Pontos nos is (17)


jmmcc,

DÉJÀ VU

Nada me incomodam os grupos de pressão que pretendem defender interesses comuns, por muito discutíveis que esses interesses possam ser. Porém, incomodam-me os lobbies escondidos ou disfarçados que tantas vezes se movem neste país pequeno em tantos jogos de sombras.

I

Cheiro à légua o jogo de bastidores que anda a desenrolar-se no caso da licenciatura de Miguel Relvas. Na verdade, estou farto de ouvir defender que o ministro devia afastar-se para não criar maior desconforto ao Governo, mas ainda não consegui descortinar qualquer ilícito que ele pudesse ter cometido. A licenciatura levanta muitas dúvidas? Pois é capaz de levantar, mas ainda não ouvi dizer que a Universidade Lusófona é que pode ter-se colocado numa situação desconfortável.

 

 

Não se tratando de uma auto-licenciatura, que seria impossível, e estando o curso assegurado e confirmado pela universidade visada, cada vez que olho para o ministro ganha relevo esta impressão de déjà vu.

II

Onde é que eu já vi isto? Já sei: na primeira linha estão os mesmos jornais do caso recente que envolveu o Público e, portanto, estão representados os mesmíssimos grupos de comunicação interessados em travar um processo que os deixa em pânico e que está a ser conduzido por Miguel Relvas: a privatização da RTP.

Tal como escrevi no princípio, não me incomoda que haja quem se oponha à privatização da RTP, embora me incomode muito andar a pagar há tanto tempo a má gestão sucessiva do sorvedouro escandaloso que ela tem sido. Oponham-se, os que pensarem de outro modo, mas organizem-se e façam-no às claras.

Quando eu vir que o lobby não se esconde e que combate de forma visível com armas lícitas, então talvez eu encontre paciência bastante para tentar concluir se o ministro deve ceder o lugar, se a universidade é que não honra o lugar que ocupa ou qualquer outra coisa.

Até lá, mantenho que já vi isto e que isto não me parece sério. Mais: palpita-me que outros episódios hão-de seguir-se. Sempre obscuros, como é próprio dos medrosos.

86 comentários em “Pontos nos is (17)”

  1. Diz o Carvalho: “mas ainda não consegui descortinar qualquer ilícito que ele (o Relvas) pudesse ter cometido”.
    E eu pergunto-lhe: não estará a precisar de óculos?

  2. Não preciso de ser eu a escrever o óbvio, pois não? Ao que parece, Sócrates também não teria cometido um ilícito nem se teria auto-diplomado (terá sido a universidade a lançar a nota ao domingo, ou lá o que era). Isso não impediu que tivesse sido perseguido como um leproso. O caso de Relvas parece-me bem menos claro, especialmente porque é improvável que tenha recebido as equivalências apenas e só porque o examinador achou que faziam sentido. Obviamente que não o posso provar (e nem vale a pena insistir nesse assunto), mas creio profundamente que houve ali empurrões/influências/pressões para que tantas equivalências quanto possível fossem dadas.

    E é aqui que entra a questão da demissão. Tanto quanto me parece, um ministro não deve demitir-se se cometer um ilícito. O ministro deveria ser preso se cometesse um ilícito. Tão simples quanto isso. Agora, no meio disto tudo, Miguel Relvas não parece muito sério, especialmente com os comentários que faz e que soam de muito mau gosto vindos de quem tem uma licenciatura da farinha amparo. Se Cavaco demitiu um ministro por causa de uma piada (que até nem era má, apenas saiu no momento e local errados), Relvas poderia perfeitamente ser demitido.

    1. Pois sim. Não serei eu a desvanecer aquilo em que V. acredita com toda a legitimidade. Mas há um dado que talvez convenha reter: qualquer pessoa será alvo de ataques obscuros se tiver de conduzir o processo de privatização da RTP.

      A propósito: a licenciatura de Sócrates foi uma espécie de rabo escondido com o gato todo de fora, não se esqueça. Assim que se percebeu isso, desapareceu a universidade e o seu arquivo por iniciativa do dito cujo.

