Durante o debate do Orçamento de Estado para 2013, o deputado do PSD Virgílio Macedo afirmou, para justificar a taxa de 23% aplicável à restauração, que Portugal tem restaurantes a mais. Mais tarde, esclareceu que não tem conhecimento directo da situação: dizia apenas o que ouviu às associações do sector, como a AHRESP. Ora, já se sabe que a parcela da felicidade terrena a que cada população pode aspirar depende muito da qualidade dos Virgílios que lhe cabem em sorte. Os romanos, por exemplo, tiveram o Virgílio deles. A nós, calhou-nos o Macedo. E vá, o Virgílio dos Leitões. Ora, voltando ao prato principal, é verdade que Portugal tem mais restaurantes do que a média europeia (um para cento e tal habitantes em Portugal contra um para trezentos e tal na Europa, creio). Mas, o ponto essencial não é esse. O que está em causa nas afirmações do Virgílio doméstico é a utilização de um imposto para promover a eliminação do excesso. O entendimento da política fiscal como forma de eugenia económica: só os restaurantes mais fortes sobrevivem porque são capazes de resisitir ao ataque tributário. Pela mesma ordem de ideias, seremos levados a pensar que o aumento de IRS estará também relacionado com o facto óbvio de existirem, hoje por hoje, demasiados portugueses. Como se vê, pode encontrar-se em tudo isto um fio condutor, uma lógica virgilio-macediana. Todavia, noto que há aspectos da realidade que lhe escapam. Veja-se o caso dos idiotas. Há, em Portugal, um claro excesso de idiotas (para que não fiquem dúvidas, devo esclarecer que não tenho conhecimento directo da situação: digo apenas o que ouvi à AIESP – Associação dos Idiotas e Estúpidos de Portugal). Ora, não se viu até à data que alguém propusesse a idiotice, por si mesma, como facto sujeito a tributação. Nem lei que tipificasse certos Virgílios como sujeitos passivos de imposto agravado. É por isso que dificilmente nos veremos livres de tal flagelo. Tal como dizia Virgílio, o da Eneida, não o Macedo, eles podem porque pensam que podem. O que é, desde logo, uma estranha maneira de pronunciar os efes.
Assim dizia Virgílio
Rui Rocha,

Ainda bem que há muitas ofertas…
Concordo, Francisco.
E parece que há muita velhada e pouca jbentude, pelo que o IRS devia malhar forte nos coitados que andam a cair da tripeça e, sei lá, ser negativo para os menores de 35 anos, que nem sequer podem ser presidentes da república nem nada.
E com uma sobrtetaxa para os doentes.
sobretaxa já eles têm, rui. agora imposto por ainda estar vivo, depois disto tudo, ainda eles se irão lembrar. espantosa também é a escalada de falta de pudor desta gente, de repente não têm já receio de mostrar a sua verdadeira face e dizerem realmente o que pensam: na verdade milhões de nós estamos a mais neste país… há que deslocalizar tanta gente e um primeiro degrau para o inferno parece ser o desemprego. depois logo se verá…
Excelente post, meu caro Rui. Como sempre!
Parece que estamos na antiga URSS em que o Estado definia tudo. Até o número de restaurantes, está de ver. Estes rapazes podem, podem…
Podem e não é pouco, Helena.
Escreveu que “o aumento de IRS estará também relacionado com o facto óbvio de existirem, hoje por hoje, demasiados portugueses”, mas eu, neste aspecto, não me parece que o amigo tenha sido rigoroso. Não me parece que o aumento esteja relacionado com o aumento do número de portugueses, assim secamente. Aceitaria, isso sim, que existem, hoje por hoje, demasiados portugueses a comer à mesa do orçamento. Assim estaria melhor, parece-me.
No resto, concordo inteiramente. Não é bem assim: também me parece que o número de deputados é demasiado elevado. E que o Macedo, no mínimo, foi um “desinfeliz”…
Pode ser, TA. Mas, se há demasiados a comer na mesa do orçamento, e se isso é um problema, então a solução não pode ser aumentar impostos para continuar a dar-lhes de comer.
Também penso que não se podem aumentar mais os impostos e que seria melhor reduzir o número de comensais, ou, então, servir-lhes uma dieta mais pobre.
PS – Eu sei que a palavra pobre é politicamente incorrecta, mas não me ocorreu outra mais apropriada.
Há claramente deputados a mais mas o pior é que em todos o nível de estupidez crónica nos mesmos é inacreditável. Os exemplos são tantos que não será possível reproduzi-los todos aqui. Alguns exemplos recentes:
1- A fantochada a que chamaram “estudo” sobre a água da torneira versus engarrafada.
2- Os comentários ultrajantes (para o contribuinte) acerca dos “Renault Clio” dos deputados, demostra bem a (falta de) inteligencia de quem os proferiu.
3- As discussões no Parlamento. Alguns minutos de visionamento do “canal parlamento” demonstra que o nível de argumentação do “debate” está bastante abaixo de uma qualquer conversa entre mongolóides profundos.
Caríssimos, creio que inadvertidamente apaguei alguns comentários. Se foi o caso, apresento as minhas desculpas e estou ao dispor para os aprovar se entenderem repetir.
Terá sido uma virgiliana maldição?
Este deputado, como aliás muitos do PSD e CDS poderiam passar directamente para um Partido Comunista ou Fascista e não se daria pela diferença.
O desejo de controlar a vida dos outros está sempre presente na maioria desta gente.
Se controlassem a vidinha deles já não seria pouco serviço.
Pode-me explicar, assim por conceitos simples, por que raio haveriam os restaurantes pagar menos que a taxa normal?
Não, não posso. Até porque não tenho a certeza que isso faça sentido. O que posso garantir-lhe é que não faz sentido defender uma determinada taxa de imposto, para restaurantes ou retrosarias, com o argumento de que á muitos estabelecimentos.
Claro, mas podemos sempre pensar, como no comentário acima, que este senhor deputado resolveu virar estalinista, e então o argumento terá alguma lógica… tendo em conta a visão desta ideologia sobre papel do estado. Agora o que nunca percebi é onde se enquadra o facto de se ter uma taxa intermédia para algo como a restauração. É que não se admite que seja um “produto de primeira necessidade”. É como eram o golf ou os ginásios (no caso do golf não tenho ideia qual será a taxa neste momento) – o resultado de um lobby de uma certa classe.
Agora o que nunca percebi é onde se enquadra o facto de se ter uma taxa intermédia para algo como a restauração. IECO007105.html
A restauração propriamente dita – restaurantes com dimensão industrial – praticamente não existe em Portugal. O que existe – e sempre existiu – é um pequeno comércio familiar que antigamente era designado (e muito bem) por casas de pasto – uma espécie de tabernas onde se pode comer com talheres. Muitas dessas unidades nasceram exactamente da necessidade de alimentar uma família numerosa que retribuia com serviço gratuito. São essas pequenas casas de pasto, absolutamente incapazes de gerar receita que suporte o aumento tributário, que estão a fechar aos milhares actualmente e muita fome virá a muitos por causa disso. Conheço o número suficiente de casos para fazer estas afirmações com toda a certeza.
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Parafraseando o Miguel, agora o que eu nunca percebi é como é que justifica ter uma isenção de IVA para algo como a banca:
http://www.dinheirovivo.pt/Guru/Artigo/C
Caro Rui, vamos tentar ser minimamente justos com o Virgílio. O coitado, farto de ouvir aquele paleio de que o aumento da taxa de IVA para 23% vai ser a morte de milhares de restaurantes, apenas desabafou: muitos restaurantes vão desaparecer, não por causa dos 23%, mas por serem demasiados.
Claro que, como de costume naquela casa, quando alguém se atreve ingenuamente a dizer uma verdade, após a onda de calafrio, vem à tona toda a indignação serôdia e hipócrita de quem anda habituado a almoçar no Parlamento lagosta regada a Cartuxa por €3,95.
Posto noutros termos: o Virgílio não defendeu “a utilização de um imposto para promover a eliminação do excesso”. Apenas tratou de apontar a existência de um excesso, aventando que ele será inexoravelmente corrigido, independentemente da taxa de IVA. Os 23% certamente que acelerarão a correcção; mas não serão o factor determinante.
Alias, o que está verdadeiramente em causa nem são os tais 23%; pelos empresários da restauração, até podiam ser 50%. O problema mesmo é começar a ter de passar factura…
Há muito se percebeu que para esta trupe, há coisas demais, em demasia.
É pena que não haja ninguém que tenha a sensatez de lhes dizer que também há gente a mais a querer mandar.
Há cromos a mais na assembleia, a juntar aos vigaristas, era uma razia que se impunha….
toda uma ideologia por detrás: podem e vão continuar a poder enquanto houver virgilios como este. a entrevista ao primeiro também trouxe outras iluminações sobre o que desejam estes virgilios para o nosso país: uma educação onde ainda há folga constitucional para cortar – a insinuação de que as propinas no secundário podem ser uma opção- a saúde e … sinto um rumor de botas remendadas a chegar. um país em que há demasiados portugueses e que necessariamente muitos, muitos deles irão ser reconduzidos às porqueiras de onde não deveriam ter saído. tempos de chumbo…
É muita gente a viver acima das nossas possibilidades, Rui. Nunca na vida trabalharam. Saiem directamente do conforto dos lares para os palácios em veículos luxuosos. Muitos nem saberão se chove ou se faz sol. Têm apenas que beijar uns ranhosos e umas peixeiras duns quantos em quantos anos. É isto que a gente sustenta. Sacos vazios de ideias com a respectiva pança cheia.