Afinal em que ficamos?
Quando um bispo profere uma diatribe contra o capitalismo, a esquerda aplaude a mãos ambas.
Quando Isabel Jonet, talvez com excessiva candura, diz a mesma coisa embora a partir de outro ângulo, cai o Carmo e Trindade.
Um das razões porque o actual Papa merece toda a consideração ideológica de quem se lhe opõe, é porque ele, brilhante teólogo, colocou as coisas em pratos limpos: a Igreja Católica nunca se acomodou nem se acomodará aos princípios do Iluminismo. Alguns desses princípios, aliás de vincada índole protestante, são a legitimidade da acumulação da capital – os judeus, lembram-se? –, a certificação do esforço individual, a bondade da progressão social.
Além da Fé e da Esperança, a Caridade integra o motto do catolicismo. A frugalidade, a temperança, são os valores que devem levantar-se contra o consumismo desenfreado. A parcimónia e a modéstia opõem-se à especulação e ao enriquecimento, os quais, cegam a virtude e roçam a imoralidade. A gratidão e a obediência, são barreiras à propensão capitalista para o tumulto e àquela nefasta espécie de inquietação social que faz os homens quererem sempre ter mais do que já têm. Sim, quanto mais conservador é o discurso clerical, mais se assemelha às bandeiras de uma certa esquerda portuguesa. Tão arreigado quanto isto é o pior da herança salazarista que persiste em não desaparecer, tão amplo quanto isto é o arco nacional contra a livre iniciativa.
Isabel Jonet limitou-se a reiterar os valores morais que sempre defendeu, os quais costuma pôr em prática com boa-fé e boa-vontade. Para quem nunca os partilhou, embora considere louváveis os resultados, qual é a surpresa?


Olha lá… se isto não é transmissão de pensamentos…
Um envolvimento em pinça! Les bons esprits…
Inteligentemente posto, patrício. Como sempre.
Isabel Jonet diz que perdemos hábitos de prudência tão mais necessários porque todos vamos (estamos já a) viver pior.
E a isto responde-se com a questão da auto-limitação da razão, que o Papa Bento XVI refuta, com a herança salazarista, com Weber apressado (não havia magnates católicos na Idade Média? Ledo engano!), o costumado antagonismo entre os valores católicos e o mundo moderno.
Uma refeição pesada, quando uma sanduíche bastava.
Max Weber por aqui?
Não diria melhor. Assunto encerrado.
Só agora li. Concordo. E aplaudo.