      1. Eu não sei se quem conduzir o assunto da RTP será ou não alvo de campanhas. Sê-lo-á, muito provavelmente, como é normal.
        O que sei é que este ministro foi objecto de um favorecimento que aceitou sem escrúpulos, e isso, por si, incapacita-o para qualquer cargo de responsabilidade.
        O facto de ser posssível tentativas de spin num assunto desta clareza mostra quão baixo descemos. Parece que nem assim, imorais e falidos, percebemos que o crime não compensa.

          1. O crime não está usado no sentido técnico-jurídico.
            Pode ser substituído com facilidade por “facilidade”.

          2. Minha não foi. Nem aceitaria que com tal currículo me dessem dois anos de licenciatura. Sei lá, tinha vergonha. Por mim, pela minha família, por quem me julgasse capaz de aceitar uma coisa daquelas.

    2. Não vejo como é que Passos Coelho possa demitir Relvas com base no caso da licenciatura… a menos que alegasse não saber do assunto, algo que me parece difícil.

      Não sei o que ache mais estranho, se Relvas ter a licenciatura, se o seu secretário de estado ter sido seu professor. Afinal Barreiras Duarte, tal como a maioria dos professores nas universidades privadas, não tinha doutoramento.

      A Lusófona poderia ter contratado Relvas como professor, e isso não é assim tão estranho, pois até as universidades públicas já contrataram não-licenciados como professores, e até acho que ainda os têm.

      Se quisermos ir ao fundo da questão, temos que ir à decisão de abrir novas universidades e politécnicos por conveniência política, a que se juntou a “mina” das universidades privadas. Isso vem do tempo de Cavaco, e nada teria de mal, se tivesse sido feito progressivamente, mas foi gerado do nada.
      Quem já se esqueceu do presidente do Politécnico da Guarda, que tinha como habilitações a 4ª classe?

      Ainda hoje muitas instituições sofrem de atraso inato, devido a essa chico-esperteza política.
      Mas, a isso juntou-se a entrada do mercado nas universidades.
      O número de alunos definia o financiamento.
      A empregabilidade definia a utilidade da universidade.
      Foi com essa naturalidade que até os agentes políticos e económicos entraram nos conselhos das universidades públicas.
      À partida isso não tem muito de errado, se virmos as universidades como pré-estágios de emprego… e a coisa tende a seguir por aí, já que se esbateu a diferença entre Politécnicos e Universidades.

      Toda a sociedade parece concordar com esta ligação licenciatura-emprego, ao ponto do governo dar indicações nesse sentido.
      Só que isso tem o lado inverso… pela mesma lógica, deveria haver a ligação emprego-licenciatura.
      Estranho?
      É estranho, porque a ligação entre emprego e licenciatura deve ser relativizada.

      Se as licenciaturas são ligadas ao emprego, então Relvas não merece apenas uma licenciatura, mas até um mestrado ou doutoramento honoris causa.
      Afinal a empregabilidade em Ciências Políticas poderia ir além do cargo de Ministro?

      Pois, o problema é que as universidades tendem a perder o estatuto científico com a história da empregabilidade.

      A equivalência a disciplinas científicas vinda de um currículo profissional é uma paródia, é!
      Mas o problema é a mistura institucionalizada entre a capacidade profissional e o conhecimento científico.

      As missão das universidades era licenciar conhecimento científico, e não licenciar capacidade profissional… isso era até deixado às ordens profissionais.
      De facto, o que Relvas deveria ter era uma carteira profissional de político e não uma licença em ciências políticas.
      Tudo foi misturado, por várias conveniências, que mostram como as instituições são permeáveis a esses interesses.

      É nesta barafunda de certificação de conhecimento que temos licenciaturas de tudo e mais alguma coisa, que pouco têm de científico, resultam apenas de um antigo percurso de aprendizagem de profissões.
      Parece que os Chefes Michelin querem ter doutoramento automático em Culinária… e assim é natural que às velhinhas de Arraiolos seja também dado pelo menos um mestrado em Colchas!

