O comentário da semana


Pedro Correia,

«Todos falaram só nos funcionários públicos quando os cortes dos 13º e 14º meses se estendeu aos pensionistas (do público e do privado). Parece-me muito estranho ou, pensando melhor, propositado.
Quando se fala em salário médio dentro da Função Pública e se compara com o do privado não se tem em conta que uma grande parte destes têm licenciaturas, com consequentes salários mais altos – caso de juízes, ministério público, médicos, técnicos superiores, professores do básico, secundário e superior, forças armadas. O que não significa que a generalidade dos funcionários públicos tenha salários muito baixos pouco acima do salário mínimo.
Quando se fala no acórdão em “esforço maior” de uns traduzindo este facto falta de equidade temos de ter em conta que as carreiras destes funcionários estão congeladas há vários anos e estes tiveram há mais de um ano cortes salariais.
Parece-me que o que se quer é dividir os portugueses e atirar uns contra os outros. E isso não é bonito.
E sim, fui funcionária pública, professora do ensino secundário durante 38 anos. Reformei-me há um ano e meio.
E sim, considero que fui uma boa funcionária e os meus alunos e colegas podem atestá-lo.
E não, não gosto de generalizações e de falta de solidariedade.»

 

Da nossa leitora Teresa Cruz. A propósito deste texto do André Couto.

 

6 comentários em “O comentário da semana”

  1. Dou com o ayatolla Vasco Pulido Valente no Público de hoje e vejo-o com a minha opinião: “duas realidades manifestamente não comparáveis”, sobre o invocado principio da equidade, basta um pouco de senso e lógica.
    Ainda havemos de lamentar a estupidez da coorte do TC.
    Já não bastavam os cortes na AP, a dar agora azo à sua aplicação a quem trabalha e produz na privada.
    Àqueles que com os seus trabalhos, ainda vão fazendo com que isto vá andando: negócios, produção e exportação.
    Mas já em 2004 lhe dava razão: o primeiro e dos poucos escribas, a clamar contra a estupidez dos estádios do Euro 2004.
    PS: atingido pelos cortes na minha pensão da CGAp.
    E preocupado com os jovens no mercado.

    1. VPV junta uma voz ao coro asinino de que as remunerações são diferentes, consoante o empregador. Talvez os empregados do Continente também devam ter descontos diferentes dos do Pingo Doce. Enfim…

      De facto, o Estado abusa da imoralidade de ser empregador e ao mesmo tempo legislador, alterando unilateralmente os contratos.
      No entanto, é ilegal em qualquer outra circunstância uma das partes alterar um contrato sem indemnizar os lesados…

      Porém o problema desta mentalidade é ainda mais engraçado. Se um médico actua no privado, então produz… mas se trabalha no público, então é despesa. Quem diz médicos, diz professores, etc…
      O que fazem no público, mais barato, é considerado despesa digna de reclamação, e o mesmo que fazem no privado, mais caro, é considerado produtivo digno de aclamação.
      – Portanto, se o Estado delegar numa empresa privada o pagamento dos salários então os funcionários públicos passam a privados, e o que era antes despesa passa a receita produtiva.

      Ora, indo ao encontro dessas iluminárias, já houve movimentações de médicos e professores no sentido de passar os hospitais públicos para privados e as universidades públicas para privadas…
      Todos ficam contentes?
      Depois, se for preciso uma fortuna para uma pequena operação, ou pagar uma fortuna para colocar o filho numa universidade, não é de admirar… é o que acontece nos EUA.
      E qual é o sistema de aposentação nos EUA?… pois, é o “salve-se quem puder”. E quem acha que descontou o suficiente, se ainda souber fazer contas, percebe que 10% do salário sobre 40 anos, dá exactamente 4 anos. É isso que descontou…

      Com toda a liberalização vão baixar os impostos?
      – É o que se tem visto…
      A grande despesa é uma receita cozinhada com avental e água benta. Mas usando velhas receitas, essa despesa continua intocável…

      1. Pois, pois, acha mesmo que somos burros e insiste em querer enganar-nos com a sua maravilhosa inteligência.
        Oh sr. da Maia, não é a remuneração que é diferente consoante o empregador, é a SEGURANÇA no emprego. Uns, os previlegiados dos FP têm emprego para a vida, os outros são depedidos, 15,2% deles (dos taditos da privada), segundo a informação actualizadíssima do INE…
        Vê a diferença ou a sua inteligência requer que eu lhe faça um desenho???

  2. Um texto a gozar com o pagode.

    “Quando se fala no acórdão em “esforço maior” de uns traduzindo este facto falta de equidade temos de ter em conta que as carreiras destes funcionários estão congeladas há vários anos e estes tiveram há mais de um ano cortes salariais.”

    Então porque é que os impostos não pararam de subir na última década?
    E como isso não chegou adicione os défices sucessivos que ficaram em mais de 100 mil milhões de euros de nova dívida.

  3. Um Regime “armadilhado”
    Da Maia, as suas boas razões, esmagadas pela realidade,a nova economia (com algum casino à mistura).
    Luck, que esperar desta gente (da Coorte imperial do Regime, sim el TriConst?):
    Soluções p/os Loureiros ou Isaltinos?
    Para os deputados das Parcerias Políticas Democráticas (leia-se partidos políticos), que representam quem?
    “Gozam com o pagode”, ‘naturalmente’,
    juízes, deputados & Cia.

  4. Monti as contas são simples. Em 1977 cerca de 25% da riqueza passava pelas mãos do Estado, ou seja pelos políticos. A que se deve adicionar que nessa altura uma dívida que não chegava a 40% do PIB.
    Hoje mais de 50% da riqueza produzida no país vai para o Estado. A Dívida é mais de 110% do PIB.
    Ou seja é de esperar ainda mais Estado no futuro. Porque cortar no Estado é proibido pela Constituição.
    O Estado só pode aumentar.
    Estamos obviamente num Estado Totalitário.

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