O comentário da semana


Pedro Correia,

 

«O Jasus até “pensou” nisso, isto é, estava de mãos atrás das costas no relvado e de repente olha para o Eduardo e exclama: Aquele não é o coiso? o c´agente fomos buscar dos outros da pedreira? Atão mas tá ali a fazer de defesa! olha se calhar meto o gajo ali à esquerda, o coiso… Nisto, deslumbrado com mais este “pensamento” (ele por vezes não acredita nas suas enormes capacidades), mete-se a caminho para dar a boa nova ao coiso (continua sem se lembrar do nome dele…). Pelo caminho mete à boca a sua quarta pastilha gorila, sempre lhe disseram que mascar pastilha, de preferência de boca escancarada, fazia com que o seu “pensamento” fluisse melhor. O facto de ter sido num sonho e o tal conselho ter vindo do tareco lá de casa e, embora não soubesse o significado de pensamento e fluir, tomou esse conselho à letra e desde então (há uns bons vinte anos) que despacha gorilas à velocidade de um Ayrton Senna. Com o pensamento a fluir em cascata, já via o coiso a valer uns bons 30 milhões e tal, esqueceu-se de, ao meter a quarta gorila na boca, tirar a terceira, junto com a segunda. Aquilo foi, mesmo para Jasus, gorilas a mais na cavidade bocal. As palavras saíam-lhe da boca, o pensamento escorria célere, mas o acto de caminhar de boca aberta a gesticular e a gritar: “Oh Coiso! Oh Coiso!” soava, ao coiso, como uma avalache de sons guturais sem sentido. A aproximação levou a que o coiso se assustasse. Ao vê-lo recuar Jasus acrescentou um adjectivo ao coiso: “Óh Coiso! Pára, seu filha duma pu…!” Foi a gota de água, para o coiso. Agora tinha-lhe parecido que o seu treinador falava russo, queres ver que pertence a alguma máfia de leste? Decidiu por-se a milhas e só parou na Turquia. O Jasus continua sem defesa esquerdo, mas continua a mascar gorilas. E sem se lembrar do nome do coiso.»

 

Do nosso leitor Tiago. A propósito deste post do Rui Rocha.

 

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