      Mas enfim, há interesses que se confundem com santa ignorância, próprios de um país em que os “doutores” eram apenas licenciados. Usar o prefixo “Dr” para licenciados, é uma fraude na convenção internacional. Esta confusão está tão generalizada que é habitual ver traduzido “PhD” como “licenciatura”…

      1. O secretário de Estado Barreiras Duarte, ao contrário do que aqui se diz, não foi professor do ministro Relvas.

    3. Não querendo fazer o papel do “advogado do Diabo”, entre Socrates e Relvas e as licenciaturas da treta que ambos são acusados de ter feito, há uma pequena diferença: Socrates quando fez os exames ao domingo, e os enviava por fax para o amigo (dele) reitor Arouca, era secretario de estado do governo Guterres. Quando em 2006 e 2007 Relvas foi obsquiado com cento e não sei quantas equivalencias, para completar a “licenciatura” nem sequer era secretario-geral do PSD que estava na oposição como sabemos. E isto faz toda a diferença: o Socrates estava no governo, e o Relvas, não era ninguem!
      Tambem penso que João Carvalho tem razão quando liga isto tudo, à privatização da RTP, e a outros dossiers que o Relvas terá em mãos.
      Quanto à anedota que o ex ministro Carlos Borrego contou numa rádio e que levou à sua demissão, não acho que tenha piada nenhuma!

        1. Em Portugal alguém que foi secretário-geral da JSD, secretário de estado num governo de um partido que mais cedo ou mais tarde chega ao poder etc, é tudo menos “ninguém”.

  3. João, estou totalmente de acordo com o primeiro ponto que focas. A cegueira com Miguel Relvas é tal que ninguém se refere ou reflecte sobre o papel da Universidade Lusófona no meio disto. Um abraço!

  4. Este assunto é deveras incomodativo e nada consensual, até parece um Benfica x Sporting porque os argumentos são muito mais de paixão clubistica do que racionais.
    Falo por mim que, por isso mesmo e num repente, dei comigo a ser menos correcto como uma das colunistas deste blogue, facto que lamento.
    Mas insisto, da maneira menos apaixonada que me é possivel, que este sr Relvas será o mestre nesse tal jogo dos medrosos de que fala. Pode não ter cometido nenhuma ilegalidade neste caso da virtual licenciatura, mas a sua alma está aí bem à vista de todos. E nós vamo-nos definindo também pelas almas com que nos identificamos, mesmo os que jogam no mesmo clube sejam quais forem as razões para jogar nesse clube que, como sabemos, são muito diversificadas.
    E agora vou mas é comer uma sandoca e ver se me desligo de vez deste deplorável e nada recomendável assunto.

  5. A questão não é de ilícitos. Para isso existem as leis penais. A um governante, exige-se ética, lisura de estar na vida política, mais a mais, que o nome foi votado para deputado, não para ministro, portanto, quem o convidou para ministro, não pode vir dizer que é “um não caso…” santa paciência.

  6. Caro João Carvalho,

    Na mouche! Já tinha falado (mas não escrito) sobre isto com colegas: digamos que quando deixar de ser o contribuinte a financiar o “buraco” que é a RTP, esta irá competir pelo mesmo mercado de patrocínios e publicidade. Mais: imagem que a RTP é adquirida por um grupo estrangeiro? Então os concorrentes privados (sabemos de quem falamos!) não terão apenas um recém-chegado ao mercado de publicidade e outros financiamentos. Terão um grupo mais musculado e de maior escala. Se a perseguição a Relvas é a forma de evitar tudo isto, já tenho as minhas dúvidas. Agora, como bem diz, o homem nada fez de ilícito (não falemos de ética, porque senão ficamos “curtos” de gente). Isto e o facto de jornais lhes ser permitido aquilo que normalmente não é – total liberdade editorial – apenas suporta mais a sua tese.
    Bem haja,
    O Autor
    Antologia de Ideias
    http://antologiadeideias.wordpress.com/colaborar-e-preciso/

  7. Meu caro, há sempre interesses e há guerras de interesses. Por isso é que quem ocupa cargos públicos tem de ter um passado impoluto não apenas para não poder ser objecto de pressões mas para nem se suspeitar de que possa sê-lo.
    Em qualquer democracia do 1º mundo Relvas há muito que teria sido parado. O resto que se diga é contemporizar com a falta de seriedade.

