Os programas de “debate” onde não há contraditório – todos dizem o mesmo, com uma ou outra variação de pormenor – são a prova evidente de que existe uma enorme distância entre a “democracia” televisiva e a democracia real.
Pluralismo zero
Pedro Correia,

Isto da democracia tem muito que se lhe diga…
Pois tem, caro António Agostinho. E é sempre incompleta e é sempre imperfeita. Mas convém não abusar da imperfeição. Para que democracia não se confunda com monolitismo.
Democracia mesmo, segundo a TV (qualquer canal) é “milhares de pessoas”.
E não é só em Portugal. Ele é “milhares de pessoas” em Lisboa ou no Porto, mas também em Atenas, em Madrid, em Barcelona, em Roma, no Cairo, etc.
Não há telejornal onde não colem várias vezes a expressão “milhares de pessoas”.
(E eu na mesma: milhares de pessoas, no meu modesto entendimento, tanto podem ser 2 ou 3 mil como 60 ou 70 mil, ou coisas parecidas).
Eu depois de ter visto quatro senhoras sentadas num banco de jardim público em Bragança serem apelidadas de ‘manifestantes’ numa reportagem televisiva já não me admiro com nada…
Uma constatação óbvia e empírica fundada na realidade quotidiana. Pergunta: nenhum editor, pior, nenhum director de Informação percebe isso de “mais do mesmo”?
Alguns não percebem mesmo. Também por isso é que há cada vez um divórcio mais acentuado entre as pessoas e a generalidade dos órgãos de informação.