Pontos nos is (18)


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TROMBONE

«O ministro-adjunto do primeiro-ministro decidiu processar a antiga bastonária da Ordem dos Arquitectos, Helena Roseta, na sequência das declarações da ex-bastonária à SIC, a 23 de Junho, segundo as quais Relvas teria sugerido a contratação da empresa onde então trabalhava Passos Coelho para desenvolver um conjunto de acções de formação para a área autárquica, que Relvas tutelava, enquanto secretário de Estado da Administração Local do governo de Durão Barroso.»

I

Não sei se Miguel Relvas irá mesmo processar Helena Roseta. É até possível que o tempo decorrido torne inviável a abertura de um processo-crime, se calhar já prescrito. No entanto, se o ministro se considera ofendido e decidir queixar-se, não está apenas no seu direito como está em tempo útil, porque foi agora que Helena Roseta (bem ou mal, é o que falta saber) o atingiu.

Esperemos para ver. Não importa o timing: só se é ofendido depois de uma ofensa.

II

Já no que respeita a Helena Roseta, o tempo útil parece interessar pouco. Segundo ela, Miguel Relvas teria assumido uma atitude inaceitável em 2003. Vai daí, conta a sua história publicamente em 2012. A noção de timing da ex-bastonária da Ordem dos Arquitectos é, no mínimo, estranha. Mas não é só a noção de timing: o que ela diz ser inaceitável não foi o bastante para a fazer abrir a boca na altura certa; mas agora, nove anos depois do suposto episódio, quando o caso só serve para denegrir o adversário, já Helena Roseta acha bem vir a público pôr a boca no trombone.

Convenhamos que o critério de Helena Roseta é, pelo menos, pouco razoável. Pouco ou nada, porque não é critério: é falta dele.

18 comentários em “Pontos nos is (18)”

  1. Verdade seja dita que não há ‘situações estranhas’ onde o nome de Miguel Relvas não esteja envolvido. Cada vez mais parecido com Sócrates: ambos vítimas de cabalas com o objectivo de atentar contra a sua honra. Desculpa, João, mas não gosto de ‘coitadinhos’ e nem um nem outro o são/foram.

    1. És capaz de ter razão, Leonor. Mas nunca gostei da falta de critério demonstrada pela Helena Roseta neste caso estranho. Ela pode até ter razão, mas as coisas têm um tempo que determina o carácter de cada um.

      1. Neste caso e abstraindo de ser Miguel Relvas – contar algo negativo a respeito de alguém, que se passou há nove anos, e na altura não foi objecto de qualquer queixa oficial -, quando esse alguém está debaixo de fogo cerrado, não abona, a meu ver, nada a favor de Helena Roseta, pessoa por quem até tenho estima e apreço. Foi, de facto, um deslize lamentável.

        1. Estou absolutamente de acordo com tudo aqui expresso. Até na admiração pela ex-bastonária, que me deixou, neste caso, perplexa, porque extemporânea nos seus comentários.
          Se me abstrair da pessoa visada, há um tempo para tudo. Assim, mais parece um caso da nossa justiça. Vem a público quando está prescrito.
          Um deslize lamentável, como referiu e muito bem, impensável vindo de quem vem.

  2. O Relvas está a ser “lapidado” na praça publica, de uma maneira que quase nos faz ter pena dele. Eu vi as declarações da arqta Roseta em directo e achei o que ela disse muito “rasteirinho”. Até porque a sra arqta já anda na politica há tempo suficiente para saber que quem atira pedras para o ar, corre o risco de algumas lhe cairem em cima.

  3. Também não era caso para tanto, estava a decorrer na altura um jogo de futebol num outro canal TV, em que jogava Portugal, pelo que o share da SIC noticias deveria de andar pela amargura…

    Fora de brincadeira agora, realmente o tempo não foi o certo, mas já cansa esta classe dos coitadinhos difamados.
    Pronto, lá sai um processozito para a mesa do canto.
    Como se passa rapidamente de um lugar para o outro, de acusador a frágil acusado.

  4. É estranho, não é o estilo dela. Costumo gostar das intervenções públicas da Helena Roseta, e tenho respeito pela forma limpa e frontal com que enfrenta tudo e todos. Mas neste caso não vejo nada disso, foi tudo menos “limpa” e a frontalidade chegou com muitos anos de atraso. Dou-te razão, João.

  5. E vai daí processou mesmo, no que fez muito bem. Quem não se sente…
    Helena Roseta, que é de facto frontal e destemida, também é uma emocional que anda a perder a mão à medida que a política deixou de lhe dar um lugarzito ao sol (da visibilidade). Este não é o primeiro desvario que lhe noto, com espanto.
    Uma pena, tanta queda em público até dá dó.

  6. Há um dito popular assim:
    -quando o cão é raivoso, todos lhe atiram pedras!
    Acho que é apropriado à situação e ao Sr. em questão, sem quaisquer sentidos prejorativos tanto para ele como para os cães!
    Há outro dito popular assim:
    -quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele!
    Idem, idem, aspas, aspas…

    Concordo que a Srª Arqtª teve bastante tempo para expor o caso ainda que a “coisa” saiu numa conversa em que pretendeu sublinhar o que pensava a respeito do Sr. em pareço; esqueceu-se (??) que estava na televisão?
    Por outro lado, o Sr. ministro não mostrou interesse em processar o Público nem a/s jornalista/s pela “invenção” forjada, recente, e preocupa-se com uma com 9 anos?
    Ora, ora…

    Cumprimentos!

    1. Pois sim. Só que a senhora esqueceu-se de que o que ela pudesse pensar a respeito do actual ministro é capaz de ser muito parecido com o que possam passar a pensar muitas pessoas a respeito dela.

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