  8. O facto de a universidade ter distorcido a lei a seu bel-prazer para ‘dar’ uma licenciatura a alguém não tira nada à responsabilidade individual. Não acredito em momento algum que Relvas não soubesse do que se estava a passar. O facto de ser legal não quer dizer que não seja eticamente reprovável. Ao que parece ninguém teve tantas equivalências como Relvas. Sintomático, não te parece?
    Em relação à universidade, vou dizer exactamente o que penso: se isto se passasse numa pública é que ficaria desiludida com a qualidade do ensino. Ninguém se pergunta por que razão tanto Sócrates como Relvas conseguiram as suas belas licenciaturas em universidades privadas?

      1. João, Ciência Política também há nas universidades públicas. Só a título de exemplo, Relvas poderia ter optado pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova. A lei de equivalências também é válida nas públicas. Se me dessem a escolher entre uma pública e uma privada nem pensava duas vezes: pública. Todos sabemos porque optou pela Lusófona e Sócrates pela Independente.

        1. Depende de que cursos estamos a falar. Será absolutamente verdade o que dizes nos cursos mais, enfim, tradicionais. A minha filha está a tirar Fotografia na Lusófona e garanto-te que o curso ali é tão ou mais complexo e exigente que nas equivalentes públicas. E sim, estou furioso com a universidade e a reitoria. Também não estou absolutamente nada de acordo com essa ideia de “deixar a ética de lado” ou de se justificar o não tomar de um banho com o facto de alguém já ter usado o sabonete. Eu não tenciono (de todo!) enveredar por uma carreira política, e no entanto faço os possíveis por levar uma vida ética. É o mínimo que peço aos nossos políticos: um esforçozinho.

          1. Zé, não me parece que possamos dizer assim a frio que na Lusófona um curso ou outro é mais exigente do que numa privada. Não vou argumentar por aí. dar-te-ia exemplos de alunos que entraram em cursos para os quais não estudaram no Secundário. Em algumas situações desde que haja dinheiro para pagar propinas e e tudo e mais alguma coisa, como saberás melhor que eu, ’tá-se bem’. Há cursos na Lusófona que não há em mais lado nenhum. Não me leves a mal mas fico sempre de pé atrás quando me vêm dizer que os cursos são muito exigentes. São o que são. Só andando num e noutro se poderia aferir e ainda assim com reservas. O que eu queria dizer e reitero é que não é por acaso que estas trafulhices acontecem nas privadas ou em algumas privadas. Se o público é um jardim de virtudes? Não é. Passei anos suficientes numa instituição pública de ensino superior e sei bem como é mas sei também que um reitor não teria poder sozinho para fazer o que este fez.

          2. 🙂 Mas Leonor, eu não o disse a frio – e sei muito bem que tens toda a razão quanto às propinas e ao ’tá-se bem’. Eu fui muito objectivo no que escrevi sobre o curso da minha filha. Conheço as opções, públicas e privadas. Acompanhei o desinvestimento e desinteresse que fizeram com que as escolas públicas do domínio artístico perdessem prestígio e capacidades nos últimos anos, excepção feita aos professores. Conheço bastantes e não há um que não sofra horrores por não conseguir dar aos seus alunos aquilo que desejaria. Eles amam a sua profissão. A Escola Superior de Teatro e Cinema, por exemplo, dá ares de cinecittà nos anos 70. O equipamento é velho, e o pouco que existe é complementado pelo que é emprestado pelos próprios professores, desde câmaras a projectores, passando por equipamento de estúdio. A maior parte das câmaras está ao abandono. Não vale a pena contar mais contas deste rosário. Se a Catarina está na Lusófona, é porque sei que as instalações são muito boas, a capacidade técnica é excepcional, tanto em qualidade como em qualidade, os estúdios são de primeira água e os professores são muito bons. Sei disso porque trabalhei em projectos com eles. E sei que o curso é exigente, não de ouvir dizer, mas porque conheço o meio e a matéria que a minha filha está a estudar e reconheço ali qualidade técnica. Quem vai para uma universidade porque quer aprender, sai assim que percebe que está a ser mal servido. Foi o que eu mesmo fiz. Quem vai para tirar um canudo a todo o custo, obviamente está-se nas tintas para a qualidade do ensino. É esse o meu ponto. “Tirar o canudo” tornou-se o essencial. O Vasquinho venceu as tias…;)

          3. Tudo bem, Zé, mas isso não quer dizer que assim seja sempre. E também como o que se paga na Lusófona o mínimo que têm a fazer é oferecer condições. Como conheço outras situações não concordo contigo em absoluto e o que conheço mostra-me que se tiveres dinheiro para os financiar entra-se facilmente. Atenção que não acho que seja vergonha alguma não ter médias para entrar no público. São apenas circunstâncias de vida, momentos, fases, não é isso que faz de nós melhores ou piores pessoas. O que não suporto é o escamotear de uma situação óbvia: o que aconteceu pode ser legal mas é eticamente reprovável, põe em causa o ensino superior, a Lusófona e não lhe é prestigiante. Ninguém com dois dedos de testa dá 32 equivalências a alguém sem explicar como o fez, sem professores, sem Conselho Científico, sem uma justificação válida.

    1. A sua última frase é injusta por generalizar, Leonor. Falo por mim, licenciei-me na Lusófona, como trabalhador-estudante, e digo-lhe que me saiu da pele. Leccionam na Lusófona alguns muito bons professores, como por exemplo Fernando Pereira Marques, Regina Queiroz, Manuel Jerónimo, Manuel Serafim. Este caso nada tem que ver com a qualidade do ensino em si da Lusófona. Aqui apenas falamos do que parece ser um mero preenchimento de um papel por parte do reitor à data, a atestar a licenciatura de Relvas. Não existiram professores envolvidos. Mas o autor do post tem razão, ninguém pede qualquer responsabilidade à Universidade e esse deveria ser o caminho. Mas também se compreende que o caso Relvas, porque é o de facto, ofusca tudo à sua volta.
      A Lusófona, acolheu diversos políticos como alunos e posso afirmar que a pseudo-licenciatura de Relvas é mesmo uma excepção. Vamos ver o que a auditoria nos vai trazer. Mas o mais certo é ser uma mão cheia de nada.

      1. Sim, eu compreendo e aceito. Exactamente por haver pessoas honestas e que trabalharam para conseguir por vias legítimas os seus cursos é que eu acho que a própria universidade já se devia ter pronunciado e vos devia ter defendido. Corre neste momento o risco de, perante a opinião pública, ficar com o mesmo prestígio da Independente e afins.
        E também lhe digo, com toda a sinceridade, uma universidade ou um curso que tem parcerias com a Igreja Maná com a finalidade de se obterem equivalências e com directores de curso a escrever ‘igreija’ não me inspira a menor confiança. Já fiz por aí um post sobre isso. Tem de haver limites.

    2. É bom vê-la de regresso ao lado difícil da lucidez. 🙂

      Interessante ver as operações de controlo de danos activa nos blogs e nas redes sociais.
      O que me entristece são os argumentos usados, demonstrativos daquilo que ainda somos ou que pensam que colectivamente ainda somos.
      E é tão simples:
      http://youtu.be/fqQD4dzVkwk

  9. Pela sua linha de raciocínio pode-se facilmente concluir que a defesa que o Pedro Passos Coelho e o Nuno Crato faziam de uma cultura de exigência e de rigor para pôr fim ao ambiente de facilitismo na concessão de diplomas criado pelo Sócrates não passava de um argumento para tomarem o poder, nunca eles estiveram verdadeiramente interessados em criarem esse clima de exigêmcia e de formação rigorosa dos portugueses. Aliás o verdadeiro culpado pelas equivalências de Relvas que parecem exageradas aos opositores da privatização da RTP não podia deixar de ser José Sócrates que possibilitou a contunuação da Universidade Lusófona em vez de a ter extintop prontamente, como fez à Independente.

  10. Vocês spinners não conseguem arranjar outro argumento do que esse da RTP? Já está um bocado gasto, não acha?
    Ou vocês recebem a 4€/hora também?

    Se querem privatizar (querem mesmo?) só pode ser o Miguel a fazê-lo ou pode ser o Chico ou o Tóni ou outro qualquer membro do governo?

    Já agora se você cuspir para o chão não irá preso, avise antes é em que ruas costuma passear, obrigado.

  11. Fico-me pela RTP…

    Mais morto “matado” estaria o mininistro se anunciasse um imposto extra para pagar , só 2 exemplos:
    25 mil euros a D. Catarina, 20 mil ao Malato e 3 mil a um administrador… só para a gasolina!!!

  12. O problema, João, é que ninguém fica bem na fotografia. Nem a universidade (mas alguém tinha dúvidas quanto à qualidade e exigência da Lusófona?), nem Relvas (que aceitou um óbvio favorecimento, por muito legal que seja), nem os lobbies que escondem os verdadeiros motivos pelos quais querem a cabeça do ministro. Tudo isto é deplorável, e uma coisa não limpa a outra. O que realmente me arrepia é ouvir (ler, no caso) alguém dizer aqui com a maior resignação «não falemos de ética, porque senão ficamos “curtos” de gente». Por mim, preferia mil vezes que ficássemos curtos de gente, mas que ficassem só aqueles que eu possa respeitar.

      1. Só para que conste: eu, que pugno para que o ministro se demita, não pertenço a nenhum lobby, nem a nenhum Partido, nem a nenhum grupo organizado de intervenção cívica. Eu sou eu e só me represento a mim. E entendo que a Universidade Lusófona, não ficando bem na fotografia e, por isso mesmo e neste caso, prejudicando o seu bom nome, prejudica sobretudo os seus alunos, actuais e passados. E o Relvas “ajudou” a isso de forma vergonhosa.
        Dizer que quem tem posições iguais à minha anda a defender a não privatização da RTP é uma forma, enviesada, parece-me, de defender o Relvas e de tentar atirar-nos areia aos olhos.

    1. Esquece-se dos lobbies que querem a continuação do ministro.
      Enfim, o ministro devia estar na rua há muito tempo e começada uma investigação séria das outras licenciaturas com «equivalências».
      Mas não é em vão que somos analfabetos e falidos.

  13. No meio de toda esta novela -outro termo, não se aplica-, mais que a Lusófona, ou o próprio Relvas, tenho andado de “olhos postos” no Jornal Expresso (¡Grupo Impresa: Sics, etc.!).
    A verdade é que esperava -e ainda bem que me enganei- algum tipo de atrito mais pujante por parte do Público, mas esse tem tido algum nível.

    Não deixa de ser interessante, aliar a questão da privatização da RTP aos interesses do “Venerável Mestre”.. Francisco Pinto Balsemão, digo.
    Quando um jornal faz “manchetes” à base de questões como “Multiplicam-se piadas sobre Relvas na Internet” e “‘Caso Relvas’ já vale apostas na Net”, dia após dia, até o mais inocente compreende que algo se passa.

    Mas no final, e lá está, não deixa de ser uma excelente táctica de guerrilha-mediática. O desgaste da imagem é uma prova dada.

  14. É verdade que o Relvas não cometeu ilícito. Quanto a isso não há dúvidas. Mas, sabendo ele que o papel da licenciatura lhe foi oferecido, não deveria ter recusado tal prenda? Se, como a universidade terá reconhecido, ele tinha tanto mérito e tantos conhecimentos, não deveria saber que o que lhe estava a ser oferecido era algo que não poderia/deveria aceitar?

  15. Quando a guerra é justa, que interesse tem saber quem a declarou ?
    E é evidente que a responsabilidade da Lusófona não exclui a responsabilidade individual do D. Relvas – ou então, teremos de concluir que além do mais o Dr. relvas é um “inimputável”, do ponto de vista jurídico (os ininputáveis são os únicos que não podem ser responsabilizados autónoma e individualemente pelos seus actos, por falta de capacidade intelectual/psíquica).
    Já agora será que o autor do post poderia declarar o seu registo de interesses ? ( é que tentei ver no perfil e não aparece nada..)

  16. Estou um pouquinho triste. Esperava mais deste “Pontos nos is”. Sobretudo, depois daquilo a que o João nos habituou. Subscrevo tudo o que a Leonor Barros escreveu e acrescentaria mais duas ou três notas. Mas, antes disso, vou ali ler e estudar duas coisas e já aqui volto.

  17. eu compreendo que o Sr. Relvas é um individuo cheio de capacidade, conhecimento e sabedoria de vida. Não conheço o Sr. agora também Dr. mas creio que tem muito crédito.
    Também compreendo quando diz que há jogos de bastidor. Só não compreendo como é que os jogos de bastidor servem para apagar o sucedido. É porque os jogos de bastidor sempre existiram e sempre existão, mas “esta” é “fresquinha” ainda é mais arrojada do que à do pseudo-filósofo.
    Não concorda que seja assunto de polémica?

  18. por acaso terminei mesmo à pouco a sua resposta, mas enviei para a Srª Laura Ramos, serve para ambos.

  19. Tenho 35 anos, na escola da infância, 9 anos, os outros 20 é universidade da vida.
    Há um ano e tal atrás, fiz uma preparação por minha conta durante 3 ou 4 fiz meses, fiz o acesso 23 com o exame de Historia e passei com 12 valores.
    Nada de mais, mas passa a ser alguma coisa quando miúdos que vem do 12ºano, nada anteriormente fizeram que não fosse estudos e aprendizagem, e chumbarem com 7,8,9 e mesmo os mais talentosos só tocaram no 15. Pessoalmente também não vou gostar quando desvalorizarem ou menosprezarem o meu feito, ainda mais, se for o caso, com segundas intenções.
    Se tal lhe acontece, é uma grande falta de respeito.
    Mas todos sabemos o que é um governante, é um membro do governo do mais alto nivél que uma nação deve ter, é a imagem e o espelho da sua sociedade, no mínimo para todos aqueles que o elegeram( não tenho presente o seu numero, mas o PSD é uma grande força politica…) a eles, e também aos restantes portugueses. deve exlpicações mais claras, como governante eleito democraticamente que é. Voçe não concorda que este assunto é uma nódoa muito feia?. Até no aspecto da parvoeira tem cabimento, quero dizer, tudo bem que se faça tudo e mais alguma coisa para que o ranquing da educação suba, mas ir até o ponto da coisa mais parecer que em Portugal até já se vendem “canudos” no cigano, é mesmo parvoeira, deve ser o tipo de coisa que faz as gentes de norte rirem de gargalhada.

  20. Tem o dom de me obrigar a pensar e a dispensar algum tempo a estas coisas, mesmo quando não acompanho, a par e passo, o assunto. Mas, como é um prazer falar consigo, fui dar uma vista de olhos nos diplomas.

    Do ponto de vista legal:
    Não tenho informação privilegiada, nunca estudei na Lusófona, não conheço ninguém que lá estude ou tenha estudado (o que, de certa forma, podia ajudar), não conheço Miguel Relvas e apenas tenho lido e ouvido umas coisas soltas sobre o assunto. Mas, à partida, diz-me o bom senso que um percurso académico superior, e a obtenção do grau ou diploma académico, há-de obedecer ao cumprimento de requisitos de forma e de substância.
    Entre eles, presumo que se encontrem a inscrição/matrícula, a frequência, em regime presencial, de um certo período de tempo, a submissão a provas, a subsequente avaliação e a classificação final. Ou seja, um percurso académico superior, ainda que em regime pós-laboral, deve respeitar um conjunto mínimo de condições gerais e especificas aplicáveis a todos os alunos. A ausência de qualquer uma, a meu ver, inquina, em maior ou menor medida, o referido percurso e/ou grau.
    O DL 74/2006, de 24 de Março, estabelece o regime aplicável aos graus académicos e diplomas do ensino superior. No seu art. 12º, refere-se que a classificação final, para o grau de licenciado no ensino universitário, é atribuída pelo órgão legal e estatutariamente competente do estabelecimento de ensino superior. Pergunto: no caso de Relvas, o autor do parecer e fundamentação e atribuição da classificação final era o órgão legal e estatutariamente competente?
    No art. 14º, descrevem-se as normas regulamentares. Pergunto: No caso de Relvas, foram observadas, entre outras, os coeficientes de ponderação e procedimentos para a classificação final?
    O Decreto-Lei42/2005 também ajuda a compreender a complexidade duma licenciatura, através da definição de “crédito”, “unidade curricular”, “plano de estudos”, “trabalho do estudante”, etc. Isto para dizer que tenho sérias dúvidas que a licenciatura de MR seja integralmente legal.

    Do ponto de vista da responsabilidade:
    Podia dizer que, em primeira linha, a responsabilidade é da Lusófona. E que, só em segunda linha, é de MR. Mas, sinceramente, não acho. A responsabilidade é conjunta e solidária. E dou o meu exemplo. Tirei a minha licenciatura numa universidade privada e, durante algum tempo, a minha primeira preocupação consistia em saber se a decisão era acertada ou se, pelo contrário, devia ficar um ano sem fazer nada (uma vez que só completei o 12º em finais de Setembro) e tentar a pública no ano seguinte. Acabei por ir para a privada. No 2º ano, pedi transferência para a pública. A decisão só viria no terceiro ano. Nessa altura, entendi recusar.
    Aceitar que MR não teve opção ou poder de decisão no percurso académico que trilhou, escolheu e pela forma como o atingiu é passar-lhe um atestado de incapacidade mental e de burrice que não lhe reconheço. Sabia-o, desejou-o e aceitou-o. Como tal, tem de aceitar os juízos de valor que entendam tecer acerca do seu carácter. Porque, afinal, as nossas escolhas dizem muito de nós.
    Sendo político, com carreira feita (já tinha sido secretário de estado), sabia, porque não podia ignorar, que lhe escrutinariam a vida, incluindo o percurso académico, e mesmo assim não se desviou do seu intento, nem se absteve de percursos fáceis e de excepção. A troco do quê? De um “dr”. Aliás, corre pela net que já em 2004 era doutor, segundo uma placa inaugurativa em Lagoa.

    Do ponto de vista da motivação:
    Pode ter interesse numa análise macroeconómica ou de percepção de “jogos de interesses”. O que, a meu ver, é grave e pode indiciar a tal “covardia” própria dos “medrosos” e mais qualquer coisa…
    Mas, na análise do caso concreto, é a parte que menos me interessa. Independentemente das motivações que trouxeram à luz do dia a forma como MR obteve a licenciatura, o cerne da questão é: a conduta, o comportamento. E o comportamento, em minha opinião, é duplamente reprovável. Não só pelo facilitismo e regime de excepção que parece encerrar, chegando ao ponto de ter sido avaliado na maioria das cadeiras pelo professor que, ao que leio, é seu assessor ou secretário, mas também pela incoerência entre o discurso e a prática que adopta

  21. (continuação)
    Eu não posso aceitar como atitude de homem sério, honesto, credível, confiável, correcto, com postura de Estado que se exige que tenha, a atitude de crítica feroz a um modelo de ensino enquanto estou na oposição e depois, quando lhe dá jeito, se sirva desse mesmo modelo de ensino para proveito pessoal. O percurso político que escolheu obriga-o a mais. E não lho exigir, é estarmos a aceitar nivelar por baixo. A verticalidade de pensamento e de seriedade exigia uma atitude diferente. Não a teve e lamento. Por isso, a conduta reprovável existe (independentemente de privatizações, etc,). E, para mim, não serve como Ministro dum governo que se quer sério e acima de qualquer suspeita. Além disso, MR está envolto em outras questões e todas elas mal explicadas. E como diz o ditado: à mulher de César …
    (Hoje, excedi-me. Dificuldade de síntese e serve para compensar as outras vezes que deixo comentários superficiais e de brincadeira 🙂

    1. Eis uma detalhada tese de doutoramento. Por mim, está doutorada.
      Quanto ao caso, recordo que escrevi assim: «Estou farto de ouvir defender que o ministro devia afastar-se para não criar maior desconforto ao Governo, mas ainda não consegui descortinar qualquer ilícito que ele pudesse ter cometido. A licenciatura levanta muitas dúvidas? Pois é capaz de levantar, mas ainda não ouvi dizer que a Universidade Lusófona é que pode ter-se colocado numa situação desconfortável.»
      Claramente, há uma campanha obscura, foi a isto que me referi e é disto que não gosto. Não gosto mesmo nada.

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