Cunha escondida com a Vera de fora


Teresa Ribeiro,

Há coisas que não mudam.

 

Adenda: diz que afinal não foi cunha, foi estímulo.

23 comentários em “Cunha escondida com a Vera de fora”

  1. É um procedimento comum em todos os sectores sociais do nosso país, até acho devia estar contemplado na nossa Constituição. Tipo: «Só tem oportunidade aquele que tiver padrinho para o nomear»
    Se calhar soa a ditadura, talvez por isso não tinha cabimento numa constituição democrática.
    Enfim, o tempo passa mas a essência do cocó é sempre a mesma.
    O Bloco canhoto é que sabe bem como é que a coisa é feita, por sinal, nem se dá ao trabalho de disfarçar.

  2. Realidades imaginárias;
    Director IEFP Tavira: – óh Clarinha (a secretária) faça lá aí um anuncio no Gilão (jornal da terra) para admitir uma educadora ali para o jardim de infância sff.
    Clarinha – Óh sr. Director olhe que agora temos que fazer ali pelo portal do emprego na net!
    – óh que diabo… então e isso é donde?
    – na net…
    – mas aqui em Tavira?
    – hum?
    – se fazemos aqui em Tavira! irra não entende o que digo?
    – Sim fazemos, basta entrar no site e colocar o anuncio…
    – hum… claro, então trate lá disso e no fim fale comigo.
    Entretanto enquanto espera pela Clarinha o director recebe um telefonema.
    -Tou, és tu Verita?
    – sim padrinho sou eu.
    – olha aquilo do lugar ali no jardim tá garantido, só que tem que ir ao portal na net.
    -Hum?
    -Pois aqui a Clarinha tá a tratar de tudo
    – Pois mas então assim, se o torna público…
    – Não é nada público! É o portal da net!
    -Oh padrinho não vê que assim toda a gente fica a saber do lugar?
    -Hum? então mas o portal da net é só uma forma de coiso o anuncio… para depois eu meter lá o teu nome e ficas assim escolhida!
    -Tem a certeza padrinho?
    -Ora então quem manda aqui? Claro que sim Verita! Olha e tu tás bem? a mãezita já tá melhor das cruzes?
    (nisto entra a Clarinha)
    -Sr. Director… er… já fiz o anuncio… agora é só colocar no portal… qual a data limite para as candidaturas?
    Hum? Candidaturas? quais candidaturas???
    – então para o lugar de educadora…
    -Tou Verita logo te ligo tá bem?
    -Oh… Oh… Oh Clarinha chega lá aqui… não te lembras de eu te ter falado na Verita, a educadora que é minha… afilhada?
    -er… sim aquela novita que estava no outro dia aqui no gabinete…
    -Pois essa mesmo! anda tão necessitadita de trabalho sabes? e por isso a ver se lhe calhava esta posiçãozita… Já a mandei lá ir à creche e tudo!
    -Mas oh sr. director e então como fazemos com o anuncio? É que vão chegar candidatas…
    – Oh Clarinha então eu não posso lá meter uma indicação que o lugar é da Verita?
    – Eu acho que não…
    Ora não digas isso… vamos lá ver, senta lá aqui ao pé de mim e vamos lá a isso do portal, disseste que era em Tavira, aqui no instituto dá não dá?
    -Hum? sim pode ser no seu computador…
    (Depois de preencher o formulário)
    – Pronto Sr. Director o formulário está preenchido, agora é só dar ok e publicar no portal.
    -Oh rais parta, outra a dizer que é público, Oh Clarinha é o portal na net, não é o público! Bom e então onde posso meter o nome da Clarinha?
    – Oh sr. director olhe que acho que não pode…
    – Deixa lá ver isso… olha aqui! Achei logo o sitio! Vês onde diz Outros conhecimentos? Tem espaço à frente para caber o nome da Verita! e é um conhecimento que eu dou! Um outro conhecimento! Vá escreve lá: Para a Verita
    – Oh Sr Director…
    – Pois… é capaz de tar mal… Mete assim: Admitir a Verita!
    -Hum?
    Pois o Verita.. anda põe o nome dela, é Vera Pereira… fica mais de acordo com as normas. e põe em letras das grandes. que é para não haver enganos!
    (passados uns segundos…)
    -Deixa lá ver… oh… Clarinha então não vês que falta um A?
    – Onde Sr. Director?
    – Ai essa quarta classe mal tirada… Aqui! Põe lá, e letras grandes!
    (A clarinha sai do escritório)

  3. Que má vontade!!!!! A moçoila já tinha sido entrevistada faz tempo e por esquecimento não tinha sido publicada a candidatura ao lugar. Chamar cunha a um “lapso”……..

  4. Isto não é uma cunha. Já no tempo dos anteriores estágios profissionais, primeiro a empresa fazia a entrevista, escolhia a pessoa, e depois formalizava-se com o IEFP, de modo a obter o benefício do estado.

    A questão aqui é a publicação do anúncio feita, suponho, apenas para obter mais um número positivo para a estatística. Isto ajuda sempre a disfarçar a triste realidade de que o número de empregos que o IEFP arranja é residual.

  5. Não, não, perceberam todos mal. O que aquilo significa é que o candidato só pode admitir os seus conhecimentos adicionais à tal Vera Pereira. A todos os outros, responderá que não têm nada com isso.

  6. Como disse antes o leitor “cenas underground”, não há nada de estranho ou de “cunha” aqui. O problema é que pessoas que são escolhidas por processos perfeitamente legítimos têm de se inscrever no IEFP para bneficiar dos apoios. Fartei-me de fazer isto com estágios profissionais que saíram da escola onde trabalho: já depois das entrevistas na empresa, o aluno tinha de se ir inscrever no Centro de Emprego. O que se pode dizer é que o processo está mal desenhado e vicia a estatísticas. Mas é assim que se trabalha nesta terra: sempre em prol do chefezinho barrigudo que se instala lá em cima.

    1. Pois, afinal não foi cunha, por isso fiz a adenda logo que li o esclarecimento do IEFP nos jornais. Mas como diz, pode até ser legal mas é um processo sinuoso e pouco transparente.

      1. As candidaturas estão mal desenhadas. Estes programas normalmente têm destinatários que têm de cumprir certos requisitos estipulados pelo fundo social europeu: um deles é estar inscrito nos CE’s porque é uma forma de controle estatístico (e porque politicamente é conveniente arranjar soluções para as pessoas desempregadas…). Poderia perfeitamente haver candidaturas directas dos interessados. Em suma, não sendo forjado nenhum processo de recrutamento (normalmente são instituições ou o próprio centro de emprego que faz os encaminhamentos para situações de entrevista/colocação), acaba por se forçar uma irregularidade, dado que na altura em que a pessoa se inscreve no Centro de Emprego há de facto mais pessoas naquela situação específica que 1. nunca foram convocadas para aquela entrevista 2. até podem ter sido mas não foram seleccionadas. Daí a notinha que o técnico deixou para o colega que vinha a seguir: “Este lugar é para fulano tal”…

  7. Mudar não mudam, Teresa, desgraçadamente, embora haja algumas que são sempre mais comentadas do que outras de acordo com os calendários eleitorais e os interesses dos comentadores. Destes e de outros blogs, que quando lhes cheira a sumo de laranja e olham para o recibo do vencimento desaparecem.

    Há coisas que o anonimato já não garante.

    É a vida.

    1. Não se percebe muito bem onde quer chegar. Podia ser mais claro e explicar ao que vem? Agora já vamos nos “interesses dos comentadores”? Deve ser uma cabala aleatória.

      1. Uma não, talvez uma dúzia.

        Simples: aquilo que antes era criticado – umas vezes com razão, de outras por mero preconceito e, nalguns casos, por dever de ofício dos “spin doctors” do passismo, e então fazia o pleno contra o poder que saiu, agora passou a ser ignorado pelos “Duponds” e “Duponts”.

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