Escândalo: Zorrinho não quer bife todos os dias (já um A5 alemão é que vinha mesmo a calhar)


Rui Rocha,

Os portugueses costumam dizer também que “quem come a carne deve roer os ossos”. Ora a Sra. sabe como as dificuldades de Portugal favorecem o seu País. A Alemanha tem hoje uma moeda subavaliada e financia-se a taxas negativas. Nós temos uma moeda sobreavaliada e a nossa economia tem crédito caro e minguado. Não lhe ficava mal partilhar carne com osso. Nós não queremos bife todos os dias, mas temos o legítimo direito a uma “alimentação” saudável para podermos trabalhar e progredir.

11 comentários em “Escândalo: Zorrinho não quer bife todos os dias (já um A5 alemão é que vinha mesmo a calhar)”

  1. Mais uma zorrice do Zorrinho. São os ares da Azaruja, onde estas palermices são paridas ao fim-de-semana, depois da viagenzinha de ida e volta no A5 pago com a ajuda da Mme Merkell.

  2. Querida Merkel,

    sê bem-vinda a este país de história, tradição, glória e conquista.
    Obrigado pelo trabalho que tens feito. Pela primeira vez nos últimos trinta anos este povo galvanizou-se e começou a entender que a história, tradição, glória e conquista tem de ser re-equacionada .
    Obrigado por nos fazeres a quase todos pobres, porque tenho a expectativa que os pobres também deixarão de ser forretas.
    Obrigado por nos ajudares a ver que a nossa dita elite é vazia de projectos, pobre em soluções, fraca nas atitudes e paupérrima a empreender.
    Obrigado por desconjuntares os nossos fracos alicerces e obrigar-nos a edificar uma sociedade mais virada para o Outro que para nós mesmos.
    Obrigado por mostrares a cada um de nós que o Sol não gira em torno de nosso umbigo.
    Obrigado por transformares os obesos banqueiros em pedintes, ainda que estes entendam que os outros pedintes têm a obrigação de manter seus caprichos; esta merda está mal e também vai mudar. Aqui não te agradeço em nada.
    Obrigado por nos teres feito calar a boca ao teu anterior púpilo e por nos teres mobilizado contra os actuais.
    Muito te tenho a agradecer, restando-me agora pedir-te que pagues as despesas dos F16 que colocámos nos ares para tua protecção, que nos compenses pelos transtornos que tua visita causou à produção nacional, que pagues os gastos com a polícia e com as refeições que para ti e tua comitiva confeccionámos. Peço-te também que passes pelo Banco Alimentar e deixes umas peças de vitela para serem distribuídas pelas elites deste país, porque nós os pobres contentamo-nos com sardinhas em lata.
    Em tudo o mais que não tens feito não te agradeço nada.

  3. Tornou-se num lugar tão comum dizer mal da chanceler alemã, que vou ensaiar o contrário: elencar razões para dizer bem dela. Não para aqueles que, como Louçã, num momento de demagogia que só lhe fica mal, a tratam por assaltante; menos ainda para os que a comparam com Hitler (num branqueamento inacreditável do líder nazi). Apenas me dirijo aos que, como eu, desconfiam de tudo o que parece demasiado simples. Que não acreditam que a culpa de todos os males resida numa pessoa.

    Omito propositadamente o que ela tem feito mal (da obstinação da austeridade ao enviesamento com que vê a cultura dos países do Sul). Sublinharei apenas os seus aspetos positivos. Ei-los:

    Está a defender o Euro e, ao contrário do que o seu próprio eleitorado pretendia, não empurrou a Grécia (os próximos seríamos nós) para fora da moeda única; não ensaiou, ao contrário do que defenderam muitos economistas do Norte da Europa, a ideia de duas moedas distintas dentro da zona Euro (uma para os países de economia forte e outra para os de fraca); tem travado e mantido nos mínimos, dentro do seu país, a extrema-direita xenófoba que tem singrado noutras latitudes europeias, da Finlândia à Holanda, da Áustria à Suécia; tem recuado em diversas matérias a que começou por se opor, nomeadamente no papel do BCE ou na possibilidade de Eurobonds. Apesar de atacada por ter fragilizado a economia alemã com a defesa da unidade europeia, mantém esse rumo.

    Merkel desempenha um papel que qualquer chanceler alemão obrigado a submeter-se a votos desempenharia. O seu eleitorado (e o eleitorado do SPD, não nos esqueçamos que foram os socialistas finlandeses que colocaram em causa o auxílio a Portugal) pretende penalizações muito maiores para o Sul. Os tabloides alemães, os comentadores, aqueles que intervêm nos fóruns da Internet fazem Merkel parecer uma amante da Grécia, Portugal, Espanha e Itália.

    É fácil chamar-lhe nomes. Difícil é o princípio da tolerância: tentarmos ver as coisas do seu ponto de vista, e depois interrogarmo-nos como se faria substancialmente diferente.

    1. Nem mais: a senhora tem que agir de forma tal, que não ponha em causa a sua reeleição. Não ver isto, não é ser cego, é não querer ver…

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