Noite, noite…


letraspequenas,

 

Como eu hoje te esperei. Como queria as tuas horas, tão diferentes das dos dias. Sabes lá o que elas são. Nem sequer te vou contar. Esperei tanto que viesses, que me visses. Vês-me noite? Eu aqui à tua beira, debaixo do teu nariz? Pára de me atirar estrelas, que me estragas o vestido. Gostas dele noite? Que beleza tens trazido. Já ontem te calculei. Toda a semana desconfiei. Sabia. Era hoje que te via. Até o passei a ferro.

Noite, noite, fica noite até ser dia. Com as tuas horas sem pressa, sem que nada lhes aconteça. Lentas, mudas, belas, surdas. És um presente do céu. O melhor que alguém me deu. Sabes noite, o que eu gostava? Ao teu colo voava, no prenúncio da aurora. Sim. De ir aos lugares onde te metes. Por aí fora. Saudades? De noite não se é o mesmo. Pensei que sabias isso. Na noite, noite, pouco ou nada quer o dia.

 

17 comentários em “Noite, noite…”

  1. Também sou noctívago, absurdamente noctívago. A calma, como a petulância, da noite é o meu verdadeiro sossego e ansiolítico. Excelente noite.

    (A família é grande, seremos primos…?)

    1. dormem as ânsias do dia, acredita-se num sossego qualquer 😉 grande é a noite, tenha a sua, Paulo… AL !

      (Quem sabe, tenho um. Em Beja. Somos minhotos, de Ponte de Lima. Diga-me lá… )

  2. Pensei em comentar com algo romântico, transformando prosa numa visão imaginária, encantada e magnânima, da noite, mas depois lembrei-me do quanto nos sufoca de ânsias e nos vergar com recordações.

    Hmmm… daí que seja apologista de um desfrute dionisíaco durante a noite, que culmine num despertar amnésico durante a manhã. =x

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