando a las cinco de la tarde cuando la plaza se cubrió de yodo a las cinco de la tarde, la muerte puso huevos en la herida a las cinco de la tarde. A las cinco de la tarde. A las cinco en Punto de la tarde. Un ataúd con ruedas es la cama a las cinco de la tarde. Huesos y flautas suenan en su oído a las cinco de la tarde. El toro ya mugía por su frente a las cinco de la tarde. El cuarto se irisaba de agonía a las cinco de la tarde. A lo lejos ya viene la gangrena a las cinco de la tarde. Trompa de lirio por las verdes ingles a las cinco de la tarde. Las heridas quemaban como soles a las cinco de la tarde, y el gentío rompía las ventanas a las cinco de la tarde. A las cinco de la tarde. ¡Ay, qué terribles cinco de la tarde! ¡Eran las cinco en todos los relojes! ¡Eran las cinco en sombra de la tarde! * Ao João Carvalho
Até já, João *
lauraramos,

Levem-no os anjos ao Paraíso.
Estou sem palavras. O nosso querido João estará sempre e para sempre connosco.
Perdi um grande amigo. Um homem tão bom. O maior conhecedor da língua portuguesa que conheci. João Carvalho é uma perda muito grande para todos os que honram a seriedade, amizade, cultura e liberdade. Paz à sua alma, Até já, João.
É sempre com tristeza que vemos alguém partir! Estamos habituados aos seus escritos, ao seu sentido de humor e vamos sentindo a falta disso mesmo. Não conhecia o João Carvalho pessoalmente, mas sinto a falta dele. Não me sei exprimir melhor.
Através do Delito deixo as minhas condulências à familia. Até breve.
Mas que bela homenagem. Ouvi-o muito antes de o ter lido e ainda me lembro do que senti!
🙁
“…Al brillar un relámpago nacemos,
y aún dura su fulgor cuando morimos;
¡tan corto es el vivir!
La Gloria y el Amor tras que corremos
sombras de un sueño son que perseguimos;
¡despertar es morir! …”
(G.A.Bécquer)
( não sei dizer mais nada…)
à família e aos amigos, um grande abraço. há momentos em que as palavras, se não forem escolhidas como a laura as escolheu, são demais.
A alvura glacial do bosque – que viste -, nesta invernia que fizeste entrar em casa e no meu corpo, não é nova para mim, desafortunadamente, mas é tremente e temente, como que a lembrar-nos a condição fortuita, anátema acompanhante desde o ventre da Mãe e paulatinamente ciente desde os alvores de eros.
Por entre a nuvenzinha do teu cigarro, a tua face, sempre esperta e humorada, acompanhava à perfeição a seda chinesa do teu roupão discreto de tons mas exuberante de flora. Respondias com carinho às invectivas ternas da Fernanda a propósito. Vejo-te ainda nesta janela-porta por onde diferencio com angústia a noite caindo. Foi uma visita curta na longa amizade frequentada de ausências e silêncios. O tal travo do podia ter sido ou feito sinto-o a arranhar nas aortas. Nada adianta quando tudo se atrasa, paradoxo infalível e inevitável. Como este passo que deste, involuntário e indesejado, mas dado. Um dado lançado com o primeiro choro. Um choro que é dos teus (a Mãe, a Xanda e a Eduarda e a Maria João, queridas amigas) e que é nosso.
Isto quer dizer o quê?
Bolas! Apetece-me dizer m… para isto. Não fazem ideia do número de vezes que estive para vir aqui perguntar pelo João, meter-me com ele, dizer-lhe que andava preguiçoso, que queria mais lições de português, etc, etc. Mas contive-me. Desde o dia que me disse, numa caixa de comentários, que veio ao Porto por razões de saúde que senti, pressenti, intui…
Não o conhecia, nunca o vi, mas vou ter muitas saudades dele. Um abraço, João.
Também pressenti que havia qualquer “coisa”.
De facto os seus posts sobre os Açores, que eu apreciava, tardavam … está explicado. Que descanse em paz.
Já vim aqui mais do que uma vez mas não me sai uma única palavra. Talvez amanhã, quando tiver conseguido digerir a notícia.
Até sempre, João. O Lorca, tão bem escolhido pela nossa Laura, fala por mim.
É isso, Laura: o João continua connosco.
Foi às 5 que me disseram, minutos eram apenas do depois.
Que lugar comum, João, o Lorca,… mas no momento não consegui mais nada do que esta facilidade difícil da coincidência.
Pois foi, não me saiu mais nada do que a grandeza do óbvio acidental.
Depois da Ana, eras o meu anfitrião-mor no Delito. E, por isso, aqui serei sempre uma intrusa sem ti. Porque este blogue és tu, em grande medida.
E quanto tu nos defendias… e quanto tu entendias de edição…e quanto isto precisava da tua intervenção ordenadora.
És nosso e assim continuarás. Para sempre.
Um dia deste sairá qualquer coisa de que não te envergonhes…
Intrusa? Que ideia, Laura! Comparada com o João eu sou uma péssima anfitriã, não te iludas. Sou tão distraída quanto ele era atento a todos os pormenores do Delito. E já se começou a notar a falta dele: o Adolfo e a Patrícia ficaram sem parabéns oficiais no dia dos anos. Imperdoável e muito mea culpa, é o que sinto neste momento embora ninguém me tenha incumbido da tarefa que ele cumpria irrepreensivelmente, com carinho e cuidado. O João será sempre um bocadinho nosso, tens razão. É bom saber isso.
É isso mesmo, Ana: com carinho e cuidado, umas rabugices bem merecidas…
Eu bem lhe ouvi umas prédicas ultimamente, que logo se esvaiam no sal da bondade.
Tudo sempre, sempre, com carinho e cuidado. De fundador.
Gostei muito, foi muito bem escolhido Laura.
Tenho a certeza absoluta, que o João nunca se sentiu, nem sentirá envergonhado.
Um grande beijinho para ti.
Ao João Manuel,
Eu e o João éramos amigos desde os nossos 14 ou 15 anos. Tendo-nos conhecido ainda tão novos, fomos ao longo dos anos vendo crescer e solidificar uma amizade que durou até ao presente. Era, portanto, uma amizade para a vida. Vários interesses comuns de adolescentes, o modelismo, os carros, as motas, as corridas (não perdíamos um circuito de Vila do Conde ou de Vila Real), foram apenas o início do percurso. Mais tarde, já homens feitos e depois de Abril, despertámos para a realidade das coisas e aí começou um novo ciclo de causas e interesses. Um dia – início dos anos 80 – desapareceu e soube mais tarde por um amigo comum que tinha ido para Macau. Durante esse período longo, o pouco que ia sabendo dele chegava-me precisamente através desse amigo. Reapareceu-me um dia, finais de 90’s, com um daqueles grandes sorrisos estampado no rosto e um forte abraço que só os grandes amigos têm para dar, mesmo quando deixam de ser ver durante quase 15 anos. E então, sim, sentimos uma alegria imensa quando, ao reabrir-mos o “estojo” da amizade, vimos que tudo continuava impecavelmente conservado. Depois, foi Lisboa, os Açores, mas não mais nos perdemos de vista.
Há cerca de 2 anos, telefonou um dia a dar-me a novidade que tinha de vir ao Porto para fazer uns “exames”. Eu, que tinha recentemente perdido uma amiga íntima, vítima de doença cruel e brutal, (não tenho tido sorte com os amigos mais chegados), desde então acompanhei-o o mais que pude. A amizade, intacta, reforçava-se agora ainda mais pela força das circunstâncias adversas. Ambos sabíamos que isto não ia ser fácil, mas apesar disso, nunca permitimos que a alegria, o bom humor e o riso contagiante se afastassem dos nossos encontros frequentes. Sempre brincando, com aquele seu inigualável, inteligente e aguçado humor, dizia-me constantemente: “o teu defeito é estares sempre a rir-te”. E, logo de seguida, a rir, concluíamos que ambos tínhamos o mesmo “defeito”. Era uma onda, uma terapia que brotava naturalmente e que, sem receita nem doses certas, ambos sabíamos ser essencial para minorar o mal que começava a consumi-lo.
A recta final foi dura, muito dura mesmo, e com resignação mas nunca perdendo a esperança nem a coragem, tu foste capaz de dar luta até ao fim.
“A um amigo nunca se diz adeus”, já aqui alguém escreveu, e bem. Por isso, meu querido amigo, digo-te um “até já, João”. Vemo-nos na próxima corrida.
Aos amigos não se agradece Luís e, por isso, não vou agradecer estas palavras que tão bem descrevem a vossa amizade.
Sei bem, o quanto importante foi a tua companhia, inclusivamente nas consulas, onde não queria nenhuma das irmãs presente (para não nos deixar preocupadas).
Espero que tenhas razão Luís, e, nos encontremos na próxima corrida.
Um beijo com carinho para ti.
Foste sem dúvida, um Grande Amigo! E o João nunca te esquecerá, tenho a certeza.
* :\