Há as pessoas que estão caladas por não saberem ou não fazerem questão de mostrar que sabem. Há as pessoas que falam do que não sabem. Há as pessoas que falam do que sabem pelo prazer que isso lhes dá ou para esconder o que não sabem. Das pessoas que falam do que sabem, algumas sabem pouco e tornam-se chatas. Outras esforçam-se por saber cada vez mais e são fascinantes – ou, para os que não querem saber ou não sabem aceitar as capacidades alheias, incómodas.
Sendo que – e se calhar apenas isso conta – começamos todos por saber zero e acabamos todos mortos.

Coitados é dos gagos, que têm de fazer tudo isso a cantar.
🙂
E, cada vez mais, a ignorância é uma benção…
Pronúncia: não quero saber. 😉
E?
a) o homem é um ser dotado de comunicação consciente.
b) nessa ordem partilha sentimentos, raciocínios, e tece normas.
c) se sabe x ou não, só comun-icando.
d) no silêncio wittgensteiniano nada surgiria.
e) a treta do homem ser “social” é espuma, pois é no oceano do ser que reside a linguagem ou como Heidegger o habitáculo do ser, e este é comunic-ante.
f) …sendo o “comum” conseguido de linguagem, temos a gramática, a etimologia ou a ortografia, isto é, a norma, a memória ou a técnica…o conhecimento vem depois produto daqueles alicates.
g) não se perturbe pois com os que não falam ou, falando, não sabem. Importa que você ou qualquer um de nós diga, fale…para dizer “não sei” no mínimo da arquitectura comunicante.
Torcato: uau. Quase não me atrevo a responder a um comentário que inclui Wittgenstein e Heidegger. Eu não me preocupo com os que não falam (às vezes invejo-lhes a capacidade de se manterem calados) mas com frequência gostaria de saber o que pensam. Já os que falam sem saber (reconhecendo – o que complica as coisas – que todos o fizemos e voltaremos a fazer) incomodam-me um pouco porque muitas vezes as suas posições têm tanto ou mais peso que as dos restantes. Quanto ao “não sei”, é fundamental mas, infelizmente, é muitas vezes tido como fraqueza – quando, na minha opinião, a fraqueza está em não querer saber.
Há chatos em todos esses géneros, jaa… nos que sabem muito também. Nem sempre a chateza depende do grau de sabedoria. Mas sim, concordo contigo: em princípio prefiro sempre os que acham que não sabem tudo sobre tudo.
Eu acho que não sei nada sobre nada.
Não seja presunçoso. 😉
Serve, mas não é muito original… já o Sócrates (o verdadeiro, não o usurpador do nome) dizia o mesmo. 🙂
Hmmm, sim, uma categoria que me escapou: as que sabem muito e estão convencidas de que sabem tudo. E depois há quem tenha dificuldades de expressão e não consiga exteriorizar de forma minimamente interessante – ou até inteligível – tudo o que sabe. Caramba, isto é interminável.
Só não é interminável porque… acabamos todos mortos. E os mortos, benza-os Deus, raramente são chatos.
Por estas e por outras eu penso como Freud: “o homem é escravo daquilo que fala e dono do que cala”.
Certo, André. Mas:
a) Isso seria se não nos pudéssemos contradizer sem grandes consequências;
b) Levar a mensagem a sério representaria o fim de imensas coisas – incluindo dos blogues;
c) Eu sou mais da linha do grande – e ligeiramente verboso – Vladimir Nabokov, que mantinha Freud como um dos seus ódios de estimação.
🙂
Eheheheh! Muito bom! 😉