Durante uma viagem a Hamburgo, li o mais recente livro de Ian Kershaw, Até ao fim, que retrata primorosamente a obstinação cega de um regime, apostado em prosseguir uma política que se sabia não poder ter qualquer êxito, mas que os governantes asseguravam ir prosseguir, contra todas as evidências, por mais sofrimento que causassem ao povo. Mesmo depois da queda de Viena, Hitler limitou-se a dizer: “Berlim continua alemã. Viena voltará a ser alemã. E a Europa nunca será russa“. No fim, isolado de tudo e de todos, atirou as culpas para o mesmo povo alemão que antes glorificara: “Se o povo alemão não consegue passar por esta prova, não merece o que preparei para ele“.
Ao ler o livro não pude deixar de dar razão aos que têm estabelecido um paralelismo com a presente realidade na Europa, e especialmente em Portugal. O discurso constante de que não há outra alternativa que não seja prosseguir neste caminho, por muito sofrimento que venha a causar. A simultânea culpabilização e elogio do povo sofredor que num dia é piegas, noutro dia é o melhor povo do mundo. E finalmente o constante anúncio de um final feliz para algo que já toda a gente percebeu ser uma tragédia. Hitler dirigia exércitos imaginários no seu bunker de Berlim, assegurando ir alcançar a vitória. Vítor Gaspar, apesar de reconhecer que há “riscos e incertezas,” anuncia a recuperação económica para daqui a um ano.
O orçamento para 2013 foi aprovado pelo Parlamento. O Presidente utilizou a ironia para anunciar não querer saber das “pressões de vinte corporações e mais de cem individualidades” para que o enviasse ao Tribunal Constitucional. O país está irremediavelmente condenado a cair no abismo. Até ao fim.


Sim, concordo com sua última afirmação. O país cairá, e o PR já deu indicações que a este OE não se oporá. Vítor Gaspar fala-nos agora em médias no que respeita ao PIB, para poder dizer que se referia à média quando o número for maior que 1%.
O que Vítor Gaspar não disse é como que, na óptica dele, essa recuperação económica se fará no segundo semestre de 2013. E porquê acontecer só no 2º. semestre.
Por outro lado, também não consigo compreender como é que a taxa de desemprego descerá (em 2016) com a previsão de crescimento de 1,8% do PIB, quando todos os indicadores referem que a haver contratação a mesma só ocorre com crescimentos na casa dos 3%. Será que Vítor Gaspar tem em mente uma maior desvalorização do salário que nos aproxime de salários abaixo da linha da miséria?
Agora deixo a minha opinião, creio que este OE está aí para justificar um futuro novo resgate, e continuarem a empurrar com a barriga a nação até que haja um perdão parcial da dívida. Todavia, a ocorrer isto, estaremos de tal forma debilitados que continuaremos a ter Portugal nas mãos de todos, menos dos portugueses.
Esqueci-me de comentar a ironia daquele escrito do “nunca capitularemos”, “wir Kapitulieren nie(t)”, que se encontra na capa do livro.
E aqui temos mais um post de um apoiante da Teoria Económica de José Sócrates – que aliás é só em questão de grau é diferente da Teoria Económica de Passos Coelho e de todos os Governos que nos levarão até aqui, em suma:
Viva o Défice! Viva a Dívida!
Mau… ainda esta coisa de se comparar a Alemanha (pós) nazi com Portugal arruinado…
Não pode ser, pá.
Os alemães é que sabem, sempre souberam e continuarão a saber.
O problema é que nós andámos a viver “acima das nossas possibilidades”…
Pois, pá.
A (barda) Merkel vai aumentar em 11% os seus velhinhos, para ver se ganha as eleições.
E ganha!
Não, que não ganha!
Por cá também foi assim que o Cavaco e o Sócrates renovaram as respectivas maiorias.
Lá como cá, o pessoal quer é aumentos e poucas chatices.
E se agora os reformados alemães vão ter aumentos à nossa custa, nos saudosos tempos dos nossos ex-grandes chanceleres foi vice-versa.
Quando uns precisam, outros ajudam.
Se não é isto que é a “solidariedade”, então não sei o que é…
Hitler dirigia exércitos imaginários no seu bunker de Berlim
Não eram exércitos nada imaginários, pelo menos a avaliar pelas brutais perdas que infligiram aos russos. Por exemplo, só na conquista de Berlim, o exército alemão perdeu 93.000 soldados, mas o exército russo perdeu três vezes mais: 300.000 homens.
A conquista da Europa de Leste pelo Exército Vermelho foi tudo menos um passeio por entre exércitos imaginários. A Rússia sofreu perdas muitíssimo maiores que as da Alemanha.
Nada mais errado !
De Janeiro a Maio de 45 a retirada alemã foi tão rápida que tanto a oeste como no leste o avanço aliado não a conseguia acompanhar devido há falta de provisões!
A carnificina de Berlim deveu-se sobretudo ao facto de os generais russos terem ordens expressas de Estaline para conquistarem Berlim antes de 2 Maio daí não terem ligado nenhuma (pouco ligavam) ás baixas sofridas!
A resistência alemã das 2 ultimas semanas foi cerrada e na maior parte dos casos não foi efectuada por unidades regulares do exército mas por unidades de fanáticos e das Waffen SS que tinham já assumido quase por completo o comando do exército regular pois este já não inspirava confiança (os oficiais que o comandavam) á cadeia de comando do regime Nazi desde o atentado de 20 de Julho de 44.
Quanto á comparação com o momento em que vivemos é de facto similar pois traçou-se um rumo do qual não há volta possível e alegremente uns e outros continuam na ilusão de que sairão vitoriosos sendo que apenas o Povo Português e Portugal estão condenados por muitos e muitos anos!
A mentira de uns e a arrogância de outros trouxeram-nos aqui e vamos continuar a cair sem vermos o fundo do precipício !
Obviamente já todos percebemos que a estratégia de combate ao despesismo falhou , não foi a correcta e apenas e só os aparactiks que beneficiam com a situação vão dando bitaites a favor. Tal como o ano passado (ano perdido) o orçamento não será cumprido pois assenta em previsões ilusórias e lá para Maio 2013 sairá mais um rectificativo. As causas PPP , Empresas do Estado , Municípios , reformas douradas , benesses de todo o tipo para empresas privadas Monopolistas do despesismo , benesses de cargos públicos , Fundações e afins ) não foram atacadas e não serão , apenas e uma vez mais se atacou o pouco tecido produtivo nacional com impostos de usura , impostos sobre quem ainda trabalha e já nada consegue poupar, continuar da destruição de algumas funções do estado (ensino , saúde) que iam contribuíndo para uma ideia de agregação de todos e limitavam a cultura do cada um por si que destroi na minha opinião os mais básicos alicerces de uma vida em sociedade.
Pessoalmente o que mais lamento é o facto de saber que muitos se sentem enganados por artistas que continuam a tratar de si (aliás como sempre) e já atiraram a toalha ao chão.
Não sou adivinho e sou pessismista por natureza e sabia no meu ser que PPC seria bem pior que JS mas nada me preparou para tão vil momento em que se sente em cada momento a destruição de um Pais e de um Povo em favor de umas pseudos elites com os seus interesses.
Excelente reflexäo!
Parabéns