Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Ninguém contesta que a SIC Notícias, a TVI 24 e a TSF prestam um bom serviço público. E são privadas. Ao invés, a programação da RTP Internacional é medíocre. Apesar de ser do Estado. Conclusão: é um erro sobrevalorizar o público e estigmatizar o privado ou vice-versa. Num e noutro há coisas boas ou más.»

Luís Marques Mendes, no Correio da Manhã

12 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Claro que num e noutro há coisas boas e más, mas falando das boas, só no público é que programação sem interesse comercial, destinada a minorias, será possível. Ou serviço público é só informação?

    1. Nada melhor para deitar abaixo o serviço público do que colá-lo sempre e só à informação. É apenas o que é mencionado quando se discute serviço público. É uma forma de o menorizar, de lhe retirar importância. Na informação é onde menos se consegue distinguir serviço público de informação dita comercial.

  2. Ainda me recordo de estar a trabalhar no Egipto e ligar a televisão enquanto tomava o pequeno-almoço, assistia às notícias da manhã e ria com “…agora as últimas do trânsito… trânsito complicado no IC19… descida da Pimenteira com paragens… acidente na segunda circular…”

    Para quem está/vive fora, realmente a informação sem a qual pode passar logo de manhã é a do trânsito dos arredores de Lisboa e Porto.

    1. Situação hilariante!

      Eu tb penso o mesmo quando às 8h, na RTP1, em rodapé,está sempre a passar em loop, o tempo nas principais capitais mundiais (em cima da info de trânsito).
      Somos assim tão viajados? “Antes de saír de casa, deixa-me só ligar a RTP1 para ver se tenho de levar o casaco para Bratislava”

  3. O que o autor do texto queria dizer, certamente, é que “num e noutro há coisas boas e más”, ou seja, há de tudo e não apenas umas coisas ou outras!

  4. Só se falou e ainda se fala em RTP pelo movido de poupar dinheiro, essa é a base donde partiu a discussão. Que se argumente, mas não vamos agora estar a ofuscar ou a tentar mudar a questão de fundo.
    As vezes parece que há entidades neste país que apenas estão interessadas em meter a mão nas taxas e o resto é conversa de santo de pau oco. Se assim se verificar, vou por certo investir num sistema gerador de electricidade, e, para mim deixa de haver conta de luz e taxa para pagar. (pensamento da minha semana)

  5. A verdade é que comparar canais/rádio, de intuito informativo e didáctico – e que inevitavelmente terão uma outra qualidade cultural -, com um canal generalista, como a RTP, RTPI.. me parece ser algo demasiado, como: “Puxar a brasa para a sua sardinha“.

    Por outro lado, e tendo em conta que apenas ligo o televisão para ver as notícias, admito que me agrada mais o estoicismo em que são apresentadas na RTP. Aliás, nem me parece que as restantes estações generalistas (Sic e Tvi) cumpram qualquer tipo de dever cívico para com os telespectadores; muito pelo contrário.

  6. Acho que posso comentar sem sequer opinar (implicitamente que seja) sobre o que fazer com a RTP ou o que entender como “serviço público”.

    Informação, entretenimento, cinema, teatro, tele-escola, relações públicas, propaganda, desporto, música, boletins metereológicos, e restantes hipotéticos itens: vivo há quinze anos diante de uma tv que pode receber a RTP-I e a RTP-África. São muito maus. Preguiçosos e desinteressantes.

    O que fazer com a RTP? Não sei. Mas alguém poderia acudir aos canais I e África. Para lhes fazer qualquer coisa.

  7. Tal como o facto de as empresas públicas terem sido até agora mal geridas não significa que a solução tenha que ser privatizá-las todas, também o facto de o serviço público da RTP ter muitas falhas não significa que devam ser os privados a ter essa incumbência.
    Num e noutro caso a solução é fazer as coisas bem feitas.
    Até porque, se levarmos até às últimas consequências esta mania de privatizar tudo, qualquer dia não haverá Estado. Nem, obviamente, governo. E depois, como é que fingimos que vivemos numa democracia?

  8. Para mim, que pura e simplesmente não vejo a RTP 1, nem África, nem Internacional, nem SIC, nem TVI, e pouco a RTP 2, o serviço público que me interessa é o da RTP Informação, que partilha a minha atenção com a SIC Notícias e a TVI 24.
    Ou seja, para mim é muito importante haver informação pública, a par com informação privada.
    Quanto mais diversificada ela for, mais garantias me dá.
    Assim, quando vejo uma notícia na RTP Informação, sopeso-a com a dos outros dois canais de informação e tiro as minhas conclusões.
    Contrariamente ao que julgam os fundamentalistas das privatizações, a “res publica” faz falta…
    Como diria o Saramago: “Privatize-se tudo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos”.
    Obviamente, não se trata aqui de ofender quem quer que seja, que bem sei que se trata de um blogue de gente educada e também eu procuro sê-lo. É apenas um desabafo… com uma citação do único prémio Nobel da Língua Portuguesa, por mais que isso custe a alguns… portugueses.

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