Pergunta de algibeira


Ana Vidal,

É impressão minha ou o ministro com pasta Aguiar Branco desautorizou completamente o ministro sem pasta António Borges?

34 comentários em “Pergunta de algibeira”

    1. Quem parece partir desse pressuposto é o próprio António Borges. A minha pergunta é irónica, naturalmente. Aguiar Branco desautorizou António Borges, claro, e fez muito bem. Desde quando é que uma decisão desta dimensão é “anunciada” ao país por alguém que não tem sequer um cargo oficial?

      1. Eu julgo que o governo apanhou muito sol na moleirinha em Agosto. E só me refiro ao “modus faciendi”. Quanto à privatização, isso são outros trocados- A única certeza que tenho é que nada distingue, actualmente, a RTP1 das restantes privadas. E é pena, porque tinha a obrigação estrita de o fazer!

        1. Também me parece que o sol do Allgarve não tem feito bem aos nossos governantes, Helena.
          Não entendo uma coisa nesta história: se, ao contrário de tudo o que tem sido dito até agora, a RTP dá lucro (20 milhões/ano garantidos, ao que li por aí) porque raio se privatiza??
          Mas estou de acordo contigo, a RTP1 transformou-se num canal meramente comercial, em concorrência aberta com as privadas. Qualidade, zero. Já o mesmo não acontece com a RTP2, que é serviço público e deveria ser mantido como tal. Extinguir o único canal cultural e não comercial que existe, isso é que é escandaloso e grave. Nenhuma privada apostará numa programação que não tenha grandes audiências.

          1. “a RTP dá lucro (20 milhões/ano garantidos, ao que li por aí) porque raio se privatiza??”

            Ai ai ai … a RTP “dá lucro” com os contribuintes a injectarem lá 300 ou mais milhões de euros por ano.
            Eu com subsídios também posso dar lucro,
            lucro menor que o valor do subsídio claro :)…
            Embora não tenha a mesma frequência a CGD também tem de vez em quando uns aumentos de capital para tapar os buracos, adivinhe de onde vem o dinheiro para o aumento de capital…

            O mais recente parece que foi só 165 euros por português…
            http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=46744

          2. Luck, a questão não é de onde vem o dinheiro mas sim se dá lucro ou prejuízo. Até agora, a RTP era um buraco em que o país tinha de injectar rios de dinheiro. Agora dá 20 milhões de lucro por ano e é um negócio atraente. Em que ficamos?

          3. Não entendeu.
            20 milhões de lucro só é possível com os 300+- milhões de que a RTP recebe dos contribuintes todos os anos.
            Senão a RTP teria 280 milhões de prejuízo.

            Quase não haveria falências e estaríamos cheios de empresas com lucros se todas tivessem direito ao dinheiro dos contribuintes na mesma proporção.

          4. Entendi, sim. O que quero dizer é que mesmo recebendo esses 300 milhões dos contribuintes por ano, o discurso vigente até agora era de que a televisão pública só dá prejuízo. Que eu saiba as taxas não vão desaparecer, e esse dinheiro até é apontado como o grande atractivo do negócio. Não lhe parece contraditório?

          5. Completamente de acordo. A RTP2 é o melhor canal TDT e único que eu vejo a sério. Acabar com ele, seria uma regressão irreparável. Acabar com o 1º canal público para manter (ou melhorar) os recursos no 2º, isso sim, seriam boas notícias para os portugueses que gostam de ver e aprender coisas úteis, sem deixar de ser entretenimento, em vez de desaprender a ver os “canais telenovela” e chachadas afins. E as notícias da 2 são um exemplo de sobriedade e utilidade, sem passar tempo a “encher chouriços” só para justificar 1h30m de emissão, que é o que acontece nos outros.

          6. Você dá uma importância enorme à palavra prejuizo e lucro quando essas palavras não têm relevância nenhuma para o caso.

            Os 300 milhões – varia conforme os ventos- não são as taxas é dinheiro em cima das taxas que é dado pelo Orçamento do Governo do momento, ou seja pelo Partido ou Partidos no poder, com os nosso impostos cada ano. Se o Governo tivesse dado “só” 250 milhões – valores exemplificativos – teria então 30 milhões de prejuízo, assim já ficava chateada?

            Se gostam muito da RTP então paguem-na e não obriguem a pagar os outros que não a vêem sequer.

            Quanto ao que está fazer o Governo é arranjar uma confusão para não fazer nada.

          7. O que me chateia são estes golpes de teatro repentinos e mal explicados, Luck. Como disse, estou à espera do desfecho desta história para tentar perceber o que estava por detrás do pano de cena.

      2. Pode que seja uma forma de testar a opinião pública, pode que o plano fosse esse mesmo.
        Ou então, pode que o vencimento do consultor lhe tenha subido à cabeça.

          1. Não, só lançam a confusão.
            Manobras destas nos tempos que correm, não atraem boa opinião. O povo anda “stressado” e sensível, a tenção sobe, o disparate aumenta e com ele o descrédito do governo.
            Somos bombardeados com informação e contra informação, mesmo que no fundo estejamos unidos pelo mesmo desejo, acabamos por desorientar.
            As redes sociais estão realmente demonstrando que são um poderoso mas também perigoso meio de comunicação, creio que em parte deve-se a uma espécie de “testes” de audiência que, principalmente, os jornais on-line fazem, parece-me até que trabalham a ansiedade das pessoas para lhes aguçar a curiosidade.
            Depois há os bitaites ” que as pessoas soltam e que inquinam com tremenda facilidade a opinião dos demais.
            Admito que já o fiz e por mais “marado” que seja o disparate, se fizer sentido faz surgir sempre uma onda de apoiantes. Passei a perceber o perigo disso e por ultimo tentava “meter agua na fervura” mas sempre surgem “uns” que adoram destruir a ordem do dialogo, recentemente deixei de entrar.
            Concluindo, a informação deve ser mais controlada e a comunicação social na internet não devia ter espaço para comentadores on-line.

          2. A manipulação de massas não é para todos. este governo devia pedir umas lições ao Fidel Castro, que é um expert na matéria. É que assim não vai longe…

      3. A minha pergunta é a seguinte: Algum deles tem autoridade? Só se for para o lirismo.
        Com alguma caridade tenho tentado traçar o perfil dos ditos ministros desta nação, e cheguei à conclusão que só três merecem umas palavrinhas de estímulo:
        O da Saúde, o da educação e o(a) da Justiça.
        O da saúde, porque é capaz de corrigir erros e lá vai superando a sua própria ideologia, refiro-me à ideologia da técnica;
        O da educação, porque não levanta ondas;
        E a da Justiça, porque parece conhecer a fórmula da tentativa e erro.
        Os outros, incluindo o “ministro” António Borges, veraneiam por uma falsa concepção de governabilidade. Mas surpreendem-me com o esforço que revelam, até à exaustão, para parecer que governam. O parecer é coisa que abunda por esta nação (ponto final).

  1. E António Borges foi à TVI por iniciativa própria? Como diz a HSC, foi muito sol na moleirinha nas férias de verão. Na tentativa de proteger o ministro da tutela, estragaram todo o trabalho feito até aqui.

    1. Não sei, Tiago. Foi? Gostava muito de saber. Como já disse, se foi cozinhado a estratégia parece-me estúpida… a única coisa que daqui resulta é mais um motivo de desgaste para o governo.

      1. Ana, vamos ser ingénuos, A Judite liga ao António Borges a convidá-lo para uma entrevista. Este aceita e sem dar cavaco a ninguém, governo, lá vai e eis-nos com o resultado.
        Segunda hipótese : Relvas fala com PPC depois de ter recebido de Borges as soluções para despacharem a RTP. Depois de analisar as propostas, PPC e Relvas concordam que as referidas vão gerar muita controvérsia ao serem anunciadas. Em contacto com os seus assessores decidem que para avançar seria melhor apresentar a proposta mais impopular e esperar pelas reacções da opinião pública. Mas têm um problema, o ministro que tem este dossier é Relvas. Estando a sua popularidade e credibilidade abaixo de zero, decidem lançar António Borges e esperar pela reacção. As reacções estão a acontecer agora. Mas isto sou eu que tenho uma grande imaginação 🙂

        1. Tiago, claro que a sua segunda hipótese é a mais provável. Nem são precisas grandes teorias da conspiração para subscrevê-la, mas eu continuo na minha: a estratégia é quase infantil, e não leva a nada a não ser a uma polémica mais do que previsível. António Borges não ficará com o odioso, a decisão final não é dele. Quando muito, ficará com a fama de alguém que extravasou as suas funções, mas… que importância tem isso? E para quê anunciar também a hipótese de extinção da RTP2, se não for isso que está na calha? Talvez eu seja muito ingénua mas não percebo, confesso.

          1. Dificilmente haverá alguém que perceba, a não ser os próprios. Mas o Tiago não deve andar muito longe da verdade.

        2. E acha que Relvas “recebeu de Borges as soluções”?
          É cativante, tanta candura.
          A mim parece-me o todo ( decisão, “proposta muito interessante” entrevista, o um exemplo de puro gangsterismo político).

          1. C., eu continuo à espera de explicações. E de conhecer melhor os contornos do negócio para ver se faz algum sentido.

          2. Estou à espera de explicações para assuntos de… 1990.
            A verdade é que ninguém as dá. E ninguém as dá porque nos mandam esperar e há quem espere.
            As explicações devem ser dadas de imediato com as decisões ou propostas de decisões ou temos que acreditar que decidem sem pensar…

  2. A.V. A sua pergunta é pertinente e está muito bem formulada, mas se permite, quem está, também, sem pasta é o pobre do contribuite.

    Sem pasta e sem paciência para aturar um Estado “empresário” de comunicação social.

    -Uma coisa é uma gestão (paranóica), capaz de transfigurar, e propagar, deficit gigantesco em “lucro”(?!).

    -Outra, muito diferente, é os conteúdos, o famoso pluri-definido e elásticamente-definível “Serviço Público”(?!).
    Para “gerir” este basta uma dúzia de Coroneis armados com um lápis azul.

    Aparentemente, a questão importante, como sempre, é apenas, sim ou não, espremer, ainda mais, o contribuinte, para subsistir como chefe do partido, proporcionando anafados cargos aos amigos e militantes.

    1. O contribuinte está exausto e desfalcado até ao tutano. Tudo em nome de um sacrifício por uma esperança de melhores dias e com complexos de culpa por ter sido esbanjador durante décadas. Como se não tivesse sido levado a isso, como se as políticas dessas décadas não tivessem sido as responsáveis por um comportamento completamente atípico do povo português, por natureza poupado e habituado a viver com pouco.
      Mesmo assim, aguenta tudo isto sem grandes revoltas. Mas convém não abusar de uma índole pacífica. Quando reage, reage mesmo… e mal.

      1. Parece evidente que o esquema reproduz a falta de vontade governamental para a tomada de decisões claras e limpas. É o socratismo sem Sócrates, mas pouco há a esperar deste governo de coligação entre Relvas e o Eu-tanto-se-me-dá-desde-que-seja-ministro-Portas.

      2. Peço desculpa, mas não concordo com essa do “comportamento atípico”. O comportamento foi mesmo típico de quem tinha um emprego, de quem era forçado a adquirir casa em vez de alugar (por causa dos preços especulativos das rendas. Sem esquecer a especulação em torno dos imóveis adquiridos), de quem comprava casa e se lhes oferecia mais dinheiro com o pretexto de fazer melhorias no andar novo (o dinheiro servia para o carro e para os móveis) de quem recebia cartões de crédito de “oferta” etc. Por estas razões, mas fundamentalmente pelo facto de haver emprego e poderem satisfazer os compromissos, mesmo que por vezes à conta dos estímulos familiares (papás), o comportamento foi mesmo típico.
        O que não é típico é o que está a acontecer agora: Destrói-se o emprego, reforma-se a lei laboral, “estimula-se” ao arrendamento, depreciam-se os salários, aumentam-se impostos, transportes, gás, luz, água, alimentação, saúde e combustíveis; e querem que as pessoas paguem isso tudo com muito menos dinheiro e sem emprego também. Tudo isto em nome do “ajustamento” económico.
        Todavia não depreciam as rendas de casa, os encargos bancários, o custo dos transportes, água, luz, gás, alimentos, saúde, educação, combustíveis… e também os impostos. Tudo isto, também, em nome do “ajustamento económico” e da “GRANDE REFORMA” do sistema, como anunciam.
        Contudo, algo falta assumir: não foram os portugueses que viveram à grande, foi o estado, com os seus dribles e obras megalómanas inúteis, algumas delas com o nome de PPP´s, com a ineficiência pública, consentida e estimulada por todos os partidos do arco governativo, em nome de uma “melhor administração” (votos) da clientela corporativa, que viveu acima das possibilidades de todos os portugueses. Tudo isto também sob estímulo de alguns parceiros europeus.
        O endividamento dos portugueses está aqui, e resulta de uma péssima falta de respeito com que as corporações políticas lidaram com os dinheiros públicos e de como geriram as contrapartidas na entrada para a UE (destruição do tecido produtivo com incentivo aos subsídios).
        Por tudo isto gerou-se cerca de UM MILHÃO E TREZENTOS MIL DESEMPREGADOS/INACTIVOS, dos quais cerca de 350.000 são obrigados a viver de um rendimento designado por “Inserção Social”. Dos +- 890.000 desempregados OFICIALMENTE contabilizados, cerca de 60% NÃO RECEBE APOIOS; e a estes juntam-se os pensionistas que não podem mandar cantar um cego, porque eles mesmo ficaram cegos e não conseguem ver o dinheiro, os empresários falidos (quer em nome individual, quer em regime independente, quer em pequenas sociedade por quotas) etc.
        Razão tinha o bispo Januário Torgal ao afirmar algo assim: “quando acabarem estes ajustamentos teremos uma nação de mendigos”, e eu acrescento: com meia dúzia a esfragar a mão pela pança por tão fausto repasto.
        A estratégia de um certo clube passa por criar o complexo de culpa e enviezar o discurso, para ver se as pessoas se submetem às estrategias que internacionalmente são desenhadas, mas para isto necessitam sempre ter alguém obediente que pareça governar o que não governa efectivamente. Quando a Espanha agravar, a Itália sucumbir e a França ajoelhar haverá fogo vindo do céu. Como eu desejo estar errado! Nem a Alemanha escapará. Reparem como o discurso de Hollande, em relação à Grécia, já começa a sucumbir. Isto é um sinal vindo dos fortes que na realidade conhecem suas fraquezas